Netanyahu ordena ocupação militar de toda a faixa de Gaza

Anthropoid (2016)

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou a ocupação militar de toda a faixa de Gaza sitiada, incluindo zonas onde estão a ser mantidos reféns pelo movimento islamita palestiniano Hamas, segundo vários média

Fonte do gabinete de Netanyahu confirmou ao The Jerusalem Post que o primeiro-ministro tomou a decisão de ocupar totalmente a Faixa de Gaza, incluindo operações em áreas onde há reféns.

"O gabinete do primeiro-ministro transmitiu a mensagem ao chefe do Estado-Maior (do Exército, Eyal Zamir): Se isto não lhe convém, então demita-se", adianta a mesma fonte.

A informação sobre a ordem dada às Forças de Defesa de Israel (IDF) foi avançada também pelo canal i24 e pela Euronews, na sequência da recusa do Hamas em depor as armas, mesmo depois de grande parte dos países árabes terem apelado a tal publicamente, e da divulgação pelo movimento palestiniano de vídeos de reféns israelitas em condições de saúde precárias.

Israel, e o seu aliado norte-americano, reagiram com indignação ao anúncio de vários países que pretendem reconhecer o Estado da Palestina, caso de França, Canadá e Reino Unido.

O governo israelita aprovou hoje um plano para o desenvolvimento das comunidades no oeste do deserto do Negev, que, segundo o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, visa duplicar a população das localidades junto da Faixa de Gaza.

"Vamos abrir e acolher Ofakim, Netivot, Meerhavim, Eshkol, Sahar Negev e Sdot Negev. Pretendemos desenvolver zonas industriais, promover centros de inovação e investigação e também estabelecer a primeira aldeia paralímpica deste tipo em Israel para atletas com deficiência", declarou Benjamin Netanyahu, durante a reunião do executivo que aprovou a medida, de acordo com um comunicado do seu gabinete.

Smotrich afirmou, por sua vez, que o projeto tem "o potencial de duplicar a população nestas zonas do país" e permitir a criação daquilo a que chama a "zona perimetral" da Faixa de Gaza.

O que se entende por "zona perimetral" é toda a área que rodeia a Faixa de Gaza até cerca de sete quilómetros da linha divisória entre Israel e o enclave palestiniano, que inclui numerosos ‘kibutz’ (comunidades agrárias) e a cidade de Sderot, com cerca de 30 mil habitantes.

A região é também mais suscetível a disparos ocasionais de ‘rockets’ por parte das milícias do enclave e foi a que mais sofreu com o ataque de 7 de outubro de 2023, quando homens armados liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas invadiram o território israelita e mataram cerca de 1200 pessoas.

[Sabem os cultos que na vida são necessários dois para dançar o tango. Não é claro se estes acontecimentos resultaram de uma instigação deliberada e maliciosa por parte de Israel, ou se se tratou apenas do aproveitamento de uma oportunidade de ouro para consolidar território e reforçar a sua supremacia regional — especialmente em relação ao Irão, o seu inimigo simbólico.

A data do ataque não poderia ter sido mais oportuna: decorria um festival de música com milhares de jovens inúteis, descartáveis, muitos deles estrangeiros, oferecendo o cenário ideal para maximizar o impacto mediático junto da opinião pública internacional, nas Nações Unidas e durante visitas oficiais — com Netanyahu a exibir, como cenouras vexatórias, fotografias emolduradas de reféns. A operação dos pagers explosivos para o Hezbollah estava em andamento. A seleção de alvos para destruição estava definida, como aconteceu com a explosão de parte do aeroporto internacional de Alepo. A recolha de inteligência sobre os inimigos da região estava bastante avançada. A certeza, pelo investimento feito, da reeleição de Trump e derrota de Kamala Harris. Os sistemas de defesa israelita na fronteira de Gaza estavam todos de férias ou avariados, nada funcionou, e os palestinianos entraram em Israel de forma impressionantemente fácil.

Dificilmente, poderia ter sido escolhido um momento mais favorável para tal operação, mediatizada para o mundo livre como o horror dos 40 Bebés Decapitados – imagem-selo de barbárie inquestionável praticada por monstros.

Israel nunca divulgou quantos dos seus agentes integravam o holocaústrico ataque do grupo islamita a 7 de outubro de 2023, nem quantas das 1200 pessoas foram, de facto, mortas pelo Hamas e quantas pelas forças armadas e polícia israelitas através da ativação do Protocolo Hannibal. Numa era em que os serviços secretos monopolizam a informação e moldam a perceção do real, resta ao cidadão comum, desprovido de acesso aos briefings confidenciais, um último bastião de liberdade: a lógica aristotélica. Pois, como ensinava o velho Estagirita, o que se contradiz não pode ser verdadeiro. E assim, no meio do ruído e da manipulação, só o que resiste à razão merece ser acreditado. Simplesmente, é ilógico e um atentado à inteligência dos consumidores de informação mediatizada, que os israelitas tenham informações minuciosas, ao mais ínfimo detalhe, sobre o Hezbollah, a Síria, os houthis, o Irão e até sobre os americanos, e, pelo lado absurdo, viviam na mais perfeita ignorância sobre planeamentos operacionais do Hamas, quando têm uma brigada, a Duvdevan, especificamente treinada para infiltração no grupo.

A justificação do embaixador Oren Rozenblat é simplesmente pateta e ridícula: "E nós estávamos dormindo. Especialmente pensando que outras pessoas deveriam pensar como nós. Eles, não. Eles têm princípios de religião extremos. Sacrificar as suas vidas para destruir Israel é mais importante do que os filhos. E esse foi o nosso erro”].

"A verdadeira vitória chegará quando os poucos inimigos que restam do outro lado da fronteira olharem para o lado israelita e disserem a si próprios: 'A região da terra que queríamos atingir e eliminar está a crescer, a florescer e a desenvolver-se'", comentou Smotrich.

O plano do governo visa alocar 1,8 milhões de shekels (cerca de 450 mil euros).

O conflito na Faixa de Gaza foi desencadeado pelos ataques de 7 de outubro de 2023, onde foram também feitos perto de 250 reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma vasta operação militar no território, que já provocou mais de 60 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, a destruição de quase todas as infraestruturas do enclave e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Além disso, o enclave tem estado sujeito a um bloqueio por Israel, acumulando-se relatos de fome entre a população, que foi agravada pelo afastamento das agências humanitárias da ONU e organizações não-governamentais de ajuda humanitária.

Fonte: Lusa, 4 de agosto de 2025

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