Banquete - Revista Portuguesa de Culinária
Revista, mensal, propriedade da Cidla. O n.º 1 saiu em março de 1960, dirigido por Maria Emília Cancela de Abreu. O n.º 176 - o último - foi publicado em dezembro de 1977
Banquete, Nº 79, setembro 1966
O Clube das Donas de casa elege a Mulher Ideal Portuguesa de 1966, numa cerimónia realizada no Restaurante Folclore. A concorrente Magda Carol Magalhães Abreu foi eleita por unanimidade por um júri que incluía Marisabel de Sousa, diretora do clube e da revista Donas de Casa; a perita em decoração Helena Correia de Barros; e Leonel Coelho, diretor do restaurante. Magda ia representar Portugal na disputa do título Mulher Ideal Europeia de 1966, em Itália.
Nas imagens: o júri; as cinco finalistas, Magda Carol de G.
Abreu, Elsa Isabel Vaz Moreira, Maria Alice de Portugal Guimarães, Maria
Augusta Mendonça Ferreira, e Maria Luísa de Sousa M. da Silva; a mesa de honra,
em que se sentou a embaixatriz da Itália; os pratos que ganharam prémios; e a
vencedora junto à diretora da revista Banquete.
“A nossa candidata que reúne cultura, elegância e
graciosidade, está prestando provas em Montecatini, ciente da responsabilidade
que lhe cabe e não se poupará a esforços para trazer como oferta a todos nós,
mulheres portuguesas, o título de ‘Mulher Ideal Europeia de 1966’.”
Publicada pela Cidla, através do seu Instituto Culinário
homónimo, a Banquete foi editada mensalmente entre 21 de março de 1960 e
abril de 1974. Foi distribuída em Portugal e nas ex-colónias durante 14 anos,
passando a bimensal em junho de 1974, ano em que foi suspensa, após a saída do
volume de outubro/novembro. Em dezembro de 1975 é publicado apenas um volume (n.º
175), com o índice de receitas desde o n-º 1 até ao n-º 174. Parecia ser a
morte definitiva da Banquete. Porém regressa apenas mais uma única vez,
no Natal de 1977. O derradeiro número é dado à estampa três anos depois de a
revista ter sido suspensa (em novembro de 1974).
Propriedade da Sociedade Cidla, criada durante uma
remodelação da Sacor, em 1958, com vista à comercialização de vários tipos de
combustível para aplicação doméstica e industrial (a Gazcidla – gás doméstico),
a Banquete acaba por ser o resultado de uma inteligente jogada de
marketing, destinada a estimular o aumento das vendas de gás butano, fogões e
esquentadores. Vejamos como. A Sacor (antepassado da Petrogal e da atual Galp),
cuja criação da refinaria em Cabo Ruivo, em 1940, garantia a autossuficiência
do país na área do petróleo, cumpria, deste modo, uma das diretivas do Estado
Novo. Terminada a guerra e com a aplicação da nova lei de 1947, que favorecia
quem refinasse em Portugal, a Sacor obtinha do Estado metade do mercado. Em
1958, introduz no mercado a gasolina Super e cria três companhias de gás:
Gazcidla (para o gás butano), a Procidla (para o gás propano) e Lusogás (para o
gás de cidade).
A Gazcidla nasce, assim, em concorrência com a rede de gás
pública e proporciona à emergente classe média das cidades e subúrbios um
módico conforto, com a mobilidade das botijas de gás. Este facto veio
revolucionar a forma como se cozinhava, facilitando a vida da dona de casa,
muitas vezes sem tempo e dividia entre uma cozinha do quotidiano, mais rápida,
e a vida de trabalho. A diretora da Banquete assim o deixa transparecer no seu
editorial de outubro de 1964 (p.3):
“Pensaram alguma vez, as minhas queridas leitoras, o que representa para a nossa vida esta simples e fácil realidade que é escrever um postal ou dar um telefonema requisitando uma garrafa de Gazcidla? Recordam-se o que foram as cozinhas de há 25 anos, com a fumarada do carvão ou da lenha espalhando-se pela casa e enegrecendo as paredes, os tachos e as panelas? E quanto tempo nos levava a acender o lume e a aquecer o fogão? Lembram-se, ainda, da era do fogareiro de petróleo, que também enchia as cozinhas de fumo, do seu ruidoso “bufar”, do característico bombar “fu-fu-fu” para conseguir a desejada pressão, das limpezas que frequentemente tinham de fazer-se às “cabeças” por estarem constantemente entupidas? Como esse tempo, felizmente, vai longe e de que maneira o gaz engarrafado veio facilitar a nossa tarefa de donas de casa!”, em “A influência e contributo da revista Banquete no ressurgimento da Cozinha Portuguesa” de Fátima Iken
A CIDLA – Combustíveis Industriais e Domésticos, Lda. surgiu em 1939 pretendendo dar satisfação a uma política de autossuficiência nos derivados do petróleo: gás, asfaltos e óleos de lubrificação.
















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