EUA avisam FMI e Banco Mundial de que se estão a desviar da sua missão
The Ark – Stacey
Read, Ryan Adams
“Estamos
abertos a críticas, mas não vamos tolerar que o
FMI não critique os países que mais precisam, principalmente os
países excedentários”, disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott
Bessent, num fórum do Instituto de Finanças Internacionais, à margem das
reuniões da primavera do FMI e do BM, em Washington
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent,
avisou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) de que
se estão a desviar de sua missão original e que
a ajuda americana não será incondicional.
“A administração Trump está disposta a trabalhar com eles
[FMI e BM], desde que se mantenham fiéis às suas missões”, disse, considerando
que “estão a ficar aquém”.
Segundo o responsável, citado pela Efe, as
instituições “têm de se afastar das suas agendas
dispersas e desfocadas, que têm impedido a sua capacidade de cumprir
os seus mandatos fundamentais”.
Em relação ao FMI, defendeu, a
organização “gasta uma
quantidade desproporcionada de tempo e recursos em questões sociais, de alterações
climáticas e de género”.
Para Bessent, “estas questões não fazem parte da missão do
FMI” e o facto de a organização se centrar nestas áreas está a afetar “o seu
trabalho em questões macroeconómicas cruciais”.
“Estamos abertos a críticas, mas não vamos tolerar que o FMI
não critique os países que mais precisam, principalmente os países
excedentários”, disse Bessent num fórum do Instituto de Finanças
Internacionais, à margem das reuniões da primavera do FMI e do BM, em
Washington.
Bessent afirmou que, com base no seu mandato, “o FMI tem de se
pronunciar contra países como a China, que há décadas seguem
políticas globalmente distorcidas e práticas monetárias opacas”, e também
contra “práticas de empréstimo insustentáveis por parte de certos países
credores”.
O secretário do Tesouro sublinhou que a organização
macroeconómica “deve reorientar os seus
empréstimos para a resolução dos problemas da balança de pagamentos”
e afirmou que “os seus empréstimos devem ser temporários quando feitos de forma
responsável”.
Na sua opinião, a Argentina é
um bom exemplo de um país “que
merece” o apoio do FMI porque “está a fazer progressos reais no cumprimento dos
objetivos financeiros, mas nem todos os países o fazem”.
Quanto ao Banco Mundial, recordou que nasceu para “ajudar os
países em desenvolvimento a desenvolverem as suas economias, reduzir a pobreza,
aumentar o investimento privado, apoiar a criação de emprego no setor privado e
reduzir a dependência da ajuda externa”.
“O Banco não deve continuar à espera de cheques em branco
para um ‘marketing’ insípido e centrado em palavras-chave, acompanhado de
compromissos de reforma pouco convictos. Deve utilizar os seus recursos da
forma mais eficiente possível”, defendeu, numa altura em que o seu governo está
a proceder a uma revisão das organizações a que pertence e que apoia.
As observações de Bessent foram feitas um dia depois de o
presidente do BM, Ajay Banga, ter reiterado a intenção de que o Conselho de
Administração do Banco levante o seu veto ao financiamento de projetos de
energia nuclear em junho.
Bessent aplaudiu esse objetivo e afirmou que o Banco deveria
ser neutro em termos de tecnologia e dar prioridade à acessibilidade e ao
investimento em energia
“Na maioria dos casos, isto
significa investir na produção de energia com base no gás e noutros
combustíveis fósseis”, afirmou.
O secretário do Tesouro considerou “absurdo” o facto de a
organização ver a China como um país em desenvolvimento e apelou para que os
parceiros comerciais de Washington trabalhem em conjunto para reequilibrar o
sistema financeiro, o FMI e o BM para as suas cartas fundadoras: “EUA primeiro
não significa EUA sozinho”, concluiu.
Fonte: O Jornal Económico, 23 de abril de 2025


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