Durante o terrível holocausto
Na época, esconde Israel Katz, ministro da Defesa, tinham
outras prioridades estratégicas como matar árabes e ingleses.
A evolução das organizações judaicas de defesa na Palestina
e, mais tarde, em Israel, passou de pequenos grupos de autodefesa ativos
durante o domínio otomano para estruturas cada vez maiores e mais sofisticadas
durante o Mandato Britânico, culminando, através da Haganah, no exército
nacional de Israel, as Forças de Defesa de Israel (IDF). Esta evolução deu-se
passo a passo: de Bar-Giora, a Hashomer, à Haganah e, por fim, às IDF.
As organizações paramilitares judaicas no Novo Yishuv (o
empreendimento sionista na Palestina) tiveram início com a Segunda Aliá
(1904–1914). A primeira dessas organizações foi a Bar-Giora, fundada em
setembro de 1907. Tratava-se de um pequeno grupo de imigrantes judeus que
guardavam colónias agrícolas mediante o pagamento de uma taxa anual. Em abril
de 1909, o grupo foi transformado na Hashomer (hebraico: השומר; "O
Guardião"), que operou até ao início do Mandato Britânico da Palestina, em
1920. A Hashomer era uma organização elitista que nunca teve mais de 100
membros.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os predecessores da Haganah
e das futuras IDF foram o Corpo de Muares Sionista (Zion Mule Corps) e a Legião
Judaica (Jewish Legion), ambas unidades do Exército Britânico. Após os motins
árabes contra os judeus em abril de 1920, a liderança do Yishuv reconheceu a
necessidade de criar uma organização clandestina de defesa de âmbito nacional,
e assim nasceu a Haganah, em junho do mesmo ano.
A Haganah tornou-se uma força de defesa em larga escala após
a revolta árabe de 1936–1939 na Palestina, adquirindo uma estrutura organizada
composta por três unidades principais: o Corpo de Campo, o Corpo de Guarda e a
força de ataque Palmach. Durante a Segunda Guerra Mundial, o sucessor da Legião
Judaica foi a Brigada Judaica (Jewish Brigade), à qual se juntaram muitos
combatentes da Haganah.
Durante a guerra civil de 1947–1948 entre as comunidades
árabe e judaica na então Palestina sob mandato britânico, uma Haganah
reorganizada conseguiu defender ou conquistar grande parte do território que
lhe fora atribuído. No início da guerra convencional de 1948–1949 contra os
exércitos regulares árabes, a Haganah foi transformada e passou a constituir o
núcleo das novas Forças de Defesa de Israel.
Fonte: Wikipédia
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Agência Judaica e a
Haganah, sob a liderança de David Ben-Gurion, adotaram uma política conhecida
como Havlagá (contenção), segundo a qual os judeus da Palestina não deveriam
atacar os britânicos. A prioridade era clara: concentrar esforços na luta
contra o nazismo e no resgate de judeus europeus perseguidos. Esta posição
conciliatória foi adotada pela corrente dominante do movimento sionista, que considerava a Grã-Bretanha um aliado circunstancial e
necessário na guerra contra
Hitler.
Contudo, a Irgun
(Etzel), sob a liderança de David
Raziel até 1941 e, mais tarde, de Menachem Begin, recusou-se a seguir essa
orientação. Mesmo antes do início da guerra, a Irgun já realizava ações armadas
contra alvos árabes e, ocasionalmente, contra forças britânicas, por entender
que ambas as partes representavam obstáculos à criação de um Estado judeu na
Palestina. Quando a guerra começou, alguns elementos da organização suspenderam
temporariamente os ataques aos britânicos, mas essa pausa foi breve e gerou uma
cisão interna.
