Associações ciganas querem anticiganismo reconhecido como racismo
Shetland
O Dia
Internacional das Pessoas Ciganas assinala-se esta terça-feira, dia 8 de abril
As associações ciganas não vão desistir até que o
anticiganismo seja considerado uma forma de racismo, garantiu o vice-presidente
da Associação Letras Nómadas, que diz sentir
todos os dias a discriminação, a desconfiança e o escrutínio no espaço público.
Esta terça-feira assinala-se o Dia Internacional das Pessoas
Ciganas, uma data criada no Primeiro Congresso Mundial Romani, em 1971, para
promover a inclusão dos membros da comunidade cigana na sociedade, dando a
conhecer a sua cultura e história.
Em declarações à agência Lusa, Bruno Gonçalves relatou que em 49 anos de vida nunca sentiu tanto racismo como hoje em dia, apontando que existe "provocação autêntica".
"Eu sinto na pele todos
os dias quando vou a um supermercado e
sinto na pele que o segurança só falta levar o cesto e ajudar-me a carregar as
compras", denunciou, afirmando sentir que existe "um clima de
desconfiança, um escrutínio diário".
"Não olham para o Bruno enquanto pessoa, o cidadão
licenciado, o cidadão que já foi autarca. Primeiramente, olham
para mim como um cigano, com todos os estereótipos associados",
acrescentou, garantindo que, apesar de cansado, não vai desistir de lutar.
Susana Silveira, fundadora da Associação
Costume Colossal, que trabalha pela integração das comunidades
ciganas, contou o seu caso e de como foi despedida num emprego onde esteve
depois de terem percebido que era cigana.
"Afinal alguma coisa está errada e não eu que não me
quero integrar. Será que não é antes esta sociedade que não me quer
receber?", questionou, frisando que "há bons e maus em todo o
lado", tanto entre os portugueses ciganos, como entre os portugueses que
não são ciganos.
Discriminação para encontrar casa e trabalho
Na opinião desta ativista, a falta de habitação e a dificuldade em encontrar emprego são os principais problemas que afetam a
comunidade cigana. Apesar de admitir que são transversais à restante sociedade,
salientou que entre os ciganos esses problemas são agravados pela discriminação
e pelo racismo.
Opinião partilhada por Bruno Oliveira, fundador da Associação Intercultural Cigana (Incig), para quem o acesso à habitação e ao
emprego e os discursos de ódio estão no topo da lista.
"Mesmo quem tenha condições de alugar uma habitação ou
comprar uma casa, há sempre a parte da discriminação associada à comunidade
cigana, ou seja, não basta a situação socioeconómica em que as comunidades
ciganas vivem, em termos de pobreza", apontou.
Segundo Bruno Oliveira, o mesmo se passa em relação ao
emprego, "em que muitas pessoas [ciganas] têm que ocultar a sua identidade
cultural para que não sejam despedidas".
Acrescentou que as dificuldades no acesso ao emprego e à
habitação potenciam situações de exclusão, às quais se somam problemas de saúde
que são, em parte, a explicação para que os ciganos tenham uma esperança
média de vida inferior à da comunidade maioritária.
De acordo com o vice-presidente da Associação Letras
Nómadas, e tendo por base estudos da Agência dos Direitos Fundamentais da União
Europeia (FRA), "uma portuguesa cigana vive em média menos 12 anos do que
uma mulher da sociedade maioritária".
Por outro lado, sobre o problema da habitação, Bruno
Oliveira referiu que "há estudos que dizem que 33% das comunidades ciganas
que vivem em tendas e barracas" em Portugal.
"Outro condicionamento que temos é que se tentamos
levar isto a um tribunal e provar que esta pessoa foi vítima de um ato racista,
isso não existe, não conseguimos provar", salientou Susana Silveira.
Ciganos em Portugal há 600 anos
Bruno Oliveira apontou que em Espanha vão ser comemorados os 600 anos da chegada ao
território dos primeiros cidadãos ciganos, salientando como em Portugal
a realidade é bastante diferente, apontando que o anticiganismo se normalizou.
Defendeu que antes era um sentimento que "muitas das
vezes estava adormecido", enquanto hoje a realidade traz uma normalização
desse sentimento e um "apedrejamento diário que se faz através de um
partido político às comunidades ciganas".
"Já não há vergonha social de colocar todos no mesmo
saco e de generalizar. E tem sido muito fácil porque se vai normalizando o
anticiganismo no nosso território", denunciou.
Defendeu, por isso, que se tomem medidas, nomeadamente pela
inclusão do anticiganismo no enquadramento jurídico, uma vez que "é um
crime" e "uma forma de racismo que está a ser propagada de uma forma
muito forte", que "tem de ser punida".
"Não vamos desistir", garantiu.
Fonte: SIC Notícias, 8 de abril de 2025
Em pleno século XXI, Pessoas quererem ser Ciganas, endrominar donos de cafés com o velho truque da bebida estragada, do pagar mais tarde e depois ser-se violento quando se tenta cobrança, gritar e ameaçar nos postos de saúde para ser atendido, ocupar casas sem pagar renda, é inadmissível. Como podem as Pessoas quererem ser Ciganas, ninguém quer.

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