Evangélico pró-Israel nomeado líder da Gaza Humanitarian Foundation
Perry Mason
(1957-1966) – Simon Oakland
A Gaza Humanitarian Foundation (GHF) anunciou esta
terça-feira Johnnie Moore, evangélico e grande defensor
de Israel, como o novo presidente da organização.
Moore é atualmente líder da Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional
e serve de ponte entre os cristãos evangélicos e
Donald Trump.
"A GHF acredita que servir o povo de Gaza com dignidade
e compaixão deve ser a principal prioridade", disse Moore num comunicado
de imprensa da organização, citado pelo Times of Israel.
O novo líder da organização tem negado que Israel esteja a
atacar civis palestinianos nos locais de distribuição de ajuda alimentar.
"Damos as boas-vindas a outros que se juntam a nós e pedimos extrema cautela contra a partilha de informações
não verificadas de fontes que têm repetidamente emitido
informações comprovadamente falsas", disse Moore. "Os falsos relatos de violência nas nossas
instalações têm um efeito assustador na
população local e não podemos
pensar num maior desserviço a uma comunidade em extrema necessidade",
completou.
Fonte: CNN Portugal, 3 de junho de 2025
Polémico sionista cristão nomeado para liderar o
programa de ajuda humanitária entre os EUA e Israel em Gaza
A Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma iniciativa
amplamente criticada entre os EUA e Israel, acusada de facilitar a guerra
genocida de Israel em Gaza, nomeou um sionista cristão evangélico, o reverendo
dr. Johnnie Moore, aliado próximo de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, como
seu novo diretor executivo.
A nomeação de Moore segue-se à demissão
abrupta de Jake Wood, antigo fuzileiro naval dos EUA e líder na área
da ajuda humanitária, que abandonou o cargo alegando que o GHF (Global
Humanitarian Foundation) não conseguia operar
"respeitando os princípios humanitários de humanidade, neutralidade,
imparcialidade e independência."
Na sua carta de demissão, Wood alertou que a GHF não podia
"aderir estritamente aos princípios humanitários" enquanto
funcionasse sob as atuais restrições políticas e militares. A sua crítica foi
ecoada por várias organizações humanitárias, que denunciaram a GHF como um
mecanismo politicamente comprometido que permite a punição coletiva.
A ONU, a Human Rights Watch, a Oxfam e os Médicos Sem
Fronteiras condenaram a iniciativa, alertando que facilita o controlo de Israel
sobre a distribuição de ajuda vital, ao mesmo tempo que não consegue proteger
os civis. Os críticos descrevem a fundação como
um "esquema de ajuda militarizada" que transforma os corredores
humanitários em zonas de violência e morte, em vez de refúgio,
minando o direito internacional e transformando a fome numa arma de guerra.
O Boston Consulting Group, anteriormente envolvido na
logística, também se terá retirado do projeto, aprofundando ainda mais as
dúvidas sobre a legitimidade da fundação.
Os grupos de defesa dos direitos humanos também denunciaram
a iniciativa, alertando que criou armadilhas
mortais para os palestinianos famintos. Dezenas foram mortas pelas
forças israelitas quando tentavam chegar aos pontos de distribuição da GHF.
Apesar das crescentes provas, Moore
defendeu publicamente a narrativa de Israel, tendo inclusive rejeitado relatos
de um massacre perto de Rafah que matou 31 palestinianos que procuravam ajuda.
Difamou
críticos, incluindo o pastor cristão palestiniano Rev. Munther Isaac, como
"antissemitas", e denunciou o mandado de detenção do Tribunal Penal
Internacional contra Netanyahu como um ato de "antissemitismo de colarinho
branco".
Moore, presidente do Congresso de Líderes Cristãos, tem laços de longa data com figuras da extrema-direita americana e israelita, tendo servido por duas vezes na administração do presidente Trump e ajudado a coordenar a aliança evangélica com Netanyahu. É também um acérrimo defensor do plano proposto por Trump para que os EUA assumam o controlo de Gaza, uma agenda que equivale a limpeza étnica e ocupação colonial.
As autoridades palestinianas apelaram a uma investigação
internacional sobre a GHF, citando relatos credíveis de que a fundação está a
ser gerida com o apoio de contratistas militares privados e sindicatos
criminosos alinhados com os interesses israelitas. O governo suíço e os antigos
diplomatas exigiram ainda que a Suíça rompa todos os laços com o projeto,
citando as suas violações da neutralidade e do direito internacional
humanitário.
À medida que a crise humanitária em Gaza se agrava — com
fome, deslocações em massa e mais de 54 mil palestinianos mortos — a GHF
continua a operar impunemente. A sua recente nomeação apenas aprofunda os
receios de que a ajuda esteja a ser utilizada como arma, como parte de uma
estratégia mais vasta de limpeza étnica da população palestiniana.
Fonte: Middle East Monitor, 4 de junho de 2025

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