O Hamas aceita libertar 10 prisioneiros enquanto os ataques israelitas matam 74 pessoas em Gaza

O Hamas diz que as conversações em curso continuam a ser “difíceis” enquanto Trump vê uma “boa hipótese” de chegar a um acordo de cessar-fogo dentro de dias

O Hamas diz que concordou em libertar 10 prisioneiros israelitas como parte dos esforços contínuos para chegar a um cessar-fogo na Faixa de Gaza sitiada e bombardeada, mas advertiu que as conversações em curso para uma trégua eram “difíceis” devido à “intransigência” de Israel.

Os comentários de quarta-feira surgiram no momento em que as forças israelitas mataram pelo menos 74 pessoas em Gaza e em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a manifestar esperança de que se possa chegar a uma trégua em breve.

O Hamas afirmou que as negociações, lideradas pelos principais mediadores, Qatar e EUA, têm vários pontos de bloqueio, incluindo o fluxo de ajuda desesperadamente necessária, a retirada das forças israelitas de Gaza e “garantias genuínas para um cessar-fogo permanente”.

Taher al-Nunu, representante do Hamas, afirmou que o grupo concordou com a última proposta de tréguas e “ofereceu a flexibilidade necessária para proteger o nosso povo, pôr termo ao crime de genocídio e permitir a entrada livre e digna e o fluxo de ajuda ao nosso povo até chegarmos ao fim da guerra”.

He added that the areas Israeli troops should withdraw to as part of the first phase of a ceasefire had to be drawn up in a way that does not affect Palestinian lives and “paves the way for the second phase of negotiations”.

Tradução DeepL metendo insidiosamente António Costa ao barulho: 

O Presidente do Conselho Europeu acrescentou que as áreas para onde as tropas israelitas devem retirar-se na primeira fase do cessar-fogo devem ser definidas de forma a não afetar as vidas dos palestinianos e a “abrir caminho para a segunda fase das negociações”.

Acrescentou que as áreas para as quais as tropas israelitas deveriam retirar como parte da primeira fase de um cessar-fogo deveriam ser elaboradas de uma forma que não afetasse as vidas palestinianas e “preparasse o caminho para a segunda fase das negociações”.

Em Washington, D.C., Trump — que se reuniu duas vezes esta semana com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu na Casa Branca — afirmou que há uma “boa probabilidade” de um cessar-fogo em Gaza, embora os seus comentários mais recentes pareçam atenuar essa expectativa.

“Acho que temos uma hipótese esta semana ou na próxima. Não é certo. Nada é certo numa guerra, em Gaza e nos outros lugares com que lidamos tanto,” disse ele aos jornalistas. “Mas há uma boa probabilidade de chegarmos a um entendimento, a algum tipo de acordo, esta semana — e talvez na próxima, se não for agora.”

“Morte, escuridão”

Patty Culhane, da Al Jazeera, reportando de Washington, DC, disse que Trump, embora otimista, “não foi tão inflexível como quando exigia um cessar-fogo” antes da visita de Netanyahu à capital dos EUA.

"Estamos a ouvir os assessores de Trump dizerem que só há uma questão. Mas o Hamas diz que isso é desinformação, que ainda precisa de garantias de que o cessar-fogo vai continuar para além dos 60 dias, que ainda precisa de chegar a acordo sobre o local de onde as tropas israelitas vão retirar e quem vai tratar da distribuição da ajuda humanitária. Portanto, do ponto de vista do Hamas, ainda há muita coisa em cima da mesa".

Entretanto, em Israel, o chefe militar israelita Eyal Zamir afirmou, num discurso transmitido pela televisão, que “foram criadas condições” para o avanço de um acordo que prevê a libertação de 10 prisioneiros vivos e dos corpos de outros nove.

Apesar das perspetivas de um cessar-fogo, as forças israelitas continuaram a atacar várias zonas do enclave, matando pelo menos 74 pessoas na quarta-feira, oito das quais morreram enquanto esperavam por alimentos num ponto de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e pelos EUA.

