Escândalo no Reino Unido: divulgado esquema milionário e secreto após grande falha de segurança do governo

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É um escândalo no Reino Unido que já motivou o ministro da Defesa a vir pedir desculpas em pleno Parlamento. Um erro do governo britânico permitiu a fuga de dados de cerca de 30 mil afegãos que procuravam sair do Afeganistão para o Reino Unido logo após a subida dos Talibãs ao poder, em agosto 2021.

De acordo com os meios de comunicação do Reino Unido, o ministério da Defesa escondeu esta informação por quase dois anos, tentando abafar a fuga de informação e as suas consequências com um plano milionário.

Por isso mesmo, o anterior governo, liderado por Rishi Sunak, montou um esquema secreto no valor de mais de dois mil milhões de euros para realocar o máximo de pessoas que pudessem estar em risco de sofrer represálias do grupo islâmico, que voltou a dominar o Afeganistão em 2021.

Esta terça-feira, uma ordem do Supremo Tribunal de Londres acabou por levantar uma megaprovidência cautelar que tinha sido interposta pelo ministério da Defesa em 2023. E foi isso que permitiu que o público ficasse a conhecer todo o esquema.

O juiz Martin Chamberlain descreveu o custo de todo o plano como “o tipo de dinheiro que faz a diferença nos gastos do governo e que é normalmente alvo de debate político”. Mas não foi, bem pelo contrário.

“Membros do Parlamento, incluindo o presidente, e eu mesmo, foram sujeitos a esta megaprovidência cautelar. Não tem precedentes e, para ser claro, o tribunal sempre reconheceu os privilégios desta casa e os ministros decidiram não contar este incidente aos deputados numa primeira fase, porque iria aumentar o risco de os Talibãs obterem o conjunto de dados”, referiu o ministro da Defesa, John Healey, pedindo desculpa por um “erro grave”.

A base de dados que acabou por ser tornada acessível continha informações sobre cerca de 33 mil afegãos que tinham ligações ao Reino Unido, e que queriam escapar do Afeganistão com as suas famílias.

“Contém nomes e detalhes de contactos e, em alguns casos, informação relativa a membros das famílias dos candidatos”, acrescentou John Healey, admitindo que entre as pessoas cujos dados foram divulgados estão deputados e altos membros do governo ou das Forças Armadas do Afeganistão.

Os dados acabaram publicados por engano de um responsável da Defesa, que os partilhou numa página de Facebook. Quando o ministério da Defesa percebeu, interpôs de imediato, ainda em setembro de 2023, uma providência cautelar para impedir a divulgação do caso. Uma ação que foi esta terça-feira revogada.

O juiz Mike Chamberlain, que concordou com a providência cautelar inicial, referiu que o ministério da Defesa avisou para os riscos de que “muitos milhares” dos que estavam nas listas podiam ser “mortos ou feridos”.

Mas no mês passado foi elaborado um relatório que concluiu que era “improvável” que os dados divulgados pudessem mudar a vida das pessoas expostas.

O governo trabalhista liderado por Keir Starmer já exigiu o fim da Rota de Resposta Afegã (como o programa ficou conhecido), o que deverá poupar quase 1,5 mil milhões de euros ao Reino Unido.

Quanto ao futuro, o ministro da Defesa quis garantir a todos aqueles que precisarem de ajuda que podem contar com o governo.

Fonte: CNN Portugal, 15 de julho de 2025

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