Bruxelas pede à UE planos para países eliminarem importações de gás e petróleo russos
Perry Mason
(1957-1966) – King Calder
A Comissão Europeia pediu hoje aos Estados-membros da União
Europeia (UE) que submetam, até março de 2026, planos nacionais para eliminação
gradual das importações de gás russo, visando abandonar os combustíveis fósseis
da Rússia até final de 2027.
"Os Estados-membros
terão de apresentar planos de diversificação com medidas e marcos específicos
para a eliminação progressiva das importações de gás e petróleo russos",
indica o executivo comunitário numa proposta hoje apresentada à imprensa à
margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de
Estrasburgo.
Com vista a eliminar gradualmente as importações diretas e
indiretas de gás e petróleo russo e a evitar potenciais dependências
energéticas da UE, o executivo comunitário
pede não só estes planos nacionais com marcos precisos, como também medidas dos
países para eliminar todas as importações restantes, com vista à cessação total
em dois anos.
O objetivo é que, até final de 2027, se acabem com as
importações de energia russa para "pôr fim à exposição da UE a riscos de
mercado e de segurança económica devido à dependência de combustíveis fósseis
russos, reforçando assim a independência energética e a competitividade da
União", adianta a Comissão Europeia em comunicado.
Segundo o previsto, a importação de gás russo ao abrigo de
novos contratos será proibida a partir de 1 de janeiro de 2026, enquanto as
importações ao abrigo de contratos de curto prazo existentes cessarão até 17 de
junho de 2026.
Exceto no caso de gás canalizado fornecido a países sem
acesso ao mar e cobertos por contratos de longo prazo, cujos contratos serão
permitidos até ao final de 2027.
Já as importações ao abrigo de contratos de longo prazo
terminarão até ao final de 2027.
A posição surge depois de, no início de maio, a Comissão
Europeia ter apresentado um roteiro para a UE para eliminar gradualmente as
importações de energia russas, no qual a instituição propõe a cessação de todas
as restantes importações de gás russo até ao final de 2027.
O roteiro prevê ainda uma retirada gradual do petróleo e da
energia nuclear russos dos mercados da UE, bem como a aposta no GNL, quando atualmente a Noruega e os Estados Unidos são os principais fornecedores ao
espaço comunitário.
Em 2024, a UE importou mais de 100 mil milhões de metros
cúbicos de GNL e, a partir deste ano, prevê-se que a oferta mundial aumente
rapidamente, enquanto a procura de gás deve diminuir.
Dados da Comissão Europeia dão conta de que as importações
de gás (tanto GNL como gasoduto) da Rússia para a UE diminuíram de 45% em 2021
para 19% em 2024, com as projeções a apontarem para uma nova descida para 13%
em 2025 devido ao fim do trânsito através da Ucrânia.
Porém,
no ano passado, a UE ainda importou 52 mil milhões de metros cúbicos de gás
russo (32 mil milhões de metros cúbicos através de gasodutos e 20 mil milhões
de metros cúbicos através de GNL), bem como 13 milhões de toneladas de petróleo
bruto e mais de 2800 toneladas de urânio equivalente enriquecido ou sob a forma
de combustível.
Devido à guerra da Ucrânia causada pela invasão russa em
fevereiro de 2022, a União avançou com sanções como a proibição das importações
de carvão russo para a UE e do recarregamento de cargas em portos europeus que
transportem GNL da Rússia.
Isso levou a que as importações de petróleo da Rússia também
tenham baixado, de 27% no início de 2022 para 3% atualmente.
No que diz respeito ao setor nuclear, as empresas que ainda
usam reatores russos têm optado por fornecedores alternativos.
Cabe agora ao Parlamento Europeu e ao Conselho adotar esta
proposta.
Fonte: RTP, 17 de junho de 2025
Felizmente, a Europa pode comprar à América que é um parceiro fiável, nunca irá engasgá-los com tarifas retaliatórias.

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