Foi nesse contexto que, em 1940, Avraham Stern, dissidente da Irgun, fundou
o Lehi (também conhecido como “Grupo
Stern”). O novo grupo rejeitava liminarmente a política de contenção e decidiu
manter e até intensificar os atentados contra os britânicos, mesmo em plena
guerra mundial. Para o Lehi, os britânicos eram vistos como opressores
coloniais, e a luta contra o mandato britânico era inseparável da causa
sionista. Stern e os seus seguidores acreditavam que “o inimigo do meu inimigo”
— neste caso, o Eixo, incluindo a Alemanha nazi — poderia ser um aliado tático
contra o domínio britânico na Palestina. Em gestos extremos, tentaram negociar
com o regime fascista de Mussolini e estabelecer contacto com representantes
alemães, propostas que nunca foram acolhidas. Essas iniciativas causaram
escândalo e levaram à sua marginalização política, mesmo entre os círculos
sionistas mais radicais.
Avraham Stern estava convicto de que uma eventual vitória
das potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial poderia precipitar o colapso do
domínio britânico. Stern acreditava que essa conjuntura abriria caminho para a
independência judaica. Inspirava-se nos movimentos nacionalistas europeus do
século XIX — como os italianos de Mazzini ou os irlandeses do Sinn Féin — e via
nos regimes fascistas, em particular o italiano, aliados possíveis, ainda que
táticos, na luta contra o poder colonial britânico.
Foi nesse espírito que, em 1940, membros do Lehi redigiram
um memorando dirigido ao governo de Benito Mussolini. Nesse documento,
propunham uma colaboração direta entre o grupo sionista e o regime fascista
italiano, unindo esforços para expulsar os britânicos da Palestina. A proposta
incluía a formação de uma força militar judaica que combatesse ao lado das
forças do Eixo, em troca do reconhecimento, por parte da Itália, do direito dos
judeus à soberania sobre a Palestina.
As tentativas de contacto passaram por canais diplomáticos
pouco ortodoxos: a embaixada italiana em Istambul e intermediários localizados
na Europa ocupada foram utilizados para fazer chegar a proposta. Há ainda
indícios de que emissários do Lehi terão tentado estabelecer contacto com
representantes alemães em Beirute e até em Berlim, embora sem sucesso concreto.
Estas ações causaram forte consternação no seio do movimento
sionista. A Agência Judaica e a Haganah, principais representantes do sionismo
oficial, condenaram veementemente qualquer aproximação a regimes declaradamente
antissemitas. A tentativa de colaboração com os fascistas, em plena guerra
mundial, foi considerada uma traição ao esforço de guerra contra o nazismo.
Mesmo dentro do próprio Lehi, esta orientação gerou dissensões e contribuiu
para o isolamento de Stern, que viria a ser abatido pela polícia britânica em
1942.
O regime de Mussolini, por sua vez, nunca aceitou
formalmente as propostas do Lehi. Com interesses coloniais próprios no Norte de
África e no Levante, e desconfiando da viabilidade de um nacionalismo judeu
radical, os italianos não chegaram a estabelecer qualquer aliança com o grupo.
Este episódio permanece como um dos mais polémicos e esquecidos da história do
sionismo, revelando uma importante fissura no movimento sionista durante a
guerra: enquanto a liderança oficial optava por uma estratégia de contenção e
cooperação, fações armadas mais radicais continuavam, ou até ampliavam, a sua
luta contra o domínio britânico na Palestina, mesmo em detrimento da unidade e
da reputação internacional do projeto sionista.
Entre 1940 e 1945, as organizações sionistas armadas mais
radicais — nomeadamente o Lehi (também conhecido como Grupo Stern) e, mais
tarde, a Irgun — intensificaram a sua campanha de atentados contra o poder
colonial britânico na Palestina. Estes ataques, conduzidos à margem da política
oficial da Agência Judaica e da Haganah, tinham como objetivo sabotar a
presença imperial e acelerar a fundação de um Estado judaico independente.
Em 1940, o Lehi iniciou a sua atividade com atentados com
pequenas bombas contra esquadras da polícia britânica em Jerusalém e Telavive,
marcando o início de uma estratégia de guerrilha urbana.
Em 1941, o Lehi tentou assassinar o Alto-Comissário
britânico Sir Harold MacMichael, em várias operações falhadas que evidenciam o
grau de radicalismo do grupo. O alvo, que liderava a administração do Mandato,
escapou graças a falhas táticas ou falhas dos conspiradores.
