Cientista Marie Curie causa polémica no concurso para as novas notas de Euro
Perry Mason
(1957-1966) – Alan Baxter, Andrea King, Mary Webster
Eurodeputada
polaca do grupo socialista escreve à presidente do Banco Central Europeu
advertindo que o nome da cientista é Maria Salomea Skłodowska e nasceu na
Polónia
O concurso lançado este mês pelo Banco Central Europeu (BCE)
para as novas notas de euro já se encontra envolto em polémica. Um dos temas
selecionados, “Cultura Europeia”, inclui, para a nota de 20 euros — uma das
mais utilizadas na zona euro — a figura da cientista Marie Curie, a primeira
mulher a receber um Prémio Nobel (da Física, em 1903), em parceria com o
marido, Pierre Curie, e o cientista francês Henri Becquerel.
A polémica surge porque Marie Curie nasceu Maria Salomea
Skłodowska, em Varsóvia, a 7 de novembro de 1867. Apenas mais tarde adquiriu a
nacionalidade francesa, mas nunca abdicou do seu
nome polaco, assinando sempre Marie Skłodowska Curie. Este facto
levou a eurodeputada polaca Joanna Scheuring-Wielgus, do grupo socialista, a escrever uma carta à
presidente do BCE, Christine Lagarde, chamando a atenção para a necessidade de
não ignorar o nome polaco da cientista.
Em resposta, Christine Lagarde admitiu que “o BCE reconhece
plenamente a importância da forma como os nomes de todas as personalidades
poderão vir a ser apresentados nas futuras notas de euro”, acrescentando que
“nesta fase, ainda não foi tomada qualquer decisão sobre se, ou de que forma,
esses nomes serão integrados no desenho, caso o tema ‘Cultura Europeia’ seja
selecionado”.
No caso específico de Marie Curie, a presidente do BCE
adiantou que, “por enquanto, referimo-nos a ‘Marie Curie (nascida Skłodowska)’
em todas as nossas comunicações públicas, refletindo
a sua dupla identidade e reconhecendo tanto o seu reconhecimento
global como o seu património e as suas profundas contribuições para a ciência e
a sociedade”.
Christine Lagarde sublinhou ainda que o BCE está a consultar
vários especialistas, “bem como os seus descendentes e o Instituto Curie, para
determinar a forma mais adequada de nos referirmos a ela. Esta abordagem
colaborativa garante que o nosso processo respeita o seu legado, ao mesmo tempo
que ressoa junto do público em geral”.
Recorde-se que, dentro do tema “Cultura Europeia”, os
motivos propostos são: na nota de 5 euros, a
famosa soprano Maria
Callas; na de 10 euros, o
compositor alemão Ludwig
van Beethoven; na de 20 euros,
a cientista Marie Curie;
na de 50 euros, o escritor espanhol Miguel de Cervantes;
na de 100 euros, o inventor Leonardo da Vinci;
e na de 200 euros, a romancista e ativista
política Bertha von
Suttner.
O JornalPT50 questionou o BCE sobre a ausência de
personalidades portuguesas neste concurso. Uma fonte do BCE respondeu: “O
processo de seleção foi muito extenso e levou em consideração muitos fatores
diferentes. As personalidades escolhidas devem representar a Europa como um
todo, e não apenas um país específico”.
Fonte: PT50, 28 de julho de 2025
BCE estima que euro digital substitua metade dos euros em notas e moedas
Em dezembro de 2023, existiam 1 567 200 milhões de euros em notas e 33 500 milhões de euros em moedas denominadas em euros em circulação
O Banco Central Europeu (BCE) acredita que a adoção do euro digital vai levar à retirada de cinco em cada 10 euros físicos em circulação, segundo um relatório divulgado neste sábado.
Esta é a principal conclusão do último relatório da organização que, ao contrário de outros bancos centrais, como a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos (EUA), trabalha há anos para implementar este meio de pagamento.
A Fed já se comprometeu a não desenvolver um dólar digital, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que promove as criptomoedas, procurando tornar o país um líder mundial em ativos digitais, ao mesmo tempo que proíbe o estabelecimento de uma moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês).
O BCE está a adotar uma abordagem diferente, como sublinhou o membro do Comité Executivo Piero Cipollone esta semana.
A instituição liderada por Christine Lagarde defende o projeto como uma questão de soberania estratégica e apresenta o euro digital como um novo passivo monetário, além das notas e reservas dos bancos comerciais, o que não aumentaria necessariamente os balanços dos bancos centrais.
Os efeitos da emissão de moedas digitais dependerão, não só do seu desenho, mas também do seu apelo aos consumidores, o que exige que os bancos centrais analisem a remuneração, os limites de retenção e os critérios de acesso.
O relatório indica ainda que o impacto líquido da digitalização no tamanho do balanço também pode ser negativo, uma vez que o número de notas em circulação pode diminuir e as características de desenho das CBDC podem limitar a sua adoção como reserva de valor.
Isto implica uma "substituição" de alguns ativos por outros, uma vez que a procura do euro digital levará a uma queda das notas em circulação e dos depósitos bancários, juntamente com um aumento dos ativos no balanço do BCE por outros meios.
A quantidade real de CBDC em circulação na zona euro será determinada pela procura das famílias, tal como a procura das famílias determina a quantidade de notas em circulação.
Com base nesta premissa, o BCE estima que, por cada 10 euros digitais emitidos, serão retirados de circulação cinco euros físicos e os depósitos bancários perderão três.
O BCE considerou três cenários possíveis, consoante a procura seja baixa, média ou elevada: no primeiro caso, a descida das notas seria de 15 000 milhões; no segundo, 125 000; e no terceiro, 256 000.
O cálculo do BCE inclui também as moedas, que são quantitativamente muito menos relevantes do que as notas.
Em dezembro de 2023, existiam 1 567 200 milhões de euros em notas e 33 500 milhões de euros em moedas denominadas em euros em circulação, de acordo com as próprias estatísticas da agência.
Entre os principais riscos da adoção do euro digital estão os riscos de reputação e os que decorrem da dependência da nova moeda, com infraestruturas e instalações altamente suscetíveis a ataques cibernéticos.
Neste sentido, o relatório observa que o Banco de Compensações Internacionais lançou o "Projeto Polaris" para apoiar os bancos centrais na conceção, implementação e operação de sistemas CBDC seguros e resilientes, para "mitigar os riscos operacionais, legais e de reputação que enfrentam devido a ciberameaças ou falhas operacionais".
Fonte: Jornal de Negócios, 19 de abril de 2025

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