Jogo "No Mercy": Movimento Democrático de Mulheres faz queixa ao Ministério Público
O
Movimento Democrático de Mulheres (MDM) sustenta que o conteúdo do videojogo
constitui "uma grave incitação à violência contra as mulheres,
normalizando práticas de ódio e discriminação que violam princípios
constitucionais e legais fundamentais"
O Movimento Democrático de Mulheres vai apresentar queixa ao
Ministério Público e junto da Comissão para a Igualdade de Género contra os autores do jogo "No Mercy", que desafia os utilizadores
a tornarem-se no "pior pesadelo das mulheres".
Em comunicado, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM)
defende que o videojogo "promove a
violência sexual e misoginia" e exige, por isso, que as
plataformas tecnológicas sejam responsabilizadas.
Nesse sentido, o MDM "avança com participação junto da
Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e da Procuradoria-Geral
da República, com vista à responsabilização dos autores e à salvaguarda dos
direitos fundamentais das mulheres".
"Grave incitação à violência contra as
mulheres"
Sustenta que o conteúdo do videojogo constitui "uma
grave incitação à violência contra as mulheres, normalizando práticas de ódio e
discriminação que violam princípios constitucionais e legais
fundamentais".
"A existência de jogos como "No Mercy",
recentemente disponível na plataforma "Steam", é reveladora de uma cultura que alimenta e normaliza a
violência sexual contra as mulheres e raparigas, e com ela lucra
economicamente.
O jogo deixou de estar disponível na Steam Portugal a partir
desta sexta-feira, depois de ter sido retirado pela Zerat Games.
Na opinião do MDM, o mundo vive atualmente "num sistema
económico que transforma tudo em lucro" e que "não hesita em disseminar conceções que objetificam,
mercantilizam e violentam as mulheres, ignorando e violando valores
e direitos humanos fundamentais".
"O referido 'jogo', apesar de não usar a palavra
'violação' de forma explícita, constrói uma narrativa centrada na coação, na
promoção da violação e na objetificação violenta das personagens femininas.
Frases como 'nunca aceites um não como resposta' e 'torna-te no
pior pesadelo de qualquer mulher' são suficientes para compreender a
gravidade deste conteúdo profundamente misógino", apontou o MDM.
A associação refere que não é caso único e que esta lógica
de lucro através da promoção da violência sexual "alimenta o lucro de
plataformas tecnológicas", atacando a integridade, dignidade e segurança
das mulheres.
"É preciso deixar de compactuar com os gigantes
tecnológicos. Quem promove, aloja ou lucra com conteúdos que alimentam a
violência contra as mulheres deve ser responsabilizado, sem exceções",
defende o MDM.
Acrescenta que só a indignação não basta e defende, por
isso, que as entidades competentes tomem as medidas adequadas para interromper
a proliferação de conteúdos que promovem e banalizam a violência contra as
mulheres.
Querem também a responsabilização das plataformas digitais
que alojam, divulgam e lucram com este tipo de conteúdos, e uma resposta
institucional firme, que proteja as raparigas e mulheres.
Conteúdos "perturbadores"
O Centro Nacional de Exploração Sexual dos Estados Unidos
(NCOSE) pediu na quarta-feira a retirada global do videojogo No Mercy
devido a conteúdos "perturbadores".
O jogo estava na quinta-feira disponível na plataforma
portuguesa, por 11,79 euros.
O NCOSE instou a Steam a removê-lo da sua plataforma,
alertando que "promove violência sexual
explícita, incesto, chantagem e dominação masculina, incentivando
explicitamente os jogadores a se envolverem em atos não consensuais e
comportamento misógino".
Fonte: SIC Notícias, 11 de abril de 2025



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