Evadido de Vale de Judeus promete levar à Justiça "todas as pessoas" que o deixaram em "condições desumanas": e anuncia "GREVE"
Perry Mason
(1957-1966) - Patricia Medina, Douglas Kennedy
Fábio Loureiro, um dos evadidos de Vale de Judeus, anunciou
esta segunda-feira que se encontra em greve de
fome. O detido alega que está a ser "prejudicado em vários
aspetos" desde o dia em que ali foi detido.
"Encontro-me nesta situação há cinco meses, nos quais Portugal nada faz para
que eu saia desta situação e seja extraditado para o
meu país. Pelo contrário, só me têm vindo a prejudicar com mentiras,
falsas promessas e, de alguma forma, no meu entender, castigar-me por
ter exposto as fragilidades do sistema prisional português. Só
depois de várias insistências por parte das minhas advogadas é que recebi a
visita da embaixada portuguesa, que nada faz", lê-se no comunicado
divulgado no Instagram da mulher do detido, Rita Loureiro.
Fábio Loureiro, que foi capturado a 6 de outubro em Tânger,
diz que as condições a que tem sido sujeito, "além de desumanas, são contra as normas do regulamento
interno das prisões de Marrocos".
"Eu, Fábio Loureiro, juntamente com as minhas
advogadas, temos intenções de levar para a
justiça todas as pessoas e entidades que me fizeram e estão a fazer passar por
tudo isto. Que a justiça seja aplicada a cada uma destas, assim como
em tempos foi comigo quando era jovem e cometi determinados delitos",
lê-se ainda.
No longo comunicado, o evadido de Vale de Judeus afirma
ainda que quer "deixar escrito que nunca
fiz parte de qualquer plano de fuga e
que não é por eu me encontrar nesta situação que as fragilidades do sistema
prisional vão deixar de existir".
"FAÇO ESTA GREVE SOBRETUDO porque o meu País nada
faz para a minha extradição e por permitirem que um cidadão português permaneça
em determinada situação. Constantemente com promessas e nunca se pronunciam sob
o Reino de Marrocos para que eu lhes seja entregue, permitindo que a situação
se arraste por indeterminados meses. Lutarei por justiça e pelos meus direitos
SEMPRE!".
Inicialmente, Fábio manifestou-se contra a sua extradição para Portugal,
mas desistiu de recusar a extradição após "reunir com a família e os
advogados". Detido em Marrocos, o recluso português, que cumpria uma pena
de prisão de 25 anos quando fugiu da cadeia no passado dia 7 de setembro,
aceitou ser extraditado "o mais rápido que se mostrar viável".
Leia o comunicado na íntegra:
"Eu, Fábio Fernandes dos Santos Loureiro, entro em
greve de fome hoje, dia 10-03-2025, pelos seguintes motivos:
Desde o dia em que entrei para esta prisão, estou a ser
prejudicado em vários aspetos, o que em nada vai ao encontro do que dizem os Direitos Humanos Internacionais.
Encontro-me nesta situação há cinco meses, nos quais
Portugal nada faz para que eu saia desta situação e seja extraditado para o meu
país.
Pelo contrário, só me têm vindo a prejudicar com mentiras,
falsas promessas e, de alguma forma, no meu entender, castigar-me por ter
exposto as fragilidades do sistema prisional português.
Só depois de várias insistências por parte das minhas
advogadas é que recebi a visita da Embaixada Portuguesa, que nada faz.
Onde, numa das vezes, foi dito à minha esposa que é
"feio" se pronunciarem sobre as autoridades marroquinas.
Passo a referir os seguintes motivos:
• Estive algemado de pés e mãos com uma corrente a unir
ambos os membros durante dias.
• Onde mal me conseguia esticar, onde, em momento algum, me
tenham sido retiradas as correntes para dormir, comer ou até fazer necessidades fisiológicas, além do
facto de apenas ter vestido um par de boxers.
• Fui tratado desumanamente e pior que um animal vítima de
maus-tratos.
• Estive cerca de trinta dias sem pátio.
• Estive sem quaisquer produtos de higiene cerca de vinte
dias.
• Não me permitiram contactar a minha esposa ou qualquer
outro membro da nossa família durante dezasseis dias.
• Até ao dia de hoje, não tenho colchão, almofadas ou
lençóis.
• Fui impedido de ter uma
caneta por quatro meses.
• Não tenho qualquer tipo de objeto pessoal, como televisão
etc.
• Quando é feriado em território marroquino, sou impedido
de contactar a minha esposa.
• A duração da visita é, por lei, de uma hora, a qual só
agora é de cerca de quarenta minutos, pois inicialmente eram dez a quinze
minutos.
• Fui impedido de fumar até ao dia de hoje.
Tudo isto, além de desumano, é contra as normas do
regulamento interno das prisões de Marrocos.
É lamentável estarem cerca de trinta pessoas nestas
condições de tortura psicológica e física, onde muitos permanecem anos e todos
escolhidos a dedo.
Espero que os Direitos
Humanos e restantes entidades competentes venham visitar toda a prisão onde me encontro e vejam com os
seus próprios olhos tudo o que estou aqui a expor.
Sou um cidadão português, mas acima de qualquer
nacionalidade regem os direitos internacionais.
Eu, Fábio Loureiro, juntamente com as minhas advogadas,
temos intenções de levar para a justiça todas as pessoas e entidades que me
fizeram e estão a fazer passar por tudo isto.
Que a justiça seja aplicada a cada uma destas, assim como em
tempos foi comigo quando era jovem e cometi determinados delitos.
A lei deve ser aplicada a todos de igual forma.
Por fim, quero deixar escrito que acredito e confio em Deus
a todo o tempo.
Acredito que, se de alguma forma sou eu a passar por tudo
isto e deixando também a minha mulher a viver tal situação, é porque Deus me
escolheu a mim para lutar pelos direitos que os reclusos têm, apesar de estarem
presos, independentemente do país em que se encontrem.
Agradeço a todas as pessoas que me estão a apoiar, que nunca
faltam com palavras de coragem enviadas á minha esposa e sobretudo á nossa
família.
Às minhas advogadas sou eternamente grato por tudo
Hoje em dia sinto que estou bem acompanhado e são prova que
nada acontece por acaso.
A Portugal quero deixar escrito que nunca fiz parte de
qualquer plano de fuga e que não é por eu me encontrar nesta situação que as
fragilidades do sistema prisional vão deixar de existir.
FAÇO ESTA GREVE SOBRETUDO, porque o meu País nada faz para a
minha extradição e por permitirem que um cidadão português permaneça em
determinada situação
Constantemente com promessas e nunca se pronunciam sob o
Reino de Marrocos para que eu lhes seja entregue, permitindo que a situação se
arraste por indeterminados meses.
Lutarei por justiça e pelos
meus direitos SEMPRE!
Fábio Dos Santos Loureiro"
Fonte: TVI Notícias, 10 de março de 2025
Fábio Loureiro está condenado pelos crimes de rapto, tráfico de estupefacientes, associação criminosa, roubo à mão armada e evasão.

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