Trump cria banco de dados secreto para controlar eleitores e levanta polémica sobre privacidade
Tracker - Pej Vahdat, Kaylah Zander
Sem alarido, e sem consulta pública, a administração Trump
ergueu um arquivo central com os nomes e os "números" de milhões. O
Departamento de Segurança Interna (DHS), em colaboração com o recém-criado
DOGE, o departamento para a eficiência governamental, reuniu dados de
imigração, da segurança social e, em breve, de departamentos de veículos
motorizados (DMV), para formar a primeira base de dados nacional de cidadania
dos Estados Unidos.
A plataforma, que surge da expansão do programa SAVE
(Systematic Alien Verification for Entitlements, em português "Verificação
Sistemática de Estrangeiros para Direitos"), permite às autoridades locais
e estaduais cruzar nomes de eleitores com registos de cidadania, num esforço que o governo justifica como forma de
combater a fraude eleitoral –
ainda que os especialistas sublinhem que essa prática é rara e punida por lei.
A nova ferramenta dispensa a verificação direta de
documentos por parte dos eleitores. Agora, bastará uma pesquisa num motor
centralizado, com acesso facilitado a dados antes dispersos em agências
estatais. Segundo o DHS, a integração com a segurança social melhora
“significativamente” a eficácia do programa.
Mas há quem veja mais do que eficiência. O DOGE, sob a liderança de Trump e da secretária de
Segurança Interna Kristi Noem, tem vindo a consolidar dados pessoais — incluindo da Receita Federal — com o pretexto
de combater fraudes. Grupos de privacidade e sindicatos já avançaram com
processos. Num deles, um juiz federal ordenou a suspensão temporária da
partilha de dados da Segurança Social com o DOGE, por considerar que se trata
de uma “intrusão injustificada na vida privada de milhões de americanos”.
Além disso, a Lei da Privacidade de 1974 exige que o público
seja informado sempre que uma agência federal muda a forma como recolhe ou
utiliza dados pessoais — o que não terá acontecido. Para Citlaly Mora, da
organização Just Futures Law, citado pelo Guardian, “esta base de dados
é a mais recente tentativa de usar a informação de milhões como arma política,
sem transparência nem respeito pelos direitos de privacidade”.
A polémica adensa-se com a revelação de que a empresa Palantir poderá
estar envolvida no desenvolvimento de um “mega-database” que agregaria dados
fiscais e outra informação sensível. A empresa nega. Mas, para dez
congressistas democratas, a possibilidade de um arquivo consultável com dados
de todos os americanos é “um pesadelo de vigilância”.
Fonte: CNN Portugal, 1 de julho de 2025
Trump recorre à Palantir para criar uma base de dados-mestre sobre todos os americanos
O plano distópico de Trump já está em marcha
A administração Trump está a recolher dados sobre todos os cidadãos americanos, e contratou a empresa de análise de dados Palantir para o fazer.
Segundo o New York Times, o presidente Trump recorreu à empresa — fundada pelo multimilionário de extrema-direita Peter Thiel — para executar a sua ordem executiva de março, que instrui as agências governamentais a partilharem dados entre si. Esta ordem aumentou os receios de que o governo esteja a montar uma base de dados destinada a exercer poderes de vigilância sobre a população americana.
Desde então, a administração tem mantido um silêncio quase total sobre estas iniciativas, o que só aumentou as suspeitas. Entretanto, a Palantir já recebeu mais de 113 milhões de dólares em fundos públicos desde que Trump tomou posse, através de contratos existentes e novos contratos com os Departamentos de Defesa e de Segurança Interna. Espera-se que esse valor continue a crescer, especialmente tendo em conta que a empresa ganhou na semana passada um novo contrato de 795 milhões de dólares com o Departamento de Defesa.
A Palantir está em conversações com várias outras agências do governo federal, incluindo a Administração da Segurança Social (SSA) e a Autoridade Tributária (IRS), com vista à aquisição da sua tecnologia, segundo o New York Times. A ferramenta Foundry da Palantir, que analisa e organiza dados, já está a ser utilizada no Departamento de Segurança Interna (DHS), no Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e em pelo menos outras duas agências, permitindo à Casa Branca compilar dados de diferentes fontes.
Os esforços da administração para compilar dados começaram no âmbito da iniciativa do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderada por Elon Musk, que procurava obter dados pessoais dos cidadãos americanos junto de múltiplas agências, incluindo o IRS, a SSA, o Serviço de Recrutamento (Selective Service), o Medicare e muitas outras. Em alguns casos, ordens judiciais limitaram essas tentativas — mas não em todos.
Peter Thiel tem vários laços com o DOGE, tanto através de Elon Musk como por via de muitos dos seus antigos colaboradores, que trabalham neste esforço ou ocupam outros cargos na administração Trump. E esta operação de recolha de dados poderá conceder a Thiel, Musk e Trump um poder sem precedentes sobre os cidadãos americanos, permitindo ao presidente punir mais facilmente os seus críticos e visar imigrantes.
Defensores da privacidade, associações estudantis e organizações de defesa dos direitos laborais estão entre os que intentaram ações judiciais para travar os esforços de recolha de dados promovidos por Trump. O envolvimento da Palantir também concede a uma poderosa empresa tecnológica acesso a esses dados, e o seu CEO, Alex Karp, não tem propriamente uma agenda benigna — ambiciona lucrar com o tecno-militarismo americano. Musk, por sua vez, também tem planos para os dados governamentais, utilizando a sua inteligência artificial, Grok, para os analisar. Conseguirá alguém travar Trump e estes oligarcas tecnológicos?
Fonte: New Republic, 30 de maio de 2025

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