Portugal ajudou a desbloquear declaração final da cimeira da NATO
Perry Mason
(1957-1966) – Carmen Phillips
Portugal terá desempenhado um "papel fundamental"
a desbloquear a declaração final da 76.ª cimeira da NATO. De acordo uma fonte
oficial portuguesa que preferiu não se identificar em declarações à CNN
Portugal, o país "protagonizou de forma muito informal" a solução
que veio a ser encontrada, em articulação com secretário-geral da aliança, Mark
Rutte, e com "vários aliados".
A mesma fonte indicou que foi
pedido a Portugal que fizesse "algum tipo de facilitação informal junto de
Espanha e de um outro conjunto de países que tinham também algumas posições em relação às novas metas de investimento de
defesa".
De acordo com a CNN Portugal, vários países
manifestaram algumas reservas em atingir as novas metas propostas devido aos
compromissos internos, relacionados com restrições orçamentais. Até Portugal terá discordado, em alguns momentos da
negociação, da meta estabelecida pelo secretário-geral.
Mas o maior obstáculo terá sido Espanha, que se recusou a
chegar à meta dos 5% do PIB (3,5% em gastos de defesa e 1,5% em gastos
relacionados com a segurança) proposta por Mark Rutte.
Nesse momento, a diplomacia portuguesa terá sido abordada no
sentido de encontrar uma solução para viabilizar este acordo e chegar a uma
solução que agradasse a todos.
Portugal terá intercedido junto dos países que estavam
comprometidos com o cumprimento da meta, mas que tinham preocupações em relação
aos prazos, para ajudar os 32 membros da NATO a estender o prazo para atingir a
meta de 3,5% de 2032 para 2035.
Inicialmente, o secretário-geral apontou a meta de 2032, mas
os países mais próximos da Rússia pediram para que o investimento estivesse
concluído dois anos antes, em 2030.
Também ficaram de fora do acordo as subidas anuais fixas. Os
aliados acordaram em apresentar um "plano credível" de aumentos,
feito à medida das possibilidades e das necessidades de cada membro. Este foi
um dos pontos "cruciais" para chegar a um consenso, escreve a CNN
Portugal.
Montenegro confirma papel - ainda que
"discreto" - de Portugal para chegar a solução conjunta
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, confirmou, à
saída da reunião da cimeira da NATO, que Portugal desempenhou um papel, ainda
que "discreto", para chegar a uma solução conjunta.
"Esta é uma cimeira onde os aliados assumem um período
de dez anos para atingir, na área da Defesa, os gastos de 3,5% a que acresce
1,5% de forma indireta", anunciou Luís Montenegro.
Nem todos os aliados concordaram, assinalou, mas Portugal envolveu-se num "processo negocial
intenso" com a "discrição" que lhe é característica.
Para que houvesse um "projeto credível" na
aliança, Luís Montenegro falou com Mark Rutte para que houvesse "alguma
flexibilidade, dado que o objetivo é ambicioso".
Nesse sentido, conseguiu-se
um "alargamento de prazo" para atingir as metas e não haverá "tetos fixos de percentagens de
incrementos anuais".
Além disso, Montenegro revelou que será introduzida
"uma meta de revisão estratégica em 2029" para determinar os
"alvos capacitários".
O primeiro-ministro reiterou que Portugal está comprometido
com a meta da NATO, mas assegurou que as contas públicas permanecerão
"equilibradas", descartando que seja necessário um orçamento
retificativo para atingir este ano os 2% do PIB em defesa.
Fonte: Euronews, 25 de junho de 2025

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