Israel ameaça anexar partes da Cisjordânia se for reconhecido Estado palestiniano
Perry Mason
(1957-1966) – Raymond Burr, Barbara Hale
O ministro dos Assuntos Estratégicos israelita, Ron Dermer,
ameaçou na segunda-feira que Israel anexará
territórios da Cisjordânia se o Reino Unido e a França, entre outros países,
reconhecerem o Estado palestiniano.
Numa conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros
francês, Jean-Noël Barrot, Dermer avisou que Israel tomará medidas unilaterais
como a legalização de colonatos não autorizados e a anexação de partes
da Área C da Cisjordânia, o maior dos três setores administrativos em que o
território foi dividido na sequência dos Acordos de Oslo, assinados como
temporários e nunca implementados.
Segundo
os acordos assinados em 1993, a zona referida por Dermer ficava sob
administração israelita, enquanto a zona B sob o controlo administrativo da
Autoridade Palestiniana e controlo militar israelita, sendo a zona A
administrada exclusivamente pela Autoridade Palestiniana.
Dermer fez estas declarações em resposta a um potencial
reconhecimento internacional do Estado palestiniano na cimeira de Nova Iorque,
que será copresidida por França e Arábia Saudita no próximo dia 18 de junho,
segundo o diário israelita Haaretz.
O ministro Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar,
terá feito avisos semelhantes sobre possíveis “medidas unilaterais”, numa
reação a posições tomadas por Barrot, assim como pelo homólogo britânico, David
Lammy, e outros países, segundo informações do diário israelita Israel Hayom,
confirmadas pelo Haaretz.
O chefe da diplomacia britânica disse no mês passado que
Londres estava em conversações com Paris sobre a possibilidade de
reconhecimento do Estado palestiniano, embora tenha salientado que o Reino
Unido só apoiaria tal decisão se esta tivesse consequências tangíveis.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou esta segunda-feira numa publicação
na rede social X, após uma conversa telefónica com o presidente da Autoridade
Palestiniana, Mahmoud Abbas, que “a União
Europeia continua a apoiar firmemente uma solução baseada na existência de dois
Estados e aguarda com expectativa
a conferência das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque no próximo mês de
junho”.
O ministro Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, afirmou também esta
segunda-feira que Portugal mantém "sempre em avaliação" a
possibilidade de reconhecer o Estado da Palestina.
Numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo alemão,
Johann Wadephul, o chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que a posição de
Lisboa relativamente ao reconhecimento do Estado palestiniano está em
permanente avaliação.
“A nossa posição quanto a um reconhecimento está espelhada
numa doutrina que eu repeti variadíssimas vezes no Parlamento, e que significa
que é algo que está sempre em avaliação e que é conversado com os nossos
parceiros, quer com aqueles que já reconheceram o Estado da Palestina, quer com
aqueles que entendem que é preciso haver outros passos para que esse
reconhecimento tenha lugar”, afirmou.
Para Paulo Rangel, essa doutrina “não se alterou” e, apesar
de a realidade ser algo dinâmica, isto não significa que não venha a implicar,
a dado momento, o passo de reconhecimento do Estado da Palestina.
Fonte: CNN Portugal, 27 de maio de 2025

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