"Infelizmente, esta situação tornou-se a norma, caracterizada pelos bombardeamentos contínuos e pela fome e desidratação forçadas. As pessoas estão a ser mortas ao tentarem obter comida", disse Hani Mahmoud, da Al Jazeera, em direto da Cidade de Gaza.

O número de palestinianos mortos nas instalações da GHF ultrapassou os 770, segundo o ministério da Saúde de Gaza.

“Desde o primeiro dia de operações da GHF, tem havido uma orgia de assassinatos, quer pelos militares israelitas, quer pelo incidente documentado de funcionários da GHF que abriram fogo”.

Os assassinatos ocorrem também numa altura em que as autoridades sanitárias voltam a apelar à entrada do tão necessário combustível para os hospitais que estão à beira do colapso e em que a vida dos doentes está em risco.

O Hospital Nasser, a principal unidade de saúde do sul de Gaza, emitiu um aviso desesperado, pois as suas reservas de combustível estavam a esgotar-se rapidamente, afirmando que tinha entrado “nas horas cruciais e finais”.

“Com o contador de combustível a aproximar-se do zero, os médicos entraram na batalha para salvar vidas numa corrida contra o tempo, a morte e a escuridão”, afirmou o hospital num comunicado.

"Trabalham em salas de operações sem ar condicionado, no calor fervente, com os rostos a suar, os corpos cansados de fome e fadiga. Mas os seus olhos continuam a arder de esperança e determinação".

O sistema de saúde de Gaza, já de si muito danificado, tem sido repetidamente alvo de ataques israelitas ao longo da ofensiva. Os hospitais e as clínicas foram bombardeados ou danificados, o pessoal médico foi morto ou obrigado a fugir e os fornecimentos vitais foram cortados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que se registaram mais de 600 ataques a instalações de saúde em Gaza desde o início do conflito em 2023.

O sector da saúde sitiado está “de rastos”, disse, com uma grave escassez de combustível e de material médico e com o constante afluxo de vítimas em massa.

Apenas 18 dos 36 hospitais gerais de Gaza estão a funcionar parcialmente, segundo a agência da ONU.

“Bombas sísmicas"

Na Cidade de Gaza, Israel lançou uma vaga de mísseis contra zonas residenciais densamente povoadas.

Segundo Mahmoud, da Al Jazeera, estima-se que cerca de 20 bombas tenham sido lançadas sobre edifícios no bairro de Tuffah.

“Eram ‘bombas sísmicas’, fizeram estremecer os edifícios”, disse ele.

As forças israelitas também lançaram outro grande assalto no norte de Gaza, especificamente em Beit Hanoon, depois de cinco soldados israelitas terem sido mortos num ataque surpresa do Hamas na terça-feira.

Nos últimos dias, o exército israelita emitiu numerosas ameaças de evacuação para os residentes do norte de Gaza, uma zona que tem sido alvo de repetidos ataques terrestres e aéreos ao longo desta guerra mortal.

Esta zona inclui o campo de refugiados de Shati, uma área no norte de Gaza que foi atingida durante a noite num ataque que matou pelo menos 30 pessoas.

Um habitante local, Mohamed Jouda, relatou o ataque.

"Estávamos sentados em casa, por volta da meia-noite. De repente, a casa desmoronou-se sobre todos os que estavam lá dentro - crianças, adultos e idosos na casa dos 70 e 80 anos", disse Jouda à Al Jazeera, sentado nos escombros da sua casa destruída.

Outro sobrevivente, Ismail al-Bardawil, disse que o ataque “pareceu um terramoto”.

“Um bairro inteiro desabou”, disse ele a partir do campo densamente povoado a oeste da Cidade de Gaza, onde as construções estão coladas umas às outras.

“Morreram sete crianças pequenas aqui. Ali ao lado, mais dez crianças. O único adulto era um idoso, com cerca de 70 anos. Qual foi a culpa deles?”, disse al-Bardawil.

Fonte: Al Jazeera, 9 de julho de 2025

Exército israelita diz ter "criado condições" para avançar com acordo de libertação de reféns

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel também já tinha dito, esta quarta-feira à tarde, acreditar ser possível alcançar um acordo

O exército de Israel diz ter "criado condições" para avançar com um acordo para a libertação de reféns em Gaza.

