Benjamin Mileikowsky
Originalmente a família de Benjamin Netanyahu tinha o
apelido Mileikowsky.
O avô dele, Nathan Mileikowsky (ou Mileikovsky), nasceu no
final do século XIX no então Império Russo (atual Bielorrússia) e emigrou para
a Palestina Otomana no início do século XX. O pai de Netanyahu, Benzion
Mileikowsky, nasceu em Varsóvia em 1910 e mais tarde hebraizou o apelido para
Netanyahu — uma prática comum entre judeus na Palestina do Mandato Britânico e
depois em Israel, com o objetivo de adotar nomes hebraicos e aproximar a
identidade da família do renascimento cultural e linguístico judaico.
O filho, nascido em 1949, recebeu o nome Benjamin (em
hebraico בנימין, Binyamin), em homenagem a um dos filhos bíblicos de Jacó e
também por ser um nome muito usado no sionismo para reforçar ligações à
tradição bíblica.
O apelido Netanyahu (נתניהו), que significa literalmente
“Dom de Deus” ou “Deus deu”, tem origem hebraica e resulta da fusão de Natan
(נתן), que significa “deu”, com Yahu (יהו), uma forma abreviada de Yahweh, o
nome de Deus no Antigo Testamento. No caso de Benjamin Netanyahu, a sua família
usava originalmente o apelido Mileikowsky, de raízes judaicas da Europa de
Leste, e a mudança para um nome hebraico ocorreu num contexto político e
cultural mais vasto.
No período do Mandato Britânico da Palestina e nas primeiras
décadas do Estado de Israel, a adoção de nomes hebraicos tornou-se um fenómeno
comum entre líderes sionistas e famílias judaicas. A decisão de abandonar
apelidos europeus ou iídiche e substituí-los por nomes hebraicos visava afirmar
uma identidade nacional distinta da diáspora, criar uma continuidade simbólica
com a tradição bíblica e expressar o ideal político de renascimento cultural
judaico. O hebraico, até então uma língua litúrgica, estava a ser revitalizado
como língua nacional e os nomes hebraicos tornaram-se parte desse projeto de
regeneração.
Assim, personalidades como David Ben-Gurion, nascido David Grün, ou Golda Meir, nascida Golda Mabovitch, seguiram o mesmo caminho, transformando a onomástica pessoal num ato político. A mudança de Mileikowsky para Netanyahu deve, portanto, ser entendida não apenas como uma questão linguística, mas como parte de um movimento ideológico mais vasto, ligado à construção de uma nova identidade israelita enraizada na Bíblia e desligada da experiência europeia da diáspora.

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