Merz exclui a possibilidade de uma dívida comum permanente a nível da EU
O.P.J.
Pacific Sud (2019) - Antoine Stip, Nathan Dellemme
Friedrich Merz, o novo chanceler federal da Alemanha, trouxe
uma mensagem inequívoca na sua primeira visita a Bruxelas desde que
assumiu o cargo.
"Não pode tornar-se regra endividarmo-nos a nível da
UE", declarou.
Em conferências de imprensa separadas com Ursula von der
Leyen, a presidente da Comissão Europeia, e António Costa, o presidente do
Conselho Europeu, o líder alemão não deixou dúvidas quanto à sua opinião sobre
a emissão de dívida
partilhada pelos 27 Estados-membros, como o bloco fez em 2020 para criar o
fundo de recuperação da covid-19 de 750 mil milhões de euros.
Desde essa experiência
pioneira, um grupo crescente de países tem levantado a ideia de repetir o modelo
para angariar fundos para a miríade de desafios que a Europa enfrenta
atualmente, incluindo a perda gradual de competitividade, a luta contra as
alterações climáticas, a eliminação progressiva dos combustíveis energéticos
russos e, mais recentemente, o aumento das despesas militares.
No início de março, von der Leyen revelou o plano
"Prontidão 2030", que prevê um investimento de 800 mil milhões de
euros no rearmamento da UE e no reforço da capacidade de dissuasão. O plano
envolve 150 mil milhões de euros em empréstimos a juros baixos, que serão
reembolsados apenas pelos Estados-membros que os solicitarem. O resto do
dinheiro deverá ser obtido através de uma flexibilização temporária das regras
fiscais e de novas iniciativas com o setor privado.
Esta sexta-feira, Merz defendeu a necessidade de recorrer aos
mercados financeiros para aumentar as despesas militares, mas
advertiu contra o alargamento da abordagem a outros domínios políticos. Antes
de assumir o cargo, o líder conservador liderou uma emenda constitucional para
isentar as despesas com defesa e segurança acima de 1% do PIB do chamado
"travão da dívida" na Alemanha.
"Estamos a enfrentar crises e desafios em todo o mundo
que se estão a tornar mais permanentes e que não podem ser utilizados como base
para uma dívida europeia comum permanente", afirmou o chanceler, ao lado
de Costa.
Mais tarde, com von der Leyen, fez eco da sua mensagem
anterior.
"Pode haver circunstâncias excecionais, como durante a
pandemia de covid. E outra situação em que nos
encontramos atualmente é o reforço das nossas capacidades de defesa",
afirmou. "Mas deve continuar a ser uma exceção para a União Europeia
endividar-se".
Merz também manifestou a sua preocupação relativamente ao peso que a continuação da despesa pública poderá ter nos Estados-membros, alguns dos quais já ultrapassam o rácio de 100% da dívida em relação ao PIB.
"Pergunto-me até que
ponto o refinanciamento, não só da dívida, mas também das taxas de juro, será
possível. Não podemos entrar em espirais intermináveis de dívida",
disse.
"O que temos de fazer é procurar soluções conjuntas,
mas não se trata apenas de uma questão de
dinheiro. É também uma questão de eficiência", acrescentou, apelando à
simplificação regulamentar, à normalização e às economias de escala como
métodos alternativos.
O debate em torno da dívida começará a todo o vapor quando a
Comissão apresentar a sua proposta para o orçamento da UE 2028-2032, que
introduzirá uma nova verba para pagar a dívida acumulada do fundo de recuperação da
covid. Estima-se que os reembolsos
sejam consideráveis, variando
entre 13 mil milhões e 15 mil milhões de euros por ano até 2058.
A apresentação da Comissão, prevista para antes do final
deste ano, irá desencadear um debate prolongado, complexo e provavelmente
explosivo entre os Estados-membros.
A Espanha, por
exemplo, apresentou uma proposta ambiciosa para aumentar o orçamento do
bloco dos atuais 1,2 mil milhões de euros para 2 mil milhões de euros,
utilizando a dívida comum como instrumento. Entretanto, os Estados Bálticos, a Polónia e a Grécia pediram
subsídios para financiar as despesas com a defesa. Ao contrário dos
empréstimos concebidos por von der Leyen, essas subvenções seriam pagas
coletivamente.
A Finlândia e a Dinamarca,
duas nações tradicionalmente frugais, mudaram de velocidade para adotar uma
posição mais flexível, argumentando que a postura agressiva da Rússia merece
uma nova forma de pensar. Em contrapartida, os Países
Baixos insistem na sua linha
vermelha de longa data: não a mais dívida comum.
A quadratura do círculo só será possível quando a Alemanha e
a França, as maiores economias da UE, chegarem a um consenso. Paris tem apelado
frequentemente a soluções inovadoras para o orçamento da UE, ao mesmo tempo que
se esforça por conter o aumento da sua dívida.
"Vai ser uma discussão difícil. Haverá diferenças de
opinião", admitiu Merz. "Nem sempre há acordo entre a Alemanha e a
França, mas vamos sentar-nos e falar sobre estes temas".
A visita de Merz a Bruxelas coincidiu com o Dia da Europa.
Fonte: Euronews, 9 de maio de 2025
Nasceu mais um líder pantomineiro na Europa dos títeres. A metáfora da Europa dos títeres é apropriada para descrever um continente onde muitos líderes políticos parecem ser manipulados por forças externas ou interesses ocultos, mais do que conduzir o destino das suas nações de forma independente. Os "títeres" podem ser tanto os próprios políticos, que, em busca de poder, cedem a pressões de grupos de interesse, como também os cidadãos, que muitas vezes se sentem impotentes diante de um sistema político que mais serve aos interesses dos poderosos do que ao bem comum.
Os líderes pantomineiros são frequentemente produtos dessa dinâmica. Eles podem parecer ter o controlo da cena, mas na realidade, são controlados por marionetistas invisíveis, como grandes corporações, interesses financeiros ou mesmo entidades internacionais ou governos estrangeiros. O poder que exibem é ilusório, um mero jogo de aparências para manter as massas distraídas, enquanto as verdadeiras decisões políticas são tomadas nos bastidores. Esses líderes, com a sua capacidade de entreter e manipular, são os astros de uma política cada vez mais focada no domínio global e menos nas questões substanciais que afetam a vida dos cidadãos. É a democracia moderna.

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