Japão e NATO acordam aprofundar laços militares para enfrentar China
Perry Mason
(1957-1966) – Raymond Burr, Barbara Hale
O
primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, e o secretário-geral da NATO, Mark
Rutte, acordaram hoje aprofundar ainda mais os laços militares, sublinhando a necessidade de enfrentarem juntos ameaças
da China, Coreia do Norte e Rússia
O Japão - que intensificou os laços de defesa com os Estados
Unidos, o seu principal aliado, e outras nações amigas no Indo-Pacífico – tem
procurado aprofundar as relações com a NATO, temendo que a invasão da Ucrânia
pela Rússia pudesse fortalecer a assertividade da China na região.
“Uma NATO mais forte beneficiará muito o Japão”, argumentou
Ishiba numa conferência de imprensa conjunta após as conversações com Rutte,
que viajou ao Japão pela primeira vez desde que se tornou secretário-geral da
organização, em outubro.
Numa declaração conjunta divulgada após as conversações,
Ishiba e Rutte disseram que o reforço da cooperação industrial de defesa é
"uma prioridade partilhada" e que planeiam concentrar-se no desenvolvimento de tecnologias avançadas e de utilização
dupla, ao mesmo tempo que melhoram a sua padronização.
Ambos concordaram ainda em intensificar a cooperação em
matéria de defesa cibernética e no espaço, bem como exercícios militares
conjuntos, tendo igualmente discutido o uso de drones e a Inteligência
Artificial.
Ishiba e Rutte declararam ainda que "condenam veementemente" os crescentes laços
militares entre a Coreia do Norte e a Rússia, incluindo o uso de
mísseis e de tropas norte-coreanas pela Rússia contra a Ucrânia, ao mesmo tempo
que manifestaram preocupação com o apoio da China à base industrial de defesa
russa.
Ambos apelaram também à manutenção de um Indo-Pacífico livre
e aberto e opuseram-se às tentativas unilaterais
de alterar o status quo pela força nos Mares da China Oriental e
Meridional e encorajaram Pequim a melhorar a transparência das suas Forças
Armadas e a cooperar no controlo de armas, apelando à paz e à estabilidade no
Estreito de Taiwan.
O líder da NATO disse aos jornalistas que a China tem vindo
a realizar um grande esforço militar, procurando controlar tecnologias-chave,
infraestruturas críticas e cadeias de abastecimento, continuando a realizar
"atividades desestabilizadoras" no Indo-Pacífico.
Rutte elogiou as contribuições do Japão para apoiar a
Ucrânia na guerra contra a Rússia e congratulou-se com a disponibilidade de Tóquio para participar num comando da
NATO para apoiar a Ucrânia, expressa pelo ministro da Defesa
japonês, Gen Nakatani, na terça-feira.
A Assistência de Segurança e
Treino da NATO para a Ucrânia (NSATU) tem sede numa base militar dos EUA em
Wiesbaden, na Alemanha.
Rutte explicou que a NSATU “ajuda a Ucrânia a lutar hoje,
mas também a fortalecer as suas Forças Armadas para o amanhã”.
Os detalhes da participação do Japão ainda têm de ser
discutidos, mas não se espera que a Força de
Autodefesa Japonesa, se for posicionada, envolva papéis combativos devido aos princípios pacifistas do país no
pós-guerra.
Fonte: Lusa, 9 de abril de 2025


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