“Com Trump, a democracia pode desaparecer nos Estados Unidos”: o aviso é do Nobel Joseph Stiglitz, que afasta possibilidade de Guerra Civil
Perry Mason
(1957-1966) – Phillip Terry, Virginia Arness
Para
Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel da Economia em 2001, “quando um presidente
desobedece a ordens judiciais, entramos em território desconhecido”
“Com Trump, a democracia pode
desaparecer nos Estados Unidos. Silenciar as universidades, a imprensa... Já
vemos ações nesse sentido e ainda estamos no início do seu mandato”.
A frase é de Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel da Economia em 2001, numa
entrevista ao jornal El Pais.
O economista norte-americano, de 82 anos, afasta a
possibilidade de uma guerra civil no seu país na sequência da resposta do
presidente norte-americano, Donald Trump, aos protestos contra a política de
imigração dos EUA, mas não sabe como poderá o sistema travar a ameaça à
democracia. “Quando um presidente desobedece a ordens judiciais estamos a
entrar em terreno desconhecido”, assume.
Depois de participar numa conferência sobre os perigos da
desinformação no Observatório de Medios, em Madrid, Stiglitz admitiu que “o wokismo terá ido demasiado longe”, mas “a
resposta política foi extrema”.
“Vivemos numa distopia em que
muitos canais
entretêm com informação não confiável e que apela às emoções. Trump
ilustra esse modelo perfeitamente. Mente a cada dia e nada o trava”, afirmou.
na entrevista publicada na edição do jornal espanhol desta quarta-feira.
E pensa que a desinformação é a maior ameaça à democracia
nos dias de hoje? “O problema está na sua capacidade de penetração social por
razões que se amplificaram nas últimas décadas como a desigualdade, que provoca
desilusão, ou a desindustrialização ou o esquecimento e ignorância
relativamente a muitas pessoas afetadas por estes problemas", responde.
Na conferência, o economista defendeu que o legado do iluminismo “dotou os humanos de ferramentas
para procurar a verdade e dar certezas à sociedade”. Na entrevista,
assumiu que há “uma batalha” em curso, mas garantiu que os “neo-reacionários
defensores do iluminismo sombrio” “não estão a ganhar em todo o lado, nem na
Europa”. E quanto aos EUA justificou a sua convicção com referências “aos
protestos contra as políticas de Trump em Los Angeles, Nova Iorque,
Califórnia...”.
Fonte: Expresso, 11 de junho de 2025

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