EUA vão começar a revogar "agressivamente" vistos de estudantes chineses
Perry Mason (1957-1966) – Lurene Tuttle
O
secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou hoje que os Estados
Unidos vão começar a revogar "agressivamente" os vistos de estudantes
chineses, incluindo os que têm ligações ao Partido Comunista Chinês ou estudam
em áreas crítica
Num curto comunicado, o Departamento de Estado afirma que
"sob a liderança do presidente" Donald Trump, "trabalhará com o
Departamento de Segurança Interna para revogar agressivamente os vistos de
estudantes chineses, incluindo aqueles com ligações ao Partido Comunista Chinês
ou que estudam em áreas críticas.
"Também analisaremos os
critérios de visto para melhorar o escrutínio de todos os futuros pedidos de
visto da República Popular da China e de Hong Kong", adianta o
Departamento liderado por Rubio.
A Universidade de Harvard contestou judicialmente na semana
passada a decisão do executivo Trump de a proibir de matricular estudantes
estrangeiros, considerando-a uma vingança política.
Numa ação judicial interposta num tribunal federal de
Boston, a universidade alega que a medida viola a Primeira Emenda da
Constituição e terá um "efeito imediato e devastador para Harvard e para
mais de 7000 titulares de vistos".
"Com uma simples
assinatura, o governo tenta eliminar um quarto do corpo estudantil de Harvard -
estudantes internacionais que contribuem significativamente para a universidade
e para a sua missão", escreveu a instituição no processo.
Harvard informou que planeia apresentar uma providência
cautelar para impedir o Departamento de Segurança Interna de aplicar as novas
regras, que impedem a inscrição de estudantes estrangeiros naquela universidade
e obriga os atuais alunos estrangeiros a pedir a transferência.
A administração republicana liderada por Trump justificou a
decisão acusando Harvard de criar um ambiente inseguro no campus ao permitir que "agitadores antiamericanos e
pró-terroristas" ataquem estudantes judeus, e também de se coordenar com o Partido Comunista Chinês,
alegando que a universidade acolheu e treinou membros de um grupo paramilitar
chinês.
Na terça-feira, Rubio ordenou às embaixadas dos Estados
Unidos que suspendam entrevistas para emissão de vistos a estudantes
estrangeiros, até expansão da "verificação de antecedentes" e análise das
redes sociais dos candidatos.
"Com efeito imediato, em preparação para a expansão da
análise das redes sociais e da verificação de antecedentes, as secções
consulares não devem adicionar mais marcações para vistos de estudante ou de
intercâmbio estudantil até que sejam emitidas novas diretrizes", afirma o
secretário de Estado Marco Rubio numa diretiva citada pela agência
Bloomberg.
De acordo com o site noticioso Politico, a ordem poderá
atrasar significativamente o processamento dos vistos de estudante,
prejudicando muitas universidades que dependem das receitas de matrículas e
propinas de estudantes estrangeiros.
Em meados de abril, e no âmbito de uma ação repressiva
contra os protestos pró-palestinianos nos campus universitários
norte-americanos, o The New York Times noticiou que o executivo de
Donald Trump tinha ordenado aos funcionários que analisassem as contas das
redes sociais de alguns requerentes de vistos.
A administração tinha anteriormente imposto alguns
requisitos de rastreio das redes sociais, mas estes destinavam-se em grande
parte a estudantes que regressavam ao país e que podiam ter participado em
protestos contra as ações de Israel em Gaza.
Sob acusação de apoio ao movimento palestiniano Hamas,
considerado terrorista por Washington, ou de antissemitismo, vários estudantes
foram detidos e submetidos a processos de deportação ou impedidos de regressar
ao país, depois de serem cancelados os seus vistos.
Fonte: Lusa, 29 de maio de 2025

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