O atentado de maior impacto ocorreu em 1944, quando dois
membros do Lehi assassinaram Lord Moyne, ministro britânico para os Assuntos do
Médio Oriente, no Cairo. A ação causou enorme repercussão internacional e foi
publicamente condenada pela própria Agência Judaica, que temia que este tipo de
atos comprometesse a legitimidade do movimento sionista.
Nos anos finais da guerra, entre 1944 e 1945, também a Irgun
retomou as suas operações armadas, com ataques bombistas a esquadras de polícia
e instalações militares britânicas em cidades como Haifa, Telavive e Jerusalém,
demonstrando que a ala revisionista do sionismo — liderada por figuras como
Menachem Begin — não aceitava a política de contenção imposta pela liderança
oficial.
Estas ações revelam a crescente tensão entre as estratégias
diplomáticas da Agência Judaica e as abordagens violentas dos grupos
dissidentes, numa fase em que o futuro da Palestina se tornava cada vez mais
incerto.
Lista dos atentados do Lehi até 1945
1942
1 de maio – Tentativa de assassinato de Geoffrey J. Morton,
Superintendente-Adjunto e chefe da secção de investigação criminal (CID) em
Telavive e Jafa, e o agente responsável pela morte de Avraham Stern. O atentado
foi realizado com um engenho explosivo improvisado, contendo sessenta cartuchos
de gelignite, escondido numa valeta junto à estrada. Foi detonado quando o
carro onde seguiam Morton, a esposa (professora em Jafa) e guarda-costas
passava perto de um laranjal próximo da sua residência. O carro desviou-se para
ultrapassar uma bicicleta e assim escaparam da força total da explosão. O
veículo foi destruído, mas os ocupantes sobreviveram com ferimentos ligeiros e
concussões.
1944
28 de janeiro – Tentativa falhada de fazer explodir a
Catedral de St. George, em Jerusalém, durante o casamento do Marquês Douro
com Diana, filha do general britânico Douglas McConnel.
14 de fevereiro – Dois polícias britânicos foram mortos a
tiro ao tentarem deter militantes do Lehi que colavam cartazes em Haifa.
13 de março – O Lehi assassinou um agente judeu da CID em
Ramat Gan.
19 de março – Um militante do Lehi foi abatido ao resistir à
detenção pela CID em Telavive. Em retaliação, o Lehi realizou um ataque na
cidade, matando dois agentes da polícia e ferindo outro.
23 de março – Um ataque do Lehi em Jerusalém matou um
polícia e feriu outro.
8 de agosto – Tentativa de assassinato de Harold MacMichael,
Alto-Comissário para a Palestina e Transjordânia. MacMichael e a esposa
escaparam por pouco a uma emboscada do Lehi, montada na véspera da sua
substituição no cargo. Durante o seu mandato, MacMichael foi alvo de sete
tentativas de assassinato, quase todas atribuídas ao Lehi. Esta foi a última.
29 de setembro – Assassinato do oficial da CID Thomas James
Wilkin. Wilkin era o comandante da secção judaica da CID e braço-direito de
Geoffrey J. Morton (ver caso de Shoshana Borochov).
6 de novembro – Lord Moyne, ministro residente adjunto
britânico no Cairo, foi assassinado por membros do Lehi, Eliyahu Hakim e
Eliyahu Bet-Zuri. Esta operação desencadeou a campanha de repressão interna
conhecida como “Temporada de Caça” (The Hunting Season). O motorista de Lord
Moyne também foi morto. Hakim e Bet-Zuri foram executados pelo atentado.
1945
Outubro – É criada a “Movimento de Resistência Judaica”, uma
aliança temporária entre a Haganah, a Irgun e o Lehi, com coordenação da
Agência Judaica. Duraria até agosto de 1946.
1 de novembro – “Noite dos Comboios” — uma série de
sabotagens simultâneas às infraestruturas ferroviárias britânicas na Palestina.
27 de dezembro – Bombardeamentos perpetrados pela Irgun e pelo Lehi contra esquadras da polícia em Jerusalém e Haifa provocaram 10 mortos e 12 feridos.





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