A pornografia
“Passa pelo acesso precoce muito facilitado à pornografia,
inclusivamente. E sabemos que a pornografia
industrializou a violência sexual, sem precedentes, não é? Portanto,
é sabemos que estudos internacionais apontam que o primeiro contato com
conteúdos pornográficos ronda os 11, 12,13 anos. Portanto (…) é cedo demais,
considerando (…) condiciona, condiciona, absolutamente. Nós sabemos que temos
estudos, temos literatura científica que sustenta isto. Sabemos que a maioria, a esmagadora maioria, dos
conteúdos pornográficos são altamente violentos e estamos a falar de pornografia mainstream, não
são nichos de pornografia. Portanto, naturaliza, romantiza, erotiza, sexualiza, se quiser, a violência contra as mulheres.
E se este é o primeiro contacto antes de iniciarem a vida sexual. Se este é o primeiro
contato com imaginários, guiões, é é o que é que podemos esperar…”
Maria João Faustino, especialista em violência sexual
A pornografia somente substitui a mulher nos tempos muito modernos.
Nas sociedades antigas, no século XX, por exemplo, esta função de iniciar os jovens na vida sexual competia à mulher mais velha e experiente. A mulher continuou a envelhecer no século XXI, mas perdeu a experiência. Poderá gostar de pénis, como as suas avós, coagida pelo impulso biológico, mas não sabe nada sobre as carências e necessidades deste, e muitas sem a educadora sexual ou psicóloga ao lado não sabem que fazer com ele.
Esta ignorância já foi integra em ciência. A sexóloga Magali Croset-Calisto nota que "muitas mulheres já não consideram que a falta de desejo sexual seja um problema", indicando uma crescente aceitação da abstinência e da assexualidade como escolhas válidas na contemporaneidade.
Uma das grandes contradições dos tempos muito modernos é a evolução da medicina regenerar a mulher, modelando-lhe, por exemplo, bocas estomatologicamente perfeitas e saudáveis, mas inúteis.








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