Pela primeira vez, um tribunal condenou um menor por terrorismo
The
Beguiled (1971) - Pamelyn Ferdin, Clint Eastwood
Caso
correu no Tribunal de Menores de Cascais. Jovem radicalizado ameaçou colocar
bombas na mesquita de Lisboa e proferiu discurso de ódio contra muçulmanos e
imigrantes
É uma condenação inédita em Portugal: um jovem, menor de 16
anos, foi condenado, este ano, pelo Tribunal de Família e Menores de Cascais
por terrorismo. Segundo informações recolhidas pelo NOW, o rapaz terá
sido colocado num centro educativo, ao Abrigo da Lei Tutelar Educativa, dado o
seu grau e radicalização na extrema-direita.
Nos últimos dias, o NOW tentou obter esclarecimento
oficiais sobre o processo e a pena aplicada, mas o Tribunal de Cascais recusou
prestar qualquer tipo de informação até quanto à pena aplicada. Ainda assim,
foi possível apurar que este caso terá começado
numa denúncia feita pela Mesquita de Lisboa à Polícia Judiciária,
dando conta de várias ameaças de bomba e discurso de ódio que estavam a receber
de um determinado email.
A investigação a Unidade Nacional de Contra Terrorismo
acabaria por identificar o autor de tais ameaças, tendo sido surpreendida com o
facto de se tratar de um menor, ainda por cima
filho de mãe imigrante. Sendo assim, o caso acabaria por correr
debaixo a Lei Tutelar Educativa, que se aplica quando está em causa "a
prática, por menor com idade compreendida entre os 12 e os 16 anos, de facto
qualificado pela lei como crime".
A Judiciária chegou a realizar buscas ao rapaz, tendo
encontrado vários sinais de radicalização o menor à extrema-direita. Algo que,
posteriormente, seria confirmado pela análise ao eu computador. Os inspetores
ainda procuraram pistas sobre terceiros indivíduos que poderia ter influenciado
o rapaz e recrutá-lo. Porém, chegaram à
conclusão que o processo e radicalização decorreu na solidão do quarto,
através do ecrã do computador, que o levou a consultar e ler vários sites de
extrema direita.
Presente a um juiz, o jovem foi, numa primeira fase,
libertado, atenta a sua idade. Porém, dias após o interrogatório judicial,
seria detetado a publicar na Internet algumas peças do processo, com um discurso jocoso para com a polícia e os tribunais,
o que levou o juiz a reverter a primeira decisão e a ordenar o seu internamento
num centro educativo.
Diretor da PJ alertou para radicalização dos mais novos
Há uma semana, na sequência da detenção de seis pessoas
ligadas à organização e extrema-direita Movimento Armilar Lusitano (MAL), o diretor
da Polícia Judiciária, Luís Neves, manifestou, precisamente, preocupação com o
recrutamento e radicalização de "jovens cada vez mais jovens"
Em jeito de sinal e alerta, Luís Neves explicou que a
polícia assiste "cada vez mais a um crescente nos discursos desta natureza
e ao recrutamento e incitamento de camadas cada vez mais jovens da população
através da internet, em círculos fechados". O
método, referiu, assenta na "fake news, na desinformação e na manipulação destas pessoas".
Fonte: Record, 26 de junho de 2025







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