Trump rouba escapatória ao setor automóvel europeu

O.P.J. Pacific Sud (2019) - Yaëlle Trules (dentro do carro), Emma Larthomas

As tarifas de 25% anunciadas na quarta-feira por Donald Trump, que vão castigar todas as importações de carros que entram nos EUA, são um “desafio flagrante a décadas de globalização” numa indústria que se tornou uma das mais interligadas do mundo, sublinham economistas e fontes do setor. Em particular, a indústria europeia, há vários anos pressionada pela transição energética e pela concorrência chinesa, tem tido nos EUA um mercado cada vez mais importante. Agora, essa porta arrisca fechar-se: os analistas consideram “plausível” que as vendas europeias nos EUA caiam para metade. A indústria portuguesa não será diretamente afetada, mas não conseguirá fugir ao efeito “bola de neve”.

O objetivo de Donald Trump é forçar a indústria automóvel a relocalizar a produção para os EUA, mesmo que isso cause um dano económico de curto prazo. Em declarações aos jornalistas, o presidente dos EUA defendeu que a medida levará a um “tremendo crescimento da indústria automobilística”, garantindo já haver fabricantes a desejarem investir nos EUA. “Já estão à procura de locais”, atirou.

A partir da meia-noite de 3 de abril, todos os carros ligeiros e pequenas carrinhas que não tenham sido produzidos nos EUA vão passar a pagar uma taxa alfandegária de 25% quando entram no mercado norte-americano. Um mês depois, os componentes – como motores e outras peças essenciais – também irão passar a pagar a mesma tarifa.

Fonte. Observador, 29 de março de 2025

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