Rangel alerta que priorizar Rússia nas negociações pode prolongar conflito na Ucrânia
Perry Mason (1957-1966) – Leslie Parrish
O
ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros insistiu que "a única
maneira" de se resolverem as diferenças é "através do diálogo,
primeiro uns com os outros, com a Ucrânia, é claro, e depois com a Rússia"
O chefe da diplomacia portuguesa advertiu esta terça-feira
que dar prioridade à Rússia nas conversações para acabar com a guerra na
Ucrânia pode criar condições para um "conflito persistente", num
encontro com legisladores luso-americanos em Lisboa.
"Nenhum de nós quer uma
vitória russa na Ucrânia; todos nós queremos a paz. Mas há
diferenças quanto à forma como alcançaremos esses objetivos a longo
prazo", defendeu Paulo Rangel, numa intervenção no encontro "IX
Luso-American Legislators Dialogue", na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento
(FLAD).
No discurso, a que a Lusa teve acesso, o ministro de Estado
e dos Negócios Estrangeiros insistiu que "a
única maneira" de se resolverem essas diferenças é "através do
diálogo, primeiro uns com os outros, com a Ucrânia, é claro, e depois com a
Rússia".
"Inverter essa ordem é deixar questões sem solução,
deixar feridas abertas e criar as condições para um conflito persistente",
avisou.
Rangel notou que os Estados Unidos (EUA) "são fortes o
suficiente para intervir de forma decisiva em vários conflitos, sem envolver os
seus aliados europeus", como fez recentemente no Irão, mas "muitas
vezes não foram bons em manter a paz sem envolver os seus aliados".
O governante abordou também a
guerra comercial entre os EUA e a
Europa, após a decisão do presidente Donald Trump de aumentar as tarifas aos
países da União Europeia, medida à qual a Comissão Europeia prometeu retaliar.
Rangel pediu que o comércio seja "um elemento que
una", defendendo que "o protecionismo não é uma receita para a
prosperidade".
"Infelizmente, estamos a entrar numa situação em que o
protecionismo é a regra, não a exceção, e será difícil reduzir as tarifas, os
subsídios e a regulamentação. Isto não é bom para ninguém", avisou.
Para Rangel, o comércio livre
teve "alguns efeitos
negativos", mas "o resultado líquido é
esmagadoramente positivo".
"Como aliados, não podemos dar-nos como garantidos e
certamente não podemos assumir que as gerações futuras irão beneficiar das
perturbações que provocamos, voluntária ou involuntariamente", sustentou.
Na intervenção, o ministro português destacou o "enorme sucesso" da cimeira da NATO que decorreu na semana passada em Haia, nos
Países Baixos, e em que foi decidido o aumento das contribuições para 5% do
Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados-membros até 2035.
"Reafirmámos o nosso compromisso mútuo como aliados,
numa altura em que muitos -- especialmente os nossos concorrentes -- questionam
esse compromisso", considerou.
"Estamos cientes da
necessidade de fazer mais, uma vez que as ameaças persistem e até se
intensificam. Reconhecemos que nem todos os aliados estão na mesma situação,
mas também percebemos que a nossa força vem da unidade", salientou.
A decisão da NATO contou com a voz dissidente de Espanha,
cujo chefe do Governo, Pedro Sánchez, garantiu que o investimento em defesa não
ultrapassaria os 2,1% do PIB.
Fonte: SIC Notícias, 1 de julho de 2025


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