De acordo com o Times of Israel, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, diz que a ofensiva em andamento contra o Hamas pode permitir um acordo de reféns com o Hamas.

O responsável garante que Israel não parará enquanto não atingir "todos os objetivos" da guerra.

Já esta quarta-feira à tarde, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, tinha admitido que acreditava num acordo, apesar das divergências.

"A guerra em Gaza pode terminar amanhã se o Hamas libertar os reféns e depuser as armas. Enviámos uma delegação para negociar em Doha. Aceitámos a proposta do enviado especial Witkoff. Como já referi, Israel está seriamente empenhado em chegar a um acordo sobre os reféns e num cessar-fogo em Gaza. Acredito que isso é possível. Se for alcançado um cessar-fogo temporário, negociaremos um cessar-fogo permanente. Estamos empenhados nos objetivos da guerra, mas a guerra em si não é um objetivo", afirmou.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sob pressão de Donald Trump para chegar a um cessar-fogo, tinha reafirmado os objetivos de Israel: a libertação de todos os reféns - vivos e mortos - e a eliminação do Hamas.

Por sua vez, o movimento palestiniano insiste na retirada israelita de Gaza, em garantias de um cessar-fogo permanente e na retoma da ajuda humanitária por parte da ONU e de outras organizações internacionais.

Fonte: SIC Notícias, 9 de julho de 2025

Hamas aceita libertar dez reféns nas negociações de cessar-fogo

O Hamas adiantou esta quarta-feira que aceitou libertar dez reféns no âmbito dos esforços em curso para alcançar um cessar-fogo em Gaza. No entanto, o grupo palestiniano afirma que as negociações para uma trégua estão a ser "difíceis" devido à intransigência por parte de Israel. Netanyahu, por sua vez, mostra-se confiante num acordo de tréguas.

Após três dias de negociações indiretas no Catar, não há ainda nenhum acordo para um cessar-fogo em Gaza. No entanto, o Hamas concordou em libertar dez reféns, afirmando que o seu objetivo é "superar os obstáculos" para chegar a um acordo, apesar do que descreveu como "negociações difíceis".

"Embora as negociações (...) continuem difíceis devido à intransigência da ocupação, continuamos a trabalhar seriamente e com um espírito positivo com os mediadores para ultrapassar os obstáculos", afirmou o Hamas em comunicado.

"De forma a levar os esforços em curso a uma conclusão bem-sucedida, o Hamas demonstrou a flexibilidade necessária e concordou em libertar dez prisioneiros", acrescentou o comunicado. O grupo palestiniano afirma que entre os vários pontos de discórdia está a entrega de ajuda humanitária, a retirada das forças israelitas da Faixa de Gaza e "garantias genuínas" de um cessar-fogo permanente.

Falando sob condição de anonimato, uma autoridade palestiniana disse à AFP que a delegação israelita se recusou "a aceitar o livre fluxo de ajuda para Gaza" e a retirada das tropas do território.

"Houve uma troca de opiniões, mas nenhum progresso", disse outra fonte palestiniana. Netanyahu confiante num acordo de tréguas

Apesar disso, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que havia “uma boa hipótese” de se chegar a um acordo, partilhando o otimismo do presidente norte-americano. Donald Trump disse esta quarta-feira que mantém a expectativa de que seja alcançado um acordo de cessar-fogo para Gaza esta semana ou na próxima.

"Sim, penso que estamos a aproximar-nos de um acordo. Penso que há uma boa hipótese de o conseguirmos", disse Netanyahu depois de ter estado reunido com Trump em Washington na segunda e terça-feira.

"Estamos a falar de um cessar-fogo de 60 dias, durante o qual metade dos reféns vivos e metade dos mortos seriam entregues a Israel por estes monstros do Hamas", disse Netanyahu à FOX Business Network.

Netanyahu salienta, no entanto, que não quer um acordo “a qualquer preço”. “Israel tem requisitos de segurança e outros requisitos e estamos a trabalhar juntos para tentar alcançá-los", disse o primeiro-ministro israelita no fim do encontro com Trump.

