Perda potencial da pirataria em Portugal em níveis "alarmantes" e a precisar de ser combatida
O.P.J.
Pacific Sud (2019) - Yaëlle Trules, Alexandre Varga
Em
quase 300 mil lares acede-se indevidamente a serviços digitais. E um em cada três jovens entre os 15 e os 24 anos
transmitem ou consomem pirataria. É uma das taxas mais elevadas na
União Europeia. Associação diz ser "grave" e pede para que seja
combatida como acontece já em outros países
O acesso ilegal a serviços de telecomunicações está a
penalizar o setor. E a Apritel – Associação dos Operadores de Comunicações
Eletrónicas, que agrupa os mais relevantes operadores de comunicações
eletrónicas a operar em Portugal, apela a que
haja um combate eficaz a este fenómeno, que estima ter um impacto de 250 milhões de euros.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Apritel, Pedro Mota Soares, afirma que a pirataria
"é uma situação grave em Portugal". E defende a existência de
mecanismos eficazes de combate a este fenómeno. Um tema que Apritel quer
colocar na agenda política já há alguns anos. E para o qual volta a fazer
alertas no Dia Mundial da Propriedade Intelectual, este sábado.
De acordo com dados internacionais, citados pela Apritel, no mercado português
"cerca de 288 mil lares acedem
por mês indevidamente a serviços digitais, a serviços audiovisuais que
deviam ser pagos e IPTV ilegais, especialmente com uma maior incidência no caso
dos jovens".
Mas há mais números. A Apritel diz que "cerca de 35%
das pessoas entre os 15 e os 24 anos ou transmitem ou consomem pirataria".
É uma das taxas mais elevadas na União Europeia: a quarta mais elevada".
Esta situação tem uma consequência que Pedro Mota Soares
classifica de "alarmante".
"A pirataria representa uma perda potencial de 250 milhões de
euros para a economia nacional, de acordo com dados do governo
atualizados ao valor da inflação", salienta. Salientando que ela destrói
valor em Portugal.
"Quando nós olhamos para o que está a acontecer lá
fora, percebemos que hoje muitos países estão a tomar medidas para poderem
combater este fenómeno", prossegue, referindo que "é preciso
sensibilizar os utilizadores", o que a Apritel, associação que representa
os operadores, tem vindo a fazer.
"É preciso penalizar a
difusão, os grandes piratas, mas também é preciso dar um passo que
está a ser feito lá fora e ainda não está a ser feito em Portugal, nomeadamente
fazendo uma advertência aos consumidores e até
admitindo a aplicação de sanções", salienta o secretário-geral
da Apritel.
Seguir o exemplo europeu
Vários países a nível europeu, Alemanha, Espanha, França,
Grécia, Dinamarca e Itália, "já têm hoje sistemas eficazes, sistemas que
têm exatamente também esta advertência e esta sanção, o que se chama muitas
vezes sistemas
de 'cease and desist' [parar e
desistir]".
Portugal "ainda não os tem e está comprovado que os
países que já têm estes mecanismos estão a ser mais capazes, ao permitir que
este dinheiro não fuja da economia". Não só
sai dinheiro, como se perdem postos de trabalho por causa da pirataria.
"Por isso mesmo penso que este dia 26 é um dia
interessante também para podermos fazer uma reflexão e perguntarmos porque é
que em Portugal também não se avança com estes mesmos mecanismos que devem
estar sempre no controlo do Estado, no controlo das entidades do próprio
Estado, das inspeções gerais, dos serviços que têm esta capacidade de o
fazer", aponta.
Pedro Mota Soares salienta que a pirataria "retira valor
da economia portuguesa, destrói empregos, diminui a capacidade de produção
cultural, a capacidade de produção desportiva, diminui o pluralismo do
jornalismo, o pluralismo político, destrói muitos empregos de pessoas concretas,
de portugueses concretos".
Riscos para a cibersegurança
Além disso, alerta, "é importante também realçar que
muitas pessoas que consomem esta pirataria estão a pôr os seus equipamentos em
risco".
Para se ter a noção "bastam 71 segundos, pouco mais do
que um minuto, para que alguém que utilize, vá a um site ilegal, que utilize um
'streaming' ilegal, possa estar a contaminar o seu computador, o seu telemóvel
com 'malware' que depois se pode virar contra as próprias pessoas".
Por isso, a pirataria é igualmente um tema de
cibersegurança, que também é um facto "muito relevante".
Fonte: Expresso, 26 de abril de 2025

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