China sugere que vírus da covid-19 "pode ter surgido mais cedo" nos EUA
Shetland (2013) – Alison O'Donnell (dentro do carro do meio)
Conselho
de Estado da China publicou um livro sobre a origem da pandemia, defendendo a
transparência do regime de Pequim
O Conselho de Estado da China (Executivo) publicou esta
quarta-feira um livro branco sobre a origem da pandemia de covid-19 no qual
defende a transparência de Pequim e sugere que o vírus "pode ter surgido
mais cedo" nos Estados Unidos.
A publicação, divulgada pela imprensa estatal chinesa,
inclui dois capítulos dedicados às contribuições da China para o estudo da
origem do SARS-CoV-2 e para a luta global contra a pandemia, e um terceiro
centrado na resposta "mal gerida" dos EUA à crise sanitária,
sobretudo nos primeiros meses.
O surto da pandemia coincidiu com o último ano do primeiro
mandato de Donald Trump, que, após regressar à Casa Branca em janeiro, lançou
uma guerra comercial global sem precedentes, com a China como principal alvo.
Pequim alegou ter cooperado com a Organização Mundial da
Saúde (OMS) no estudo das origens do vírus "com um forte sentido de
responsabilidade global e transparência" e criticou no relatório os
Estados Unidos como "um elo fraco na governação global da saúde".
No documento citam-se vários
estudos que descartam a hipótese de a cidade de Wuhan - onde o SARS-CoV-2 foi
inicialmente detetado - ter sido a origem do vírus, considerando
"extremamente improvável" que este tenha escapado de um laboratório
local.
O Instituto de Virologia de Wuhan, estabelecido em 1956, é
uma instalação classificada com o nível mais alto de risco biológico onde se
estudam, entre outros, vírus do mesmo tipo do SARS-CoV-2.
Pequim acusa Washington de a usar como "bode
expiatório" para "tentar desviar atenções"
Pequim acusou Washington de estigmatizar a China, fazendo
dela um "bode expiatório", e de "tentar desviar atenções"
ao politizar a questão da origem do vírus.
No documento, alega-se que há
indícios de uma possível circulação do vírus nos EUA antes da sua deteção
oficial em Wuhan.
Entre esses indícios, são mencionados surtos de pneumonia e
gripe em vários estados norte-americanos em 2019, casos de doenças
pulmonares associadas ao uso de cigarros eletrónicos, estudos
serológicos realizados por instituições dos EUA e "incidentes" documentados entre 2006 e 2020 em
laboratórios que manipulam coronavírus e outros agentes patogénicos.
"Deve ser conduzida uma investigação aprofundada sobre
as origens do vírus nos Estados Unidos", lê-se no livro branco, que apela
a Washington para dar "uma resposta responsável" à comunidade
internacional face a esta "preocupação razoável".
OMS apela a uma maior
transparência à origem da doença
A publicação surge quase cinco meses depois de a OMS, no
quinto aniversário do início da pandemia, ter renovado o apelo a uma maior
transparência relativamente à origem da doença.
"Continuamos a apelar à China para que partilhe dados e
permita o acesso necessário para compreendermos as origens da covid-19. Este é
um imperativo moral e científico. Sem transparência e cooperação entre países,
o mundo não estará preparado para futuras epidemias e pandemias", afirmou
a agência de saúde num comunicado.
Missões da OMS visitaram a China por duas vezes com o
objetivo de apurar a origem da doença. Especialistas reconhecem que todas as
hipóteses continuam em aberto, incluindo a de uma eventual fuga laboratorial ou
a hipótese de uma transmissão do vírus para humanos a partir de outras espécies
animais.
Fonte: Lusa, 30 de abril de 2025
Em 2019, os Estados Unidos enfrentaram uma temporada de gripe particularmente severa, com surtos significativos em diversos estados. Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), até dezembro de 2019, a gripe estava disseminada em 23 estados, incluindo Nova Iorque, Califórnia, Texas e Washington. A atividade gripal era especialmente elevada em estados como Alabama, Geórgia, Mississippi, Nebrasca, Carolina do Sul, Tennessee, Texas e Washington.
Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) estimam que, a 4 de abril de 2020, a época da gripe de 2019-2020 nos Estados Unidos causou 39 a 56 milhões de doenças gripais, 410 000 a 740 000 hospitalizações e 24 000 a 62 000 mortes. Em janeiro de 2020, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas, dr. Anthony Fauci, esperava que a época gripal de 2019-2020 fosse uma das piores em vários anos, pelo menos tão grave como a época de 2017-2018. Na terceira semana de fevereiro, a gripe sazonal estava perto do seu pico, com mais de 26 milhões de pessoas doentes, 250 000 hospitalizadas e 14 000 que morreram. Os especialistas disseram que a gripe veio em duas vagas, com um forte impacto nas crianças. A época começou em outubro, mais cedo do que o habitual, com a esperada vaga do vírus influenza B. O número de crianças que morreram, 105, foi maior no final de fevereiro do que em qualquer outra estação dos últimos dez anos, com cerca de 67% associadas aos vírus influenza B. A segunda vaga surgiu com o influxo de vírus influenza A, como o H1N1. De acordo com as estimativas preliminares dos encargos para a época de gripe de 2019-2020 (1 de outubro de 2019 a 4 de abril de 2020), registaram-se entre 39 e 56 milhões de casos de gripe; 18-26 milhões de consultas médicas; 410 000 a 740 000 hospitalizações e entre 24 000 e 62 000 mortes.
Fonte: Wikipédia
Incidentes com Coronavírus
Na Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill, entre janeiro de 2015 e junho de 2020, foram reportados 28 incidentes laboratoriais envolvendo organismos geneticamente modificados, dos quais seis relacionados com coronavírus criados em laboratório. Exemplos incluem:
Agosto de 2015: Dois investigadores foram monitorizados após um rato infetado com um coronavírus associado ao SARS escapar momentaneamente durante uma experiência.
Novembro de 2015: Dois trabalhadores foram potencialmente expostos a um coronavírus do tipo MERS após a queda de uma gaiola com ratos infetados, libertando partículas no ar.
Fevereiro de 2016: Um rato infetado mordeu o dedo de uma investigadora através de duas camadas de luvas, levando a medidas de precaução e monitorização.
Abril de 2020: Um cientista foi colocado em quarentena após ser mordido por um rato infetado com uma variante do SARS-CoV-2 adaptada para ratos, embora não tenha desenvolvido sintomas.
Estes incidentes foram reportados às autoridades competentes, e medidas corretivas foram implementadas conforme necessário.
Outros Incidentes Significativos
Além dos casos relacionados com coronavírus, outros incidentes notáveis incluem:
2014: O CDC em Atlanta expôs acidentalmente 86 trabalhadores ao antraz devido a falhas nos protocolos de inativação antes do envio de amostras para laboratórios de menor segurança.
2014: O envio inadvertido de amostras de vírus H5N1 da gripe aviária para um laboratório do Departamento de Agricultura dos EUA, resultando em preocupações sobre contaminação cruzada.
2014: Descoberta de seis frascos contendo o vírus da varíola, datados da década de 1950, num armazém da FDA no campus dos Institutos Nacionais de Saúde, levantando questões sobre o armazenamento seguro de agentes patogénicos.
2015: O laboratório do Exército dos EUA em Dugway, Utah, enviou acidentalmente amostras vivas de antraz para nove estados e para a Coreia do Sul, devido a procedimentos inadequados de inativação.
Casos de doenças pulmonares associadas ao uso de cigarros eletrónicos
Entre 2006 e 2020, os Estados Unidos registaram um aumento significativo de doenças pulmonares associadas ao uso de cigarros eletrónicos, culminando num surto nacional em 2019 conhecido como EVALI (e-cigarette or vaping product use-associated lung injury).
Dados Epidemiológicos
Até dezembro de 2019, o CDC (Centros de Controlo e Prevenção de Doenças) reportou:
2561 casos hospitalizados de EVALI em todos os 50 estados, incluindo o Distrito de Columbia e
55 mortes confirmadas em 27 estados e no Distrito de Columbia.
A maioria dos pacientes era do sexo masculino (cerca de 70%) e com menos de 35 anos, com uma idade mediana de 23 anos.
Causas Prováveis
As investigações identificaram o acetato de vitamina E como um aditivo fortemente associado aos casos de EVALI. Este composto foi encontrado em amostras de fluido pulmonar de pacientes afetados.
Além disso, muitos casos estavam ligados ao uso de produtos de vaping contendo THC provenientes de fontes informais, como as marcas falsificadas "Dank Vapes”.
Perfil dos Pacientes
Entre os pacientes com informações disponíveis sobre as substâncias utilizadas:
78% relataram o uso de produtos contendo THC.
31% usaram exclusivamente produtos com THC.
58% usaram produtos contendo nicotina.
10% usaram exclusivamente produtos com nicotina.
Evolução do Surto
O número de casos de EVALI atingiu o pico em meados de setembro de 2019, com uma diminuição gradual nas semanas seguintes. Esta tendência sugere que as medidas de saúde pública e o aumento da conscientização contribuíram para a redução dos casos.

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