Universidade nos EUA suspende e expulsa alunos que protestaram pela Palestina
Perry Mason
(1957-1966) – Katherine Squire
Chefe
da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, chamou os estudantes de "bandidos
pro-Hamas" quando estes ocuparam a biblioteca Butler da Columbia, em Nova
Iorque, em maio contra os ataques israelitas na Faixa de Gaza
A universidade de Columbia anunciou na terça-feira a
imposição de sanções individuais a cerca de 80 estudantes, que tinham ocupado
em maio uma biblioteca para denunciar os ataques israelitas na Faixa de Gaza.
Nos últimos meses, realizaram-se importantes movimentos de
contestação dos bombardeamentos israelitas à Faixa de Gaza, o que levou os seus
participantes a serem acusados de 'antissemitismo' pelo governo de Donald
Trump.
No início de maio, cerca de 80 pessoas ocuparam a biblioteca
Butler da Columbia, em Nova Iorque, ação condenada pela presidência da
universidade, que chamou imediatamente a polícia.
O chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, qualificou então
os manifestantes como "bandidos pro-Hamas".
A comissão dos Assuntos Jurídicos de Columbia impôs as
sanções a alguns dos seus estudantes, considerando o seu grau de envolvimento e
o facto de terem já sido ou não sancionados, adiantou-se em um comunicado da
instituição, divulgado na terça-feira.
"Qualquer perturbação das atividades universitárias
constitui uma violação das políticas e do regulamento da universidade, que
implicam necessariamente consequências", adiantou-se no mesmo texto.
A universidade não detalhou as medidas individuais, mas
sublinhou que incluíam "suspensões de até três anos" e
"expulsões".
Estas medidas foram anunciadas quando Trump acentua as
pressões sobre as universidades, congelando, no caso de Colúmbia, centenas de
milhões de dólares de subvenções federais.
Sanções acontecem no meio de negociações para recuperar
financiamento
De acordo com a Associated Press, a tomada de decisão
da universidade acontece precisamente num momento em que decorrem negociações
com o presidente norte-americano para recuperar 400 milhões de dólares (cerca
de 341 milhões de euros) em financiamento federal.
Donald Trump retirou subvenções e cancelou contratos em
março devido à forma como esta lidou com os protestos dos estudantes contra a
guerra em Gaza, acusando mesmo a universidade de fracasso em reprimir o
antissemitismo no campus durante a guerra Israel-Hamas.
Em junho, o Departamento de Educação norte-americano
notificou a Comissão de Ensino Superior de que a Universidade de Columbia
"violou as leis federais antidiscriminação e, por isso, não cumpriu os
requisitos para a acreditação", pode ler-se na nota.
"Esperamos que a Comissão informe o Departamento sobre
as medidas que serão tomadas para garantir que a Columbia cumpre as normas de
acreditação", acrescentou McMahon.
Um porta-voz da Columbia disse à agência France-Presse
(AFP) que a universidade estava "consciente das preocupações do
Departamento de Educação", que foram discutidas diretamente com a Comissão
de Ensino Superior.
"A Columbia está profundamente empenhada no combate ao
antissemitismo no seu campus. Levamos este problema a sério e continuamos a
trabalhar com o governo federal para o resolver."
A retirada da acreditação poderá significar a perda de todo
o financiamento federal para a Columbia. O corte de 400 milhões de dólares em
fundos federais aconteceu no início de março, valor que a escola quer agora
recuperar.
Presidente da universidade acusada de
"colaboração" com Trump
No final de maio, a presidente de Columbia foi assobiada,
durante uma cerimónia de entrega de diplomas, por estudantes que lhe criticavam
a cedência às pressões do governo e de não ter impedido a detenção de Mahmoud
Khalil.
Esta figura do movimento pró-palestiniano tinha sido detida
em março, em uma residência da universidade, e colocado em um centro de
detenção federal, no Estado da Luisiana. Khalil foi libertado, mas ainda
arrisca a expulsão.
O comité de Columbia de apoio à campanha de boicote a Israel
denunciou sanções "históricas" e acusou a presidente da universidade
"colaboração" com o governo de Trump.
Detalhou ainda que os
estudantes suspensos têm de apresentar desculpas para poderem regressar à
universidade, sem as quais serão expulsos "de facto".
Cerca de um ano antes deste protesto de maio, a polícia
nova-iorquina tinha desalojado estudantes pró-palestinianos barricados em um
edifício da universidade, epicentro de um movimento de contestação que exigia
às universidades que cortassem as relações com as empresas ligadas a Israel.
Fonte: SIC Notícias, 23 de julho de 2025
O estado a que chegou o ensino superior nos Estados Unidos: outrora berços da resistência à guerra do Vietname e bastiões da contracultura, universidades como UC Berkeley e Columbia foram, durante as décadas de 1960 e 70, símbolos vibrantes da contestação. Berkeley viu nascer o Free Speech Movement em 1964, com figuras como Mario Savio a liderarem protestos contra as restrições à liberdade de expressão e a mobilizarem massas estudantis contra a máquina de guerra norte-americana. O Vietnam Day Committee, por exemplo, transformou o campus num verdadeiro centro de insubordinação civil. Em 1968, na Columbia University, estudantes ocuparam edifícios como o emblemático Hamilton Hall, protestando contra o envolvimento da universidade em projetos militares e contra a gentrificação violenta do Harlem, simbolizada pela construção de um ginásio segregado. A repressão policial foi brutal, mas o impacto político foi duradouro.
Hoje, essas mesmas instituições já não contestam, dobram-se de rabo para o ar para melhor entrar o dinheiro de Israel. As administrações universitárias, cada vez mais dependentes de doações milionárias, silenciam vozes críticas para agradar a poderosos interesses, sobretudo os lobbies pró-Israel. Sem shekels não há ensino americano.

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