Lagarde preparou saída antecipada do BCE para WEF

Perry Mason (1957-1966) – June Vincent, William Talman

A presidente do BCE, Christine Lagarde, terá estado pessoalmente envolvida num plano para sair da autoridade monetária antes do final do mandato e suceder a Klaus Schwab na liderança do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla original). A revelação foi feita ao Financial Times pelo próprio Klaus Schwab, fundador do WEF e que até há poucas semanas era presidente da instituição que organiza os encontros de Davos, entre outras iniciativas.

Schwab, que saiu do WEF muito pressionado por alegações de assédio sexual e outras condutas impróprias (que o próprio nega), disse ao Financial Times que “há vários anos” Christine Lagarde está no centro de um plano para suceder ao fundador na presidência do WEF. E os dois, garante Klaus Schwab, tiveram vários encontros para preparar essa transição – que envolveria a francesa sair do BCE antes do fim do mandato (que termina no final de 2027).

Lagarde esteve ativamente envolvida nesses preparativos, tendo o último encontro sido no início de abril, quando Klaus Schwab voou até Frankfurt para se encontrar com a presidente do BCE “para conversar sobre a transição de liderança [no WEF]”. O plano era Klaus Schwab, que tem 87 anos, ficar até “início de 2027, no máximo” e passar o testemunho à francesa que, antes de ser líder do BCE, foi diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ministra das Finanças de França.

Chegou, mesmo, a ser reservado um luxuoso apartamento, na Suíça, para que Christine Lagarde pudesse lá viver nos períodos em que estivesse no país. Aliás, parte da polémica em torno de Klaus Schwab está relacionada com a alegada utilização desse apartamento – no condomínio Villa Mundi, propriedade do WEF – por membros da família do fundador. Schwab defendeu-se dizendo que aquele apartamento não era para si mas, sim, para Lagarde.

Todos estes planos de sucessão terão sido, porém, perturbados pelas alegações de conduta imprópria – incluindo assédio sexual e bullying laboral – que levaram à saída de Klaus Schwab da instituição, anunciada a 21 de abril com efeitos imediatos.

BCE garante “empenho” de Lagarde na conclusão do mandato

Minutos depois da publicação da notícia pelo Financial Times, um porta-voz do BCE garantiu que Christine Lagarde tem – e sempre teve – “todo o empenho” em concluir o seu mandato de oito anos (não-renovável) na liderança do banco central. Esse mandato termina a 31 de outubro de 2027, ou seja, faltam ainda mais de dois anos.

“A presidente sempre teve todo o empenho em cumprir a sua missão e está determinada a concluir o seu mandato”, informou fonte oficial do BCE, citada pela Reuters e outras agências noticiosas. O Fórum Económico Mundial, por seu lado, disse que “não estava em condições de comentar possíveis discussões confidenciais que possam ter ocorrido entre o nosso ex-presidente e a Madame Lagarde”.

Klaus Schwab, de quem também se suspeita que terá desviado fundos do WEF para membros da sua família, diz que mantém o desejo de que Lagarde possa tomar as rédeas da instituição que criou. “O meu medo é que, se isto continuar e pairar sobre a organização sem uma solução, Christine Lagarde não assuma a presidência”, disse Klaus Schwab. “Não quero perdê-la. Quero garantir que o que foi construído aqui… não seja destruído”, afirmou.

Fonte: Observador, 28 de maio de 2025

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