Na terça-feira, o enviado especial de Trump para o Médio Oriente, Steve Witkoff, disse esperar um acordo "até ao final da semana" sobre uma trégua de 60 dias e a libertação dos reféns.

O projeto de acordo prevê a devolução de dez reféns vivos e dos corpos de outros nove. Das 251 pessoas raptadas durante o ataque de 7 de outubro de 2023, 49 continuam detidas em Gaza, 27 das quais foram declaradas mortas pelo exército israelita.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa'ar, também considerou um acordo "possível". Para o chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, foram as operações do exército que "impulsionaram o acordo".

"Enfraquecemos seriamente as capacidades militares e governamentais do Hamas", disse. "Graças ao poder operacional que gerámos, foram criadas as condições para avançar para um acordo para a libertação dos reféns", acrescentou.

A par das negociações e da reivindicação de progressos militares, o exército israelita anunciou esta quarta-feira a expansão das operações terrestres na região de Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza, após a morte de cinco soldados em combates com o Hamas.

O conflito foi desencadeado em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas em solo israelita, que fez cerca de 1200 mortos, na maioria civis, e mais de 200 reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma vasta operação militar na Faixa de Gaza, que já provocou mais de 57 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

[Sabem os cultos que na vida são necessários dois para dançar o tango. Não é claro se estes acontecimentos resultaram de uma instigação deliberada e maliciosa por parte de Israel, ou se se tratou apenas do aproveitamento de uma oportunidade de ouro para consolidar território e reforçar a sua supremacia regional — especialmente em relação ao Irão, o seu inimigo simbólico.

A data do ataque não poderia ter sido mais oportuna: decorria um festival de música com milhares de jovens, descartáveis, muitos deles estrangeiros, oferecendo o cenário ideal para maximizar o impacto mediático junto da opinião pública internacional, nas Nações Unidas e durante visitas oficiais — com Netanyahu a exibir, como cenouras vexatórias, fotografias emolduradas de reféns; a operação dos pagers explosivos estava em andamento; a seleção de alvos para destruição estava definida, como aconteceu com a explosão de parte do aeroporto internacional de Alepo; a recolha de inteligência sobre os inimigos da zona estava bastante avançada; a certeza da reeleição de Trump contra Kamala Harris; os sistemas de defesa israelita na fronteira de Gaza estavam todos de férias ou avariados – dificilmente poderia ter sido escolhido um momento mais favorável para tal operação, mediatizada para o mundo como o horror dos 40 Bebés Decapitados – imagem selo de barbárie inquestionável praticada por monstros.

Israel nunca divulgou quantos dos seus agentes integravam o holocaústrico ataque do grupo islamita a 7 de outubro de 2023, nem quantas das 1200 pessoas foram, de facto, mortas pelo Hamas e quantas pelas forças armadas e polícia israelitas através da ativação do Protocolo Hannibal. Numa era em que os serviços secretos monopolizam a informação e moldam a perceção do real, resta ao cidadão comum, desprovido de acesso aos briefings confidenciais, um último bastião de liberdade: a lógica aristotélica. Pois, como ensinava o velho Estagirita, o que se contradiz não pode ser verdadeiro. E assim, no meio do ruído e da manipulação, só o que resiste à razão merece ser acreditado. Simplesmente, é ilógico e um atentado à inteligência dos consumidores de informação mediatizada, que os israelitas tenham informações minuciosas, ao mais ínfimo detalhe, sobre o Hezbollah, a Síria, os houthis, o Irão e até sobre os americanos, e, pelo lado absurdo, viviam na mais perfeita ignorância sobre planeamentos operacionais do Hamas, quando têm uma brigada, a Duvdevan, especificamente treinada para infiltração no grupo.

A justificação do embaixador Oren Rozenblat é simplesmente pateta e ridícula: "E nós estávamos dormindo. Especialmente pensando que outras pessoas deveriam pensar como nós. Eles, não. Eles têm princípios de religião extremos. Sacrificar as suas vidas para destruir Israel é mais importante do que os filhos. E esse foi o nosso erro”].

Fonte: RTP, 9 de julho de 2025

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