Carregas o telemóvel à noite? Tenho más notícias
Perry Mason
(1957-1966) – Sue England
O teu
telemóvel está ao teu lado a carregar todas as noites. O problema é que talvez
isso esteja a matá-lo lentamente.
Já todos passámos por isto: são onze da noite, o cérebro
está cansado, os olhos semicerrados e a única energia restante vai para ligar o
cabo ao telemóvel. “Pronto, está a carregar. Até amanhã, guerreiro.” E lá vai
ele, passar as próximas oito horas ligado à corrente.
Durante anos, confesso, achei isto perfeitamente normal.
Quer dizer, faz sentido, não? Dorme-se, o telemóvel também dorme, e de manhã
acordamos os dois prontos para enfrentar o mundo. Mas um dia, por tédio ou
talvez por medo de estar a destruir o meu companheiro digital, fui investigar.
E o que descobri foi o equivalente tecnológico a dormir com um cigarro aceso.
Carregar à noite está a envelhecer a tua bateria
Ao contrário do que muitos pensam, os telemóveis modernos não explodem ou sobrecarregam se estiverem ligados à corrente toda a noite.
Graças a algo chamado Battery Management System
(BMS), o carregamento é interrompido assim que se atinge os 100%. Isso parece
excelente, não é? Infelizmente, é uma meia verdade.
O problema está nos pequenos detalhes: o BMS não te impede de manter a
bateria em 100% durante horas, e isso pode stressar a bateria e encurtar a sua
longevidade. Estamos a falar de ciclos de carga desnecessários, microcargas
constantes que fazem com que a bateria ande ali nos 99–100%, como um
hamster numa roda. Pior ainda se o ambiente for quente, como debaixo da
almofada, por exemplo. Temperaturas superiores a
35ºC podem causar danos
permanentes.
Eu não sou engenheiro, mas até eu sei que calor + lítio = má
ideia.
Então... é mau carregar o telemóvel à noite?
Há nuances aqui. O teu telemóvel não vai morrer amanhã por o
carregares à noite hoje. Mas vais notar que, ao fim de um ano ou dois, ele já
não segura a carga como antes. Aquela sensação de “isto descarrega mais rápido
que o costume” não é paranoia. É o preço de um hábito confortável.
Aliás, o IFLScience lembra que “idealmente, a bateria deve ser mantida entre os 20% e os 80% para maximizar a sua vida útil”. Mas quem é que
consegue fazer isso num mundo em que já é difícil de nos lembrar-nos de beber
água? Se ainda não o fizeste, podes usar este momento como pausa para te ires
hidratar. Ainda assim, há soluções. O iPhone, por exemplo, já vem com
carregamento otimizado e os Androids mais recentes têm funcionalidades
semelhantes.
Desde que comecei a usar isto, confesso que respiro um pouco
melhor. Já não preciso de pôr o despertador só para desligar o cabo às 3 da
manhã (sim, cheguei a fazer isso, e não, não recomendo). E ainda assim, nem
tudo está resolvido — o calor continua a ser um problema, e o meu vício em ver
TikToks às 2 da manhã também não ajuda.
Queres que a bateria dure? Muda os teus hábitos
O telemóvel, para muitos de nós, é o relógio, o despertador,
o caderno de notas, o GPS, o bilhete de metro, o Spotify e o confidente
silencioso dos desabafos no Twitter. E depois admiram-se que ele esteja
cansado. Se fosse um empregado, já se tinha demitido por excesso de trabalho.
A verdade é que há alternativas simples: carregar ao final
da tarde enquanto vês uma série, usar um temporizador inteligente, ou até
aplicar o velho truque de não deixar o telemóvel chegar aos extremos de
bateria. Se estás a pensar “mas eu não tenho tempo para isso”, lembra-te que
também não tens tempo para gastar 80€ numa
bateria nova todos os anos.
Este é o tipo de mudança que não se sente no dia seguinte,
mas que se agradece profundamente no terceiro ano de vida do telemóvel, quando
ele ainda dura o dia inteiro. E sim, é um gesto pequeno, mas feito todos os
dias, torna-se um investimento.
Fonte: Magazine.HD, 5 de julho de 2025

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