700 milhões de dólares no subsolo: como o Hamas financia os salários dos funcionários
Crank: High
Voltage (2009) - Jason Statham
A BBC publicou uma reportagem
detalhada na qual revelou que, apesar da guerra que dura há quase dois anos, o
Hamas continua a pagar salários a cerca de 30 mil funcionários civis através de
um sistema secreto baseado em dinheiro, cujo valor total ascende a cerca de
sete milhões de dólares, segundo o relato.
A BBC disse ter falado com três funcionários civis em Gaza,
que confirmaram ter recebido recentemente cerca de 300 dólares cada um,
indicando que se acredita que eles estejam entre as dezenas de milhares de
funcionários que recebem até 20% dos seus salários originais a cada dez
semanas, aproximadamente.
Mensagens encriptadas e pontos secretos
De acordo com o relatório, o
sistema baseia-se no envio de mensagens encriptadas para os telemóveis dos
funcionários ou dos seus cônjuges, pedindo-lhes que se dirijam a um local e
hora específicos para "tomar chá com um amigo". À chegada,
o funcionário recebe de um desconhecido um envelope selado contendo o dinheiro,
que desaparece imediatamente.
O relato cita o testemunho de um funcionário do ministério
para os Assuntos Religiosos, afiliado ao Hamas (que não quis ser identificado
por razões de segurança), que disse: "De cada vez que vou receber o meu
salário, despeço-me da minha mulher e dos meus filhos, porque sei que posso não
voltar", afirmou, acrescentando que sobreviveu a um bombardeamento
israelita que tinha como alvo um ponto de distribuição de salários num mercado
movimentado da cidade de Gaza.
Salários parcelados e notas gastas
De acordo com a BBC, um dos funcionários - identificado pelo
pseudónimo "Alaa", um professor que sustenta uma família de seis
pessoas - disse que recebeu recentemente 1000 shekels (cerca de 300 dólares),
mas que a maior parte do montante era em notas gastas que os comerciantes se
recusavam a aceitar, acrescentando: "Só consegui usar 200 shekels, e não
sei o que fazer com o resto".
"Após dois meses e meio de fome, estão a pagar-nos com
dinheiro rasgado", disse ainda, apontando também que frequenta os pontos
de distribuição de ajuda na esperança de conseguir farinha para os filhos.
Não existem detalhes confirmados sobre as fontes de
financiamento
De acordo com o relato, a
forma como o Hamas financia os salários permanece pouco clara,
especialmente após a destruição de grande parte da sua estrutura financeira e
administrativa. A BBC cita um antigo alto funcionário do Hamas, conhecedor da
estrutura financeira do grupo, que afirmou que o
Hamas tinha armazenado cerca de 700 milhões de dólares em dinheiro e centenas de milhões de shekels numa rede de
túneis antes do ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a operação
militar israelita em larga escala.
Segundo a mesma fonte, estes fundos estavam sob a supervisão
direta de Yahya al-Sinwar e do seu irmão Mohammed al-Sinwar, cujas mortes foram
posteriormente anunciadas por Israel.
Outras medidas financeiras durante a guerra
A reportagem avança ainda que, durante a guerra, o Hamas continuou a impor impostos aos comerciantes e a
vender cigarros a preços cem vezes superiores, referindo que um maço
de cigarros que era vendido a 5 dólares antes da guerra custa agora mais de 170
dólares.
Mencionou ainda que o movimento também distribuiu pacotes de
alimentos aos seus membros e às suas famílias através de comités locais de
emergência, cuja liderança está constantemente a mudar devido aos frequentes
ataques aéreos israelitas. De acordo com fontes em Gaza, citadas pela BBC, este
padrão de distribuição provocou grande indignação entre a população, uma vez
que o movimento foi acusado de restringir a ajuda aos seus apoiantes, enquanto
o Hamas negou as acusações.
Acusações de roubo de ajuda humanitária
Israel acusou o Hamas de ter roubado parte da ajuda
humanitária que entrou na Faixa de Gaza durante as recentes tréguas, uma
acusação que o grupo negou, mas a BBC disse ter
falado com fontes em Gaza que
confirmaram que o Hamas recebeu grandes quantidades de ajuda durante esse
período.
A reportagem incluiu o testemunho de Nisreen Khaled, uma
viúva e mãe de três filhos, que explicou: "Quando a fome se intensificou,
os meus filhos choravam não apenas de dor, mas também ao ver os nossos
vizinhos, membros do Hamas, a receber pacotes de alimentos e sacos de
farinha". E acrescentou: "Não foram eles que causaram o nosso
sofrimento? Porque não nos deram comida, medicamentos e água antes de lançarem
a investida de 7 de outubro?", acrescentou, segundo a BBC.
Fonte: Euronews, 7 de agosto de 2025
Este Hamas é o verdadeiro fenómeno do Entroncamento: dois anos a combater sem receber munições nem armas, e ainda tem dinheiro de sobra e tecido para confecionar fardas impecáveis. Será estudado por anos e anos em West Point e na Royal Military Academy Sandhurst.
A BBC desempenhou um papel central durante a Segunda Guerra Mundial, funcionando como um dos principais braços da propaganda ocidental, com transmissões cuidadosamente calibradas para sustentar o moral interno e influenciar públicos estrangeiros. A transição da propaganda para um jornalismo verdadeiramente informativo no pós-guerra revelou-se incompleta. Episódios subsequentes confirmaram a persistência de enviesamentos estruturais.
Em 1956, durante a Crise de Suez, a estação reproduziu a narrativa oficial de Londres e só anos mais tarde admitiu o seu papel na manipulação da informação. Nas décadas seguintes, a cobertura do conflito na Irlanda do Norte foi marcada por censura seletiva, silenciando vozes republicanas e aplicando regras de “equilíbrio” que, na prática, favoreceram a perspetiva do Estado britânico.
Já em 2003, na preparação da invasão do Iraque, a BBC recorreu a fontes quase exclusivamente alinhadas com o MI6 e com o governo de Tony Blair. O “Hutton Inquiry” expôs a sua vulnerabilidade à pressão política e mostrou como a linha editorial pode ser rapidamente ajustada para acomodar interesses governamentais.
Mais recentemente, a estação tem adotado padrões duplos na cobertura de protestos: descrevendo manifestações estrangeiras como expressão legítima de liberdade, enquanto suaviza ou omite a violência policial em território britânico.
Nos dias atuais, a sua fiabilidade é praticamente nula. A cobertura jornalística da guerra em Gaza mostra um padrão editorial enviesado — pesquisas do Centre for Media Monitoring evidenciaram que os mortos israelitas receberam 33 vezes mais cobertura que os palestinianos, mesmo quando estes sofreram brutalmente em número esmagador. O uso da linguagem é revelador: expressões como “massacre”, “murder” ou “atrocities” foram aplicadas quase exclusivamente aos israelitas, apesar da diferença esmagadora no número de vítimas.
Internamente, o descontentamento cresce: mais de 230 profissionais da comunicação, incluindo 101 funcionários anónimos da BBC, assinaram uma carta aberta denunciando a falta de jornalismo justo e baseado em factos e exigindo o restabelecimento da imparcialidade.


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