“Big Beautiful Bill”: republicanos cedem aos desejos de Trump e aprovam cortes aos pobres para dar aos mais ricos
Killer Elite (2011) – Yvonne Strahovski
Nova
lei avança com apoio republicano e oposição total dos democratas. Milhões de
norte-americanos podem perder apoios sociais e a dívida pública deve crescer
3,3 biliões de dólares até 2034
O pacote legislativo orçamental apelidado por Donald Trump
como “Big Beautiful Bill” ["Grande e Bela Lei", em tradução livre]
foi esta quinta-feira aprovado na Câmara de Representantes, depois de já ter
passado no Senado, câmara alta do Congresso.
O presidente dos Estados Unidos tinha definido o prazo de 4
de julho, Dia da Independência nos Estados Unidos, para aprovação do diploma, e
deverá recebê-lo ainda hoje do Congresso, para assinatura final. O gabinete de
Trump já veio anunciar que o documento será assinado amanhã.
Depois de ter sido alvo de muitas alterações, o texto final
passou a enfrentar o descontentamento de vários congressistas republicanos,
obrigando o líder da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, a negociações
contínuas nos últimos dias, a par de pressões públicas de Donald Trump.
Aprovado por uma margem curta (218
votos a favor, 214 contra), o pacote, que tem um total de quase 900
páginas, teve apoio quase unânime dos republicanos - apenas dois votaram contra
- e foi rejeitado em bloco pelos democratas. De recordar que os republicanos
detêm atualmente a maioria na Câmara dos Representantes, com 220 lugares, para
212 dos democratas.
A nova lei destina 170 mil
milhões de dólares ao reforço das deportações e 50 mil milhões à construção de
novas barreiras na fronteira com o México. Dá mais poderes ao serviço de
imigração (ICE) e prevê a contratação de milhares de novos agentes até 2029.
Em
sentido oposto, revoga incentivos à transição energética criados durante
a presidência de Joe Biden e torna permanentes cortes fiscais introduzidos em
2017, durante o primeiro mandato de Trump, ao mesmo tempo que introduz novas
isenções para gorjetas, horas extra e juros de empréstimos. Tais medidas
deverão beneficiar sobretudo os rendimentos mais altos.
Para
compensar a perda de receitas, o pacote inclui cortes significativos em
programas sociais: impõe novas exigências para acesso ao Medicaid
(seguro de saúde público para pessoas com baixos rendimentos) e ao programa
alimentar SNAP, o que poderá afetar milhões de beneficiários.
O Gabinete de Orçamento do
Congresso estima que a esta nova lei aumente a dívida pública em 3,3 biliões de
dólares (quase 3 biliões de euros
ao câmbio atual) até 2034.
A aprovação do diploma ficou marcada por um discurso de quase nove horas
do líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, no plenário, para atrasar
e obstaculizar a aprovação. Jeffries criticou repetidamente o pacote, que
afirmou "roubar" a programas sociais para financiar cortes de
impostos para os ricos.
A versão final da “Grande e Bela Lei" reacendeu também
a animosidade entre Trump e Elon Musk, multimilionário que até há poucas
semanas era uma das figuras mais destacadas do seu executivo e responsável por
fazer cortes orçamentais, e que é crítico de alguns dos cortes previstos e do
aumento do endividamento do país.
Fonte: Expresso, 3 de julho de 2025

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