Barriga cresce com a idade e a ciência descobriu o motivo
Perry Mason
(1957-1966) – Mala Powers, Robert Rockwell
Se alguma vez se questionou porque é que a barriga parece
crescer com o passar dos anos — mesmo que o peso na balança se mantenha estável
— a resposta pode estar nas células estaminais
do seu próprio corpo. Assim vamos explicar-lhe o motivo pelo qual a
barriga cresce com a idade. Isto de acordo com a ciência.
Novas investigações em ratos e tecidos humanos revelam que o
envelhecimento ativa células estaminais adultas
específicas, programadas para produzir mais células de gordura, especialmente
na zona abdominal. Estas células, conhecidas como pré-adipócitos comprometidos
(CP-As), foram encontradas no tecido adiposo branco — o tipo de gordura que
tende a aumentar com a idade e que está fortemente associado a riscos
metabólicos.
Ao contrário do que se poderia pensar, este processo pode
ocorrer mesmo sem alterações nos hábitos alimentares ou no nível de exercício
físico. A explicação parece estar nos próprios mecanismos internos do corpo.
Nos indivíduos mais jovens, as células estaminais só geram gordura quando
estimuladas por certos fatores, como o stress. No entanto, com o
envelhecimento, algumas destas células tornam-se naturalmente mais ativas,
produzindo gordura de forma contínua.
Os investigadores demonstraram que, ao transplantar células
estaminais de ratos jovens para ratos mais velhos, estas não geravam novas
células de gordura. Isso sugere que não é o ambiente externo a ditar o aumento
da gordura abdominal, mas sim uma transformação biológica ligada ao
envelhecimento.
Além disso, descobriu-se que o processo pode estar
relacionado com a acumulação de células imunitárias no tecido adiposo e com
alterações em vias de sinalização específicas, como a do recetor LIFR (Leukemia
Inhibitory Factor Receptor), que incentiva estas células a multiplicarem-se.
Embora o estudo em humanos tenha incluído apenas cinco
participantes (quatro homens e uma mulher), os resultados preliminares parecem
alinhar-se com os obtidos em ratos. Ainda assim, os investigadores sublinham a
importância de análises mais abrangentes e diversificadas para confirmar esta
ligação.
Até lá, o melhor conselho continua a ser manter um estilo de
vida ativo. A prática regular de exercício físico pode ajudar a contrariar os
efeitos metabólicos do envelhecimento e a limitar o aumento da gordura
abdominal.
Compreender o papel destas células na regulação do
metabolismo poderá abrir portas a novas estratégias médicas para combater o
excesso de gordura, melhorar a saúde metabólica e, quem sabe, aumentar a
longevidade.
Fonte: Leak, 1 de maio de 2025

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