Netanyahu admite que Israel está a chegar a "uma linha vermelha" devido às imagens da fome em Gaza

Absolute Power (1997) - E.G. Marshall

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, admitiu que Israel está a "chegar a uma linha vermelha", depois de vários senadores e aliados terem dito que não é possível tolerar as imagens da fome em Gaza.

Numa mensagem vídeo partilhada por Netanyahu, o líder israelita diz que os "maiores amigos do mundo" de Israel não conseguem "aceitar as imagens de fome" em massa que surgem de Gaza e que não apoiaram Israel caso isso continue. O primeiro-ministro israelita não especifica qual a nacionalidade dos países envolvidos.

"Para alcançar a vitória, nós temos de resolver este problema de alguma forma", admitiu Netanyahu.

Fonte: CNN Portugal, 19 de maio de 2025

Na pior das hipóteses os políticos americanos estão a apertar o povo eleito para receberem mais dinheiro através do motor de corrupção moderna, o lobbying.

Como explica Lawrence Lessig (2011), os mecanismos de influência política nos EUA funcionam como uma “economia dependente de contribuições”, onde o acesso à tomada de decisão é mediado por contribuições financeiras que, embora legais, distorcem gravemente o princípio democrático da representação.

"We have created a system of incentives that makes it rational for members of Congress to focus their attention not on their constituents, but on their funders. That system is corruption, not in the criminal sense, but in a more profound and subtle sense: a corruption of the design of our representative democracy itself."

— Lawrence Lessig, Republic, Lost: How Money Corrupts Congress—and a Plan to Stop It (2011, p. 8)

Neste sistema, aquilo que Sheldon Wolin (2008) descreveu como uma inverted totalitarianism — uma forma de dominação onde o poder corporativo controla as estruturas públicas sem precisar suspender a democracia formal — é alimentado precisamente pela normalização do lobbying como ferramenta legítima de influência. Os lobistas, frequentemente antigos políticos ou altos funcionários, atuam como operadores de uma porta giratória (revolving door), transformando cargos públicos em capital político transacionável, num circuito de reforço mútuo entre poder económico e poder legislativo.

"Inverted totalitarianism is not a sudden shift to a regime of tyranny. Rather, it is a slow and often unnoticed transformation of democratic institutions into facades, while political power is increasingly concentrated in unaccountable private hands, especially those of corporate and economic elites."

— Sheldon S. Wolin, Democracy Incorporated: Managed Democracy and the Specter of Inverted Totalitarianism (2008, p. xxi)

"Unlike classical totalitarianism, which mobilized masses to support the state, inverted totalitarianism thrives on apathy and depoliticization, while corporate power dominates the state under the guise of democracy."

— Sheldon S. Wolin, Democracy Incorporated: Managed Democracy and the Specter of Inverted Totalitarianism (2008, p. 45)

Segundo o Center for Responsive Politics, em 2023 mais de 3,5 mil milhões de dólares foram gastos em lobbying federal nos EUA, com sectores como o farmacêutico, o financeiro e o militar-industrial entre os maiores financiadores. Esta realidade compromete gravemente a autonomia dos representantes eleitos e permite a proliferação de políticas públicas desenhadas não em função do interesse geral, mas dos interesses de uma elite organizada e financiadora.

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