Evadido de Vale de Judeus promete levar à Justiça "todas as pessoas" que o deixaram em "condições desumanas": e anuncia "GREVE"

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Fábio Loureiro, um dos evadidos de Vale de Judeus, anunciou esta segunda-feira que se encontra em greve de fome. O detido alega que está a ser "prejudicado em vários aspetos" desde o dia em que ali foi detido.

"Encontro-me nesta situação há cinco meses, nos quais Portugal nada faz para que eu saia desta situação e seja extraditado para o meu país. Pelo contrário, só me têm vindo a prejudicar com mentiras, falsas promessas e, de alguma forma, no meu entender, castigar-me por ter exposto as fragilidades do sistema prisional português. Só depois de várias insistências por parte das minhas advogadas é que recebi a visita da embaixada portuguesa, que nada faz", lê-se no comunicado divulgado no Instagram da mulher do detido, Rita Loureiro.

Fábio Loureiro, que foi capturado a 6 de outubro em Tânger, diz que as condições a que tem sido sujeito, "além de desumanas, são contra as normas do regulamento interno das prisões de Marrocos".

"Eu, Fábio Loureiro, juntamente com as minhas advogadas, temos intenções de levar para a justiça todas as pessoas e entidades que me fizeram e estão a fazer passar por tudo isto. Que a justiça seja aplicada a cada uma destas, assim como em tempos foi comigo quando era jovem e cometi determinados delitos", lê-se ainda.

No longo comunicado, o evadido de Vale de Judeus afirma ainda que quer "deixar escrito que nunca fiz parte de qualquer plano de fuga e que não é por eu me encontrar nesta situação que as fragilidades do sistema prisional vão deixar de existir".

"FAÇO ESTA GREVE SOBRETUDO porque o meu País nada faz para a minha extradição e por permitirem que um cidadão português permaneça em determinada situação. Constantemente com promessas e nunca se pronunciam sob o Reino de Marrocos para que eu lhes seja entregue, permitindo que a situação se arraste por indeterminados meses. Lutarei por justiça e pelos meus direitos SEMPRE!".

Inicialmente, Fábio manifestou-se contra a sua extradição para Portugal, mas desistiu de recusar a extradição após "reunir com a família e os advogados". Detido em Marrocos, o recluso português, que cumpria uma pena de prisão de 25 anos quando fugiu da cadeia no passado dia 7 de setembro, aceitou ser extraditado "o mais rápido que se mostrar viável".

Leia o comunicado na íntegra:

"Eu, Fábio Fernandes dos Santos Loureiro, entro em greve de fome hoje, dia 10-03-2025, pelos seguintes motivos:

Desde o dia em que entrei para esta prisão, estou a ser prejudicado em vários aspetos, o que em nada vai ao encontro do que dizem os Direitos Humanos Internacionais.

Encontro-me nesta situação há cinco meses, nos quais Portugal nada faz para que eu saia desta situação e seja extraditado para o meu país.

Pelo contrário, só me têm vindo a prejudicar com mentiras, falsas promessas e, de alguma forma, no meu entender, castigar-me por ter exposto as fragilidades do sistema prisional português.

Só depois de várias insistências por parte das minhas advogadas é que recebi a visita da Embaixada Portuguesa, que nada faz.

Onde, numa das vezes, foi dito à minha esposa que é "feio" se pronunciarem sobre as autoridades marroquinas.

Passo a referir os seguintes motivos:

• Estive algemado de pés e mãos com uma corrente a unir ambos os membros durante dias.

• Onde mal me conseguia esticar, onde, em momento algum, me tenham sido retiradas as correntes para dormir, comer ou até fazer necessidades fisiológicas, além do facto de apenas ter vestido um par de boxers.

• Fui tratado desumanamente e pior que um animal vítima de maus-tratos.

• Estive cerca de trinta dias sem pátio.

• Estive sem quaisquer produtos de higiene cerca de vinte dias.

• Não me permitiram contactar a minha esposa ou qualquer outro membro da nossa família durante dezasseis dias.

• Até ao dia de hoje, não tenho colchão, almofadas ou lençóis.

Fui impedido de ter uma caneta por quatro meses.

• Não tenho qualquer tipo de objeto pessoal, como televisão etc.

• Quando é feriado em território marroquino, sou impedido de contactar a minha esposa.

• A duração da visita é, por lei, de uma hora, a qual só agora é de cerca de quarenta minutos, pois inicialmente eram dez a quinze minutos.

• Fui impedido de fumar até ao dia de hoje.

Tudo isto, além de desumano, é contra as normas do regulamento interno das prisões de Marrocos.

É lamentável estarem cerca de trinta pessoas nestas condições de tortura psicológica e física, onde muitos permanecem anos e todos escolhidos a dedo.

Espero que os Direitos Humanos e restantes entidades competentes venham visitar toda a prisão onde me encontro e vejam com os seus próprios olhos tudo o que estou aqui a expor.

Sou um cidadão português, mas acima de qualquer nacionalidade regem os direitos internacionais.

Eu, Fábio Loureiro, juntamente com as minhas advogadas, temos intenções de levar para a justiça todas as pessoas e entidades que me fizeram e estão a fazer passar por tudo isto.

Que a justiça seja aplicada a cada uma destas, assim como em tempos foi comigo quando era jovem e cometi determinados delitos.

A lei deve ser aplicada a todos de igual forma.

Por fim, quero deixar escrito que acredito e confio em Deus a todo o tempo.

Acredito que, se de alguma forma sou eu a passar por tudo isto e deixando também a minha mulher a viver tal situação, é porque Deus me escolheu a mim para lutar pelos direitos que os reclusos têm, apesar de estarem presos, independentemente do país em que se encontrem.

Agradeço a todas as pessoas que me estão a apoiar, que nunca faltam com palavras de coragem enviadas á minha esposa e sobretudo á nossa família.

Às minhas advogadas sou eternamente grato por tudo

Hoje em dia sinto que estou bem acompanhado e são prova que nada acontece por acaso.

A Portugal quero deixar escrito que nunca fiz parte de qualquer plano de fuga e que não é por eu me encontrar nesta situação que as fragilidades do sistema prisional vão deixar de existir.

FAÇO ESTA GREVE SOBRETUDO, porque o meu País nada faz para a minha extradição e por permitirem que um cidadão português permaneça em determinada situação

Constantemente com promessas e nunca se pronunciam sob o Reino de Marrocos para que eu lhes seja entregue, permitindo que a situação se arraste por indeterminados meses.

Lutarei por justiça e pelos meus direitos SEMPRE!

Fábio Dos Santos Loureiro"

Fonte: TVI Notícias, 10 de março de 2025

Fábio Loureiro está condenado pelos crimes de rapto, tráfico de estupefacientes, associação criminosa, roubo à mão armada e evasão.

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