Governo dos EUA ameaça impedir Harvard de matricular estudantes estrangeiros
Perry Mason
(1957-1966) – Elaine Edwards
A secretária para a Segurança Interna, Kristi Noem, "escreveu uma carta contundente exigindo registos detalhados das atividades ilegais e violentas dos titulares de vistos de estudante estrangeiro de Harvard até 30 de abril de 2025, sob pena de perda imediata da certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio", anunciou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês).
Kristi Noem
Ao envelhecer, um fenómeno estranho acomete a boca das mulheres americanas: ficam com bico de pato. Sendo a boca um órgão genital essencial nos tempos muito modernos, esperar-se-ia um melhor remate etário da maior potência mundial.
Segundo um comunicado divulgado ao final desta quarta-feira,
Noem cancelou igualmente dois subsídios no valor de 2,7 milhões de dólares
(2,37 milhões de euros) à prestigiada universidade norte-americana, por
considerar que "não é adequado confiar-lhe o dinheiro dos
contribuintes".
"Harvard, que se ajoelha perante o antissemitismo -
impulsionada pela sua liderança sem coluna vertebral - alimenta uma latrina de
motins extremistas e ameaça a nossa segurança nacional",
afirmou ainda a secretária.
"Com a ideologia antiamericana e pró-Hamas a envenenar o
seu campus e as suas salas de aula, a posição de Harvard como uma instituição
de ensino superior de topo é uma memória distante. A América exige mais das
universidades que recebem o dinheiro dos contribuintes", acrescentou Noem.
A ação do DHS segue-se à decisão do presidente
norte-americano, Donald Trump, no início desta semana, de congelar 2,2 mil
milhões de dólares (1,93 mil milhões de euros) de financiamento federal a
Harvard, propondo ao mesmo tempo a revogação do seu estatuto de isenção fiscal.
Noem acrescenta no comunicado que, "com uma dotação de
53,2 mil milhões de dólares [46,8 mil milhões de euros], Harvard pode financiar
o seu próprio caos - o DHS não o fará".
Também Trump intensificou na quarta-feira as críticas à
universidade, dizendo na sua rede social Truth Social que Harvard
"ensina o ódio e a imbecilidade" e "não deve
continuar a receber financiamento federal".
O presidente norte-americano acusa as instituições de ensino
superior de permitirem o florescimento do antissemitismo nos seus campus, e o governo
exigiu que implementassem uma série de medidas - incluindo uma auditoria às opiniões
dos estudantes e do pessoal docente -
sob pena de fechar a torneira dos subsídios.
O reitor de Harvard, Alan Garber, numa carta dirigida aos
estudantes e professores da instituição, anunciou na segunda-feira que a
universidade já estava a tomar medidas contra o antissemitismo há mais de um
ano, assegurando-lhes que a instituição não abandonaria "a sua
independência, nem os seus direitos garantidos pela Constituição",
nomeadamente a liberdade de expressão.
"Nenhum governo, independentemente do partido que
esteja no poder, deve ditar às universidades privadas o que devem ensinar, quem
podem recrutar e contratar, ou que temas podem investigar", acrescentou.
A reação de Harvard foi saudada por centenas de professores
e por várias figuras do Partido Democrata, incluindo Barack Obama, tendo o
antigo presidente (2009-2017) saudado a medida como um exemplo que deve ser
seguido por outras instituições.
Em contraste, a Universidade de Columbia concordou em empreender reformas de longo alcance, vistas
por alguns como uma capitulação à administração Trump. No entanto, a
universidade sediada em Nova Iorque disse na terça-feira que recusaria
"qualquer acordo que [a] fizesse desistir da [sua] independência".
A Universidade de Harvard, que se situa perto de Boston e
tem cerca de 30 mil estudantes, está há anos firmemente estabelecida no topo da
classificação mundial de Xangai dos estabelecimentos de ensino superior.
Fonte: RTP, 17 de abril de 2025


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