EUA criticam prisão domiciliaria de Bolsonaro e ameaçam responsabilizar envolvidos
Crank: High
Voltage (2009) - Jason Statham, Bai Ling
Os Estados Unidos criticaram a prisão domiciliária do
ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro decretada na quarta-feira pelo juiz do
Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Alexandre de Morais, e prometeram
responsabilizar todos os envolvidos.
Numa nota divulgada nas redes sociais, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do
Departamento de Estado dos Estados Unidos
recorda que, apesar do juiz Alexandre de Morais “já ter sido sancionado
pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos, continua a usar as
instituições brasileiras para silenciar a oposição e
ameaçar a democracia”.
Os Estados Unidos consideram que “impor ainda mais
restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender publicamente não é um
serviço público”.
“Deixem Bolsonaro falar!”, lê-se na mesma
nota, na qual os Estados Unidos “condenam a ordem de Moraes que impôs prisão
domiciliária a Bolsonaro”, prometendo ainda que vão responsabilizar “todos
aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas”.
Esta declaração surge poucas horas depois do juiz do STF ter
decretado na segunda-feira prisão domiciliária para o ex-presidente brasileiro
por incumprimento de medidas cautelares impostas no processo de tentativa de
golpe de Estado, e depois da Polícia Federal ter realizado uma operação de
busca e apreensão, tendo apreendido o telemóvel de Jair Bolsonaro.
O ex-presidente permanece em casa com a obrigação de uso de
pulseira eletrónica, mas as medidas cautelares agravaram-se, estando agora
impedido de receber visitas na sua residência, com exceção de advogados e
pessoas autorizadas pelo STF.
Bolsonaro está também proibido de utilizar o telemóvel, ou
qualquer outro aparelho de comunicação, "diretamente ou por intermédio de
terceiros", de comunicar com autoridades estrangeiras e outros réus no
processo de tentativa de golpe de Estado.
O incumprimento destas medidas, avisou o juiz, levará a que
seja decretada "imediata prisão preventiva".
Em causa estão as manifestações em São Paulo e no Rio de
Janeiro no último domingo em apoio a Jair Bolsonaro e contra Alexandre de
Moraes, considerado o "inimigo número um do bolsonarismo", nas quais
os apoiantes do ex-presidente defenderam a aprovação de uma amnistia para todos
os acusados no processo de tentativa de golpe de Estado.
Jair Bolsonaro não marcou presença física devido às medidas
cautelares impostas mas participou nas manifestações por telefone, contrariando
restrições expressas determinadas pelo STF, que o proibiam de usar as redes
sociais.
No Rio de Janeiro, o seu discurso foi transmitido através do
senador e filho Flávio Bolsonaro, enquanto em São Paulo participou através de
uma videochamada exibida por um deputado.
Na quarta-feira, os Estados Unidos impuseram a Lei Magnitsky
a Alexandre de Moraes, dispositivo que impõe sanções económicas por violações
graves contra os direitos humanos ou corrupção.
Poucas horas depois, o presidente norte-americano, Donald
Trump, assinou o decreto que oficializa a imposição
de tarifas de 50% a vários produtos brasileiros.
As duas decisões foram vistas como intimamente ligadas,
tendo como peça central Alexandre de Moraes, relator do processo no qual Jair
Bolsonaro e o seu núcleo são acusados de tentativa de golpe de Estado contra a
vitória eleitoral de Lula da Silva nas presidenciais de 2022.
De acordo com o Ministério Público, além de discutir com os
seus ministros e altos oficiais militares medidas para anular as eleições e até
mesmo matar Lula da Silva, Bolsonaro incentivou o ataque às sedes da
Presidência, do Congresso e do Supremo Tribunal promovido por milhares de
radicais a 8 de janeiro de 2023.
Fonte: TVI Notícias, 5 de agosto de 2025

Comentários
Enviar um comentário