EUA apontam degradação dos direitos humanos na UE e no Brasil e ignoram El Salvador
Perry Mason
(1957-1966) – Willard Sage, Margaret Hayes
O relatório anual do Departamento de Estado norte-americano sobre Direitos Humanos
apontou esta terça-feira "uma deterioração" em países europeus
e no Brasil, condescendendo com aliados do presidente dos Estados Unidos como
El Salvador ou Israel.
Na Alemanha, no Reino Unido e em França "a situação dos
Direitos Humanos deteriorou-se no último ano", destacou o documento
relativo a 2024 e que reflete as novas
prioridades da política externa do presidente republicano.
Em relação à França, o relatório, primeiro do novo mandato
de Donald Trump, visa especificamente "relatos credíveis de restrições
graves à liberdade de expressão" e o
aumento de atos de antissemitismo.
No caso do Reino Unido, é apontada uma nova lei de segurança
online, destinada a proteger as crianças, que recebeu fortes críticas da rede
social X, controlada por Elon Musk, até recentemente membro do executivo Trump.
O tom do relatório vai ao encontro de afirmações do
vice-presidente JD Vance, que em fevereiro consternou os alemães, e de modo
geral os europeus, num discurso em Munique, ao alegar que a liberdade de
expressão estava "a recuar" na Europa e a apoiar partidos como a AfD,
recentemente classificada como "extremista de direita" pelos serviços
de informações domésticos alemães.
Publicado desde 1977, o relatório anual do Departamento de
Estado é geralmente emitido na primavera, mas tinha
sido parcialmente escrito durante a anterior administração do democrata Joe
Biden, e foi alterado de acordo com orientações do novo chefe da diplomacia,
Marco Rubio, e de Trump, que tomou posse no final de janeiro.
"Os relatórios deste ano foram simplificados para serem
mais úteis e acessíveis na prática e pelos parceiros, e para responderem melhor
ao mandato legislativo subjacente e alinharem-se com as ordens executivas do
governo", de acordo com o texto.
Em relação a edições anteriores, desapareceram
os capítulos dedicados à corrupção e aos direitos LGBTI.
Israel
é apontado no relatório por execuções extrajudiciais de palestinianos, mas
elogiado por o governo ter tomado medidas para identificar os responsáveis por
abusos durante a ofensiva em Gaza, que fez dezenas de milhares de mortos.
Em relação a anos anteriores, são eliminadas as críticas à
reforma judicial do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu,
considerada um ataque à separação de poderes, bem como as referências ao caso
de corrupção.
Sobre El
Salvador, cujo presidente Nayib Bukele é um aliado próximo de Trump,
Washington garantiu não ter "nenhuma informação fidedigna que indique
abusos significativos dos direitos humanos".
Este país centro-americano tem sido particularmente
criticado por muitas organizações humanitárias pelos métodos empregues no
combate os gangues armados e pelas condições de detenção no Centro de Contenção
do Terrorismo (Cecot), para onde o executivo Trump começou recentemente a
enviar imigrantes deportados considerados "criminosos perigosos".
Alvo de críticas no relatório é o Brasil, de que Trump tem sido
particularmente crítico devido ao processo judicial em curso contra o antigo
aliado Jair Bolsonaro.
Os tribunais brasileiros "tomaram medidas excessivas e
desproporcionais para minar a liberdade de expressão (...) e o debate
democrático, restringindo o acesso a conteúdos online considerados
`prejudiciais para a democracia`", indicou o relatório.
O documento criticou ainda a alegada repressão
desproporcional à liberdade de expressão dos seguidores de Bolsonaro, bem como
a suspensão temporária da rede social X, que a Justiça do país lusófono decidiu
por alegada desinformação veiculada na plataforma.
Já na África
do Sul, e também na linha de críticas do próprio Trump, o relatório
afirmou que o governo deu "um passo muito preocupante no sentido da
expropriação de terras africânderes (minoria branca de origem europeia) e de
novas violações dos direitos das minorias raciais no país".
O documento sublinhou ainda que a situação dos direitos
humanos na Venezuela
"piorou significativamente", sobretudo após uma eleição presidencial
marcada por alegações de fraude eleitoral a favor de Nicolás Maduro.
Em relação à China, reiterou as acusações de genocídio contra a minoria
muçulmana uigur. No Irão,
relatou a execução de centenas de presos.
Fonte: RTP, 12 de agosto de 2025


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