"Antissemita": Trump acusa Universidade de Harvard de ser "ameaça à democracia"
Morangos com açúcar - Oskar de la Fuente, Tomás Taborda,
Maria Arrais
A
Universidade de Harvard atacou, no início da semana, a administração de Donald
Trump pelo congelamento do financiamento federal, que ocorreu depois de se ter
recusado a cumprir uma série de exigências da Casa Branca. O presidente dos
Estados Unidos acusa a instituição de aceitar "estudantes de todo o mundo
que querem destruir o país"
O presidente norte-americano, Donald Trump, criticou, esta quinta-feira, novamente a Universidade de Harvard, classificando-a como uma "instituição de extrema-esquerda e antissemita", além de ser uma "ameaça à democracia", numa longa mensagem na sua rede social, Truth Social.
"Este lugar é uma
confusão progressista" e "aceita
estudantes de todo o mundo que querem destruir o país",
escreveu o líder da Casa Branca, num novo episódio da guerra declarada às
instituições de ensino superior.
Na sua mensagem, Trump pede a
demissão de um advogado que
trabalha para a sua empresa, a Trump Organization, e que também representa
Harvard.
"Ele
não é muito bom de qualquer maneira, e espero que a
minha grande e magnífica empresa, que é agora gerida pelos meus
filhos, se livre dele imediatamente", prosseguiu o antigo promotor
imobiliário.
O líder norte-americano não revela o nome, mas, segundo a
agência France-Presse (AFP), acredita-se que se trate de William Burck, um advogado muito respeitado
nos círculos republicanos, que é consultor da Trump Organization e foi
encarregado por Harvard para defender a universidade contra a Casa Branca.
A instituição de ensino superior atacou no início da semana
a administração de Donald Trump pelo congelamento do financiamento federal, que
ocorreu depois de se ter recusado a cumprir uma série de exigências da Casa
Branca.
O presidente norte-americano, que critica as universidades
por serem focos de protestos progressistas, quer ter uma voz ativa nos
procedimentos de admissão de alunos, na contratação de professores e nos
currículos.
Harvard apresenta processo judicial
Na terça-feira, a Universidade de Harvard apresentou um
processo judicial para impedir o congelamento de subsídios estatais no valor de
mais de 2,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,9 mil milhões de euros).
"Este caso concerne aos esforços do governo para
utilizar o congelamento das subvenções federais como meio de obter controlo
sobre as decisões académicas em Harvard", justificou a universidade no
processo judicial entregue em tribunal.
A administração de Trump exigiu, numa carta enviada a
Harvard no início deste mês, amplas reformas e de liderança na universidade,
bem como mudanças
nas suas políticas de admissão, de diversidade no campus e fim do
reconhecimento de alguns clubes de estudantes.
Estas reivindicações foram recusadas pelo presidente de
Harvard, Alan Garber, e horas mais tarde o governo congelou os financiamentos
federais.
Na sua ação judicial, a universidade alegou que "o governo
não identificou - e não pode identificar - qualquer ligação racional entre as
preocupações com o antissemitismo e a investigação médica, científica,
tecnológica e outras que congelou e que tem como objetivo salvar vidas
americanas, promover o sucesso americano, preservar a segurança americana e
manter a posição dos Estados Unidos como líder global em inovação".
Donald Trump ameaçou ir ainda mais longe ao retirar a
isenção fiscal concedida a Harvard, que acusou de espalhar "ódio e estupidez" e de permitir que o antissemitismo florescesse
durante os protestos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza entre Israel e
o grupo islamita palestiniano Hamas.
Os republicanos no Congresso anunciaram na semana passada
que iniciaram uma investigação sobre Harvard, acusando a universidade de violar
as leis de igualdade.
Dezenas de universidades norte-americanas, incluindo Yale,
Princeton e Harvard, acusaram na terça-feira a administração de Donald Trump de
tentativa de "ingerência política" ao congelar e ameaçar retirar
subvenções governamentais.
"Falamos a uma só voz contra a interferência
governamental e política sem precedentes que ameaça o ensino superior
norte-americano", afirmaram os cerca de 100 signatários da declaração
conjunta, que reuniu reitores de universidades e responsáveis de associações.
Fonte: SIC Notícias, 24 de abril de 2025


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