Sangue de ditador. A história esquecida da família Hitler
Perry Mason
(1957-1966) – Kathryn Givney, Barry Atwater, Raymond Burr, Barbara Hale
Por
trás do ditador havia um pai alcoólico e
violento, uma mãe protetora,
irmãos esquecidos e uma sobrinha que seria descrita como o seu “verdadeiro
amor”. Documentos e diários da família ajudam a compreender como Adolf Hitler
se tornou numa das figuras mais terríveis da História
Antes de se tornar um nome proibido, ‘Hitler’ era apenas
mais um apelido no interior da Áustria. Alois Hitler era um funcionário da
alfândega, alcoólico e conhecido por ser violento. Casou-se três vezes e teve
oito filhos, mas quatro morreram à nascença. Os que sobreviveram passaram por
uma infância difícil, com espancamentos regulares por parte do pai. Ainda
assim, nada fazia prever que uma das crianças se tornaria num dos ditadores
mais mortíferos da história.
Nascido em 1889 em Braunan am Inn, no antigo Império
Austro-Húngaro, Adolf Hitler foi fruto do terceiro casamento de Alois, com
Klara Pölzl. Ao contrário de Alois, Klara era
carinhosa com os filhos e idolatrava Adolf, dando-lhe todo o apoio emocional
que o pai nunca lhe deu. O jovem Adolf cresceu ainda com dois
meios-irmãos, Alois Jr. e Angela (do segundo casamento), e uma irmã, Paula.
Adolf nunca se deu bem com o meio irmão quando eram crianças, nem mantiveram a
comunicação depois de Aloir Jr. fugir de casa aos 14 anos devido à relação
tensa com o pai e com a madrasta. Já Angela sempre foi a irmã mais próxima do
futuro ditador e é a única mencionada no controverso livro Mein Kampf,
da autoria de Adolf Hitler.
Uma família disfuncional e violenta
É também no Mein Kampf (A Minha Luta, em português)
que Adolf descreve uma vida pacífica e tranquila com os pais, que cuidavam
deles e dos irmãos com amor e carinho, mas outras evidências, como o diário da sua irmã Paula, apontam para uma família
disfuncional e violenta. Ao descrever as primeiras lembranças da sua
infância, quando ela tinha cerca de oito anos e Adolf 15, Paula escreveu: “Mais
uma vez sinto a mão solta do meu irmão no meu rosto”.
De acordo com um historiador citado pelo The Guardian,
Adolf “era o irmão mais velho e a figura paterna, era muito rígido com a irmã e
batia-lhe, mas ela justificava isso de forma otimista, porque acreditava que
era para o bem da sua educação”.
Já o livro de memórias conjunto do meio-irmão de Hitler,
Alois Jr., e da meia-irmã, Angela, descreve a violência exercida pelo pai de
Hitler e como a mãe, Klara, o tentava proteger dos espancamentos regulares: “Ao
recear que o pai não se consiga controlar na sua fúria desenfreada, ela [mãe de
Adolf] tenta pôr fim à agressão. Sobe até o sótão, cobre Adolf, que está caído
no chão, mas não consegue evitar o golpe final do pai”.
O ambiente de violência descrito nos documentos familiares levou um dos investigadores a concluir que o
“o terror do Terceiro Reich foi cultivado na própria casa de Hitler.”
A mesma investigação que descobriu estes diários também
encontrou documentos de interrogatório russos, que expuseram que Paula Hitler
chegou a estar noiva de Erwin Jekelius, responsável por matar cerca 4000
pessoas em câmaras-de-gás durante a guerra. O casamento acabou por não
acontecer, porque Adolf não permitiu.
Paula Hitler foi a única dos irmãos e irmãs do ditador que
sobreviveu até à fase adulta. Em 1936, mudou o nome para Paula Wolf (alcunha de
infância de Hitler), alegadamente a pedido deste. Sabe-se que viveu a vida
inteira em total isolamento, sem marido e sem filhos até à data da sua morte em
1960.
Os descendentes de Hitler
Adolf Hitler nunca teve filhos e foi casado por apenas cerca
de um dia com Eva Braun, antes de se suicidarem a 30 de abril de 1945. Mas a
linhagem da família Hitler sobreviveu através dos descendentes do seu
meio-irmão, Alois Hitler Jr. O jornalista britânico David Gardner foi um dos
poucos a investigar a fundo este tema, ao levantar o véu sobre a existência de
familiares vivos do ditador nazi. No seu livro A Família Hitler (ed.
Casa das Letras) revela que a linhagem masculina do führer sobreviveu, não na
Alemanha, mas nos Estados Unido.
Alois Jr. teve um filho, William Patrick Hitler, que emigrou
para os EUA nos anos 30 e chegou mesmo a servir na Marinha americana durante a
Segunda Guerra Mundial, contra o próprio tio. Após a guerra, William mudou o
apelido para Stuart-Houston, casou-se e teve quatro filhos. Ao contrário de
William, que quando chegou aos EUA nos anos 30 chegou a dar palestras sobre o
tio, a restante família evita dar entrevistas e recusa qualquer associação com
o passado nazi. Gardner afirma que, segundo fontes próximas, os irmãos
Stuart-Houston teriam feito um pacto informal de não ter filhos, pondo fim ao
legado biológico de Hitler por escolha própria.
Geli, a sobrinha de Hitler e o seu “verdadeiro amor”
Conhecida como Geli, Angela Raubal era filha de Angela
Hitler e meia-sobrinha de Adolf Hitler. Segundo Joachim Fest, respeitado
biógrafo alemão do líder nazi, ela foi o “seu grande amor, um amor tabu”.
Introduzida no círculo íntimo do tio aos 17 anos, Geli
tornou-se presença constante em eventos sociais e viagens. Hitler demonstrava
um afeto intenso por ela, que muitos consideravam possessivo. Segundo relatos,
Adolf controlava as suas amizades e restringia-a especialmente no que toca a
relacionamentos amorosos.
Em 19 de setembro de 1931, Geli foi encontrada morta no
apartamento do tio em Munique. Aos 23 anos, a jovem apresentava um ferimento de
bala no peito, ao lado da pistola de Hitler. O caso foi rapidamente
classificado como suicídio, sem autópsia ou investigação aprofundada,
alimentando especulações que perduram até hoje.
Na véspera da sua morte, Geli e Hitler teriam discutido
intensamente sobre a ida de Geli a Viena. O jornal Münchner Post
noticiou que o corpo apresentava um nariz fraturado e outros ferimentos que
sugeriam violência física. Outros rumores também apontavam que Geli estaria
grávida, possivelmente de Hitler, o que teria motivado a discussão fatal.
Certo é que a morte de Geli teve um impacto profundo em
Hitler. Testemunhas relatam que o ditador nazi entrou em depressão e chegou até
a contemplar o suicídio. O quarto onde Geli morreu foi depois transformado num
santuário e mantido intocado por anos.
Fonte: Sol, 1 de maio de 2025










Comentários
Enviar um comentário