Após pedido de Donald Trump, Coca-Cola lança versão com cana de açúcar nos Estados Unidos

 

Perry Mason (1957-1966) – Cynthia Chenault, Robert Redford

A Coca-Cola revelou que vai lançar nos Estados Unidos uma nova versão da sua bebida clássica adoçada com cana de açúcar, respondendo a um apelo público de Donald Trump. Esta medida integra a agenda de inovação da empresa e tem como objetivo proporcionar mais opções aos consumidores americanos

Na semana passada, Donald Trump disse publicamente que quer que a Coca-Cola modifique a receita tradicional das suas bebidas nos Estados Unidos. A multinacional fez-lhe a vontade e, esta terça-feira, revelou que vai lançar uma nova versão da sua bebida clássica, adoçada com cana de açúcar, para o mercado norte-americano.

"Como parte da sua agenda contínua de inovação, este outono, nos Estados Unidos, a empresa planeia lançar um produto feito com cana de açúcar dos Estados Unidos para expandir a sua gama de produtos com a marca Coca-Cola", referiu o comunicado de imprensa.

A receita original produzida para os Estados Unidos é normalmente adoçada com xarope de milho rico em frutose, enquanto noutras regiões, como o México ou na Europa, utiliza-se cana de açúcar

Não foram divulgadas imagens nem detalhes sobre o rótulo da nova bebida adoçada com cana de açúcar. A empresa também não esclareceu se esta versão substituirá a fórmula tradicional ou se se tratará de uma edição limitada.

Donald Trump quer tornar a América "mais saudável"

O Presidente dos Estados Unidos pretende alterar a receita tradicional vendida no país e passar a utilizar apenas cana de açúcar. No âmbito da iniciativa ‘Make America Healthy Again’, o objetivo é tornar a fórmula norte-americana mais saudável, alinhando-a com a utilizada noutros países, incluindo Portugal.

Embora o anúncio de Donald Trump não tenha mencionado o xarope de milho com alto teor de frutose, um ingrediente que o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., aponta como responsável pela epidemia de obesidade.

Fonte: SIC Notícias, 22 de julho de 2025

Está na hora de mudar para a Pepsi

O capitalismo constitui-se como um modo de produção em que os meios de produção — fábricas, terras, infraestruturas, capital financeiro, big tech — pertencem a uma minoria social: a burguesia super-rica. Esta classe dominante detém, não apenas o controlo sobre a economia, mas também sobre os aparelhos do Estado e a produção ideológica. A superestrutura política — que inclui o Estado, o sistema legal, os partidos convencionais, os média dominantes e as instituições escolares — apresenta-se como expressão neutra do interesse geral, mas desempenha, de facto, a função de garantir a reprodução das relações de produção capitalistas e a conservação da propriedade privada e a sacralidade do lucro máximo.

Em termos marxistas, o Estado burguês não é uma instância mediadora ou um árbitro imparcial entre classes, mas sim um mecanismo de gestão coletiva dos interesses da classe dominante. Como escreveu Karl Marx em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852), o Estado é “o comité executivo da burguesia”, isto é, um dispositivo central na manutenção da hegemonia de classe, mesmo sob a aparência de legalidade, representação democrática e Estado de direito.

A dominação de classe opera, assim, não só através da coerção direta (polícia, tribunais, exército), mas também através do consenso ideológico e da naturalização da desigualdade. A ideologia dominante — veiculada pelos média, pelo direito, pela cultura de massas e até pela ciência económica — serve para apresentar como inevitáveis ou naturais as relações sociais historicamente produzidas pelo capitalismo.

A ascensão de figuras como Donald Trump representa, nesse contexto, a expressão mais despudorada do carácter de classe do Estado. Trump, enquanto chefe de Estado, desempenha o papel de angariador de negócios e facilitador de interesses económicos transnacionais, reconduzindo a função presidencial ao seu núcleo cru: a promoção do capital na sua fase imperialista. Como tal, a sua atuação ilustra a tendência do capitalismo contemporâneo para dispensar os véus liberais da representação e adotar, de forma cada vez mais aberta, lógicas oligárquicas e autoritárias de gestão política. Esse processo é frequentemente legitimado pelos principais mediadores do discurso público — os média corporativos, os opinion makers e as instituições internacionais — que o traduzem como uma inócua “eficiência empresarial” ou uma suposta racionalidade tecnocrática. Oculta-se, assim, a rapina sistemática de recursos naturais em territórios periféricos, a exploração intensiva de mão de obra precarizada e desprotegida, a chantagem económica imposta a países subalternos através da dívida e dos tratados comerciais assimétricos, bem como a captura dos Estados por conglomerados privados nos domínios da energia, da saúde, da defesa e da comunicação.

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