EUA vão instalar drones de vigilância em ilha japonesa perto de Taiwan

Tracker - Beverley Elliott

Os Estados Unidos vão instalar drones de vigilância de longo alcance no sul do Japão, em Okinawa, perto de Taiwan, anunciou hoje o ministro da Defesa japonês

Drones MQ-4C Triton serão instalados na base aérea americana de Kadena, na ilha principal de Okinawa, nas próximas semanas”, declarou o general Nakatani aos jornalistas, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP)

Nakatani disse que a decisão se destina a “reforçar as atividades de recolha de informações, de vigilância e de reconhecimento” em torno do Japão.

“O ambiente de segurança em torno do nosso país está a tornar-se cada vez mais difícil”, acrescentou.

A China tem efetuado exercícios militares em torno de Taiwan nos últimos anos, o que os analistas consideram como um prelúdio de uma possível tomada da ilha.

Caças japoneses foram usados 30 vezes em 2024 para intercetar drones nas águas do sul do país, alegadamente provenientes da China, de acordo com os meios de comunicação social locais.

Trata-se de um número muito superior às nove interceções registadas em 2023 e as quatro em 2021, segundo o diário japonês Yomiuri.

O MQ-4C é um drone de “alta altitude e longa duração”, capaz de voar durante mais de 24 horas e cobrir uma distância equivalente a 13 700 quilómetros num único voo, segundo o fabricante Northrop Grumman.

O exército japonês, que já dispõe de drones de alta altitude, planeia também adquirir aparelhos sem tripulação de ataque mais pequenos, no âmbito de um vasto esforço de modernização da defesa nacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que os aliados da região Ásia-Pacífico reforcem as capacidades militares para fazer frente à China e conter a Coreia do Norte.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, encontrou-se hoje com o ministro da Defesa japonês em Tóquio e apelou à continuação da cooperação.

A NATO e o Japão partilham os mesmos valores e enfrentamos muitos desafios comuns”, afirmou Rutte, que deverá encontrar-se com o primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, na quarta-feira.

Numa entrevista publicada pelo Japan Times, Rutte alertou para a expansão do exército chinês.

Não sejamos ingénuos em relação à China”, afirmou.

“O crescimento das forças armadas [da China], os investimentos na indústria da defesa e nas capacidades de defesa são espantosos”, afirmou na entrevista publicada na segunda-feira.

Cerca de 54 000 soldados americanos estão atualmente destacados no Japão, a maioria na ilha de Okinawa, onde se encontra também a base aérea de Kadena, na ilha principal do arquipélago.

Fonte: Lusa, 8 de abril de 2025

Rutte diz que Nato não pode ser "ingénua" em relação ao aumento do armamento da China

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, mostrou, esta terça-feira a sua preocupação com a acumulação de armas e com os exercícios militares da China perto de Taiwan. Apelou aos 32 membros da aliança para que trabalhem em conjunto para manter as vias marítimas livres e abertas na região.

"A China está a apoiar os esforços da Rússia. A China está a construir as suas forças armadas, incluindo a sua marinha, a um ritmo acelerado", disse Mark Rutte aos jornalistas durante a sua primeira visita ao Japão desde o início do seu mandato.

"Não podemos ser ingénuos e temos de trabalhar em conjunto para avaliar o que está a acontecer", acrescentou o chefe da NATO, a partir do porto naval japonês de Yokosuka.

Os comentários de Rutte surgem na sequência de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, na semana passada, em que o chefe da aliança sublinhou que as ameaças à segurança mundial estão mais interligadas do que nunca e que o aumento das despesas com a defesa é fundamental para garantir a segurança da NATO.

"Estamos a ver o que a China está a fazer. Estamos a ver como estes dois teatros, o Pacífico interior e o Euro-Atlântico, estão cada vez mais ligados pelo facto de os russos estarem a trabalhar em conjunto com os norte-coreanos, com os chineses, com o Irão, por isso temos de olhar para todos estes teatros em conjunto e se será esse o nosso foco", afirmou.

O antigo primeiro-ministro dos Países Baixos afirmou ainda que a NATO está preocupada com os exercícios militares da China perto de Taiwan e que "os seguimos de muito perto".

O Japão considera a China uma ameaça e, nos últimos anos, tem acelerado o reforço militar, nomeadamente preparando-se para adquirir capacidade de contra-ataque com mísseis de cruzeiro de longo alcance.

O Japão, para além dos Estados Unidos, expandiu as suas alianças defensivas com outras nações amigas no Indo-Pacífico e na Europa, bem como com a NATO, afirmando que a guerra da Rússia na Ucrânia sublinha que os riscos de segurança na Europa e na Ásia são inseparáveis.

Os Estados Unidos querem que os membros da NATO estejam mais envolvidos na região do Indo-Pacífico, disse Rutte. O líder da aliança congratulou-se com a recente deslocação ao Japão do secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, para garantir o empenho de Washington em reforçar a aliança com o Japão e a sua presença na região. Rutte sublinhou a sua importância, observando que o Japão é o único membro do Grupo dos Sete que não faz parte da NATO.

Nos últimos anos, a NATO também reforçou os seus laços com o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia, conhecidos como IP4 - uma medida que foi criticada por Pequim, que receia que Washington esteja a tentar formar uma aliança semelhante à da NATO na região.

Fonte: Euronews, 8 de abril de 2025

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