Plano israelita transforma Cisjordânia em prisão
Perry Mason
(1957-1966) – William Hopper, Raymond Burr, Barbara Hale, Ray Collins
A
Autoridade Palestiniana condenou hoje a aprovação de Israel da construção de 3400
habitações na Cisjordânia ocupada, afirmando que a medida “fragmenta a unidade”
do território, que o transforma numa “verdadeira prisão”
O ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade
Palestiniana "condenou com toda a veemência" a decisão israelita de
realizar este projeto, que "compromete
as perspetivas de implementação da solução de dois Estados (...) ao fragmentar
a unidade geográfica e demográfica do Estado palestiniano", de acordo com
um comunicado.
"Isto reforça a divisão da Cisjordânia ocupada em áreas e
cantões isolados, geograficamente desconectados e que se assemelham a
verdadeiras prisões, onde a circulação entre eles só é possível através de
postos de controlo da ocupação, no meio do terror das milícias de colonos
armados espalhados por toda a Cisjordânia", acrescentou a
mesma nota.
Já a ministra dos Negócios Estrangeiros palestiniana, Varsen
Aghabekian, apelou também para uma intervenção internacional e sanções a Israel.
“É necessária uma verdadeira intervenção internacional e a
imposição de sanções contra a ocupação para obrigar [Israel] a deixar de
executar os planos e a respeitar o consenso internacional sobre a solução da
questão palestiniana”, indicou num comunicado divulgado pela agência de
notícias palestiniana Wafa.
No texto, Aghabekian acusou a comunidade internacional de
complacência e considerou inúteis as declarações e expressões de repúdio sem
ação, uma vez que os colonatos judaicos em território palestiniano são ilegais
à luz do direito internacional.
“As meras declarações de condenação e denúncia são inúteis
neste caso e não protegem a solução de dois Estados, especialmente à luz da
ostentação pública oficial de Israel de atacar o Estado palestiniano e
trabalhar para impedir a oportunidade de o implementar”, acrescentou.
A construção de colonatos na zona “E1”, em Jerusalém
Oriental, está congelada há mais de duas décadas devido à pressão internacional
e norte-americana.
A localização é estratégica porque esta zona liga as
principais cidades palestinianas de Ramallah, no norte da Cisjordânia, a Belém,
no sul.
Em comunicado, o ministro das Finanças e colono israelita,
Bezalel Smotrich (extrema-direita), confirmou a decisão da Administração Civil
israelita, dizendo que "apaga na prática a ilusão de 'dois Estados' e vai
consolidar o controlo do povo judeu sobre o coração da Terra de Israel".
"O Estado palestiniano está a ser apagado da mesa não com slogans,
mas com ações. Cada assentamento, cada bairro, cada casa é um novo prego no
caixão dessa ideia perigosa", disse Smotrich, um dos
principais promotores da colonização dos territórios palestinos ocupados.
Com esta decisão, a Administração Civil - o órgão do Governo
israelita que administra a Cisjordânia - aprova a construção de 3410 casas numa
zona de 1200 hectares a leste de Jerusalém habitada por várias comunidades
beduínas palestinianas.
Fonte: CNN Portugal, 20 de agosto de 2025
A lógica é sempre a mesma: primeiro o campo de concentração, depois a Riviera. Aconteceu em Gaza, acontecerá na Cisjordânia.

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