Tirar o chapéu

“Tenho de tirar aqui o meu chapéu a Vladimir Zelensky a Volodymyr Zelensky.”

Ricardo Monteiro

Enquanto a plebe rude, alvoroçada,

Ouve o poeta rouco, em tom de mouro,

Soltar do peito inflamado o estouro,

Por bocal estreito, voz desafinada;

 

Não para a ladainha exagerada

Do vil inseto, esse escaravelho tolo,

Que se criou à larga entre o louro

Que a deusa Minerva traz na testa ornada.

 

Enquanto o ateu cego, calvo da sarna,

Com palavras engana uns patetas,

E entoa a sua ladainha amorosa,

 

Já não me aguento mais; cheio de maleitas,

Cansado de o ouvir — "Bravo! Essa é minha!" —

Cago-me sem notar... e solto umas valentes ventoinhas.

Soneto anónimo 

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