Raparigas elegantes (posh girls) a favor da imigração ilegal

Beyond Paradise

Zoe Gardner é a mais recente ativista profissional a troçar das preocupações da classe trabalhadora sobre os hotéis para migrantes

A qualidade dos chamados progressistas que têm aparecido a defender a imigração ilegal, em plena onda de indignação com os hotéis para migrantes, tem sido muito baixa. Tão baixa, na verdade, que só está a piorar a situação.

Impressiona-me a quantidade de comentadores convidados para programas de atualidade ou debates na rádio que parecem não perceber o problema dos hotéis para migrantes, nem porque é que ele provoca tanta revolta. Entre estes especialistas de baixo calibre, uma figura em particular destacou-se: Zoe Gardner.

Num episódio do Newsnight da BBC Two esta semana, lá estava Gardner outra vez. Apresentada como “investigadora em asilo e migração”, começou a repetir a narrativa gasta e inverosímil de que as dezenas de milhares de requerentes de asilo que entram ilegalmente no Reino Unido são todos vítimas de perseguição ou refugiados de guerra. Desprezou como “tropo racista” qualquer referência a “preocupações legítimas” dos manifestantes relativamente aos requerentes de asilo — apesar das acusações criminais graves que pendem sobre alguns deles —, parecendo acreditar que tudo não passa de uma invenção de Nigel Farage, repetida por um público britânico preconceituoso e acrítico. “Eu não sou afetada por pessoas a chegar de pequenos barcos — e vocês também não”, disse ela recentemente num vídeo no Instagram, mas “convém ao Farage e companhia que idiotas como vocês acreditem que isto é realmente o nosso problema”.

O currículo de Gardner é típico dos especialistas / políticos / jornalistas que agora circulam pelos meios de comunicação. Desde que se licenciou na London School of Economics, teve “funções”, não empregos. Entre elas contam-se passagens pelo Joint Council for the Welfare of Immigrants, Asylum Aid, Race Equality Foundation e o European Council on Refugees and Exiles. Num dos seus artigos, descreve-se como “especialista independente em política de imigração e ativista pelos direitos de todos os migrantes e refugiados no Reino Unido e em toda a Europa”.

Quando não é especialista em política de imigração, é “ativista de base” — função que desempenhou para o grupo anti-Brexit Another Europe is Possible e para algo chamado Stop Trump Coalition. Estes grupos têm em comum a oposição à democracia: um opôs-se ao voto dos britânicos para sair da União Europeia; o outro à eleição de Donald Trump pelos eleitores americanos (não uma, mas duas vezes).

Parece que a menina Gardner tem vivido e “trabalhado” (uso a palavra “trabalhado” no sentido mais lato possível) numa rede londrina muito restrita, composta quase exclusivamente por pessoas que nunca tiveram um emprego que não fosse “ativista” ou “jornalista”. Existem para escrever artigos de opinião para os jornais da esquerda de classe média ou para fornecer comentários “politicamente corretos” nos meios de comunicação liberais — todos eles geridos por pessoas exatamente como elas, com as mesmas origens, as mesmas opiniões e, sem dúvida, os mesmos amigos.

Talvez seja injusto focar apenas Gardner. Há tantos outros ativistas privilegiados, da alta classe média, cuja experiência de vida gira em torno das salas verdes dos programas políticos da BBC e dos média e plataformas de campanha uns dos outros. Textos semelhantes a este podiam ser escritos sobre inúmeros outros do mesmo molde: a “comunista literal” Ash Sarkar, a “marxista” autoproclamada Grace Blakeley, a “rainha verde” Caroline Lucas e a “aristocrata do Guardian” Polly Toynbee. E isto só entre as ativistas profissionais — a lista de homens do mesmo estilo é ainda mais longa.

De certa forma, não há nada de novo nisto de tipos da alta burguesia saírem pelo mundo a castigar “os pobres”, com um lenço perfumado na mão para proteger o nariz sensível do cheiro da pobreza. A filantropia britânica construiu-se sobre essa condescendência moralista, tal como algumas das nossas instituições de ensino, incluindo a London School of Economics. De facto, a esquerda do establishment britânico sempre viveu alimentada por uma atitude paternalista e distante.

Os radicais burgueses de hoje são herdeiros do esquerdismo burguês de finais do século XIX e inícios do século XX. Penso em figuras como Sidney e Beatrice Webb, George Bernard Shaw, Harold Laski, John Maynard Keynes e Marie Stopes — todos eles, a partir de posições de grande privilégio e conforto, achavam que a melhor maneira de acabar com a pobreza era acabar com os pobres. Daí a sua conhecida simpatia pela eugenia. George Orwell alertou a classe trabalhadora, em The Road to Wigan Pier (1937), que quando estes progressistas burgueses se aproximassem a perguntar como poderiam ajudar, a resposta deveria ser: “suicidem-se”.

Tal como os seus predecessores, os chamados progressistas de hoje estão convencidos de que estão do lado certo da história. Veem o mundo inteiramente à imagem da sua própria autojustiça moral. Gardner e outros como ela não têm qualquer experiência de vida nem competências que possam realmente ajudar os migrantes que acreditam serem “vítimas”.

Embora tenham abandonado a antiga fixação dos progressistas com a eugenia, continuam a mostrar um leve desdém pelas pessoas comuns. Não compreendem a classe trabalhadora britânica, não fazem ideia de porque é que aqueles que sempre trataram com paternalismo estão fartos de ser ignorados ou silenciados. Agora, estas pessoas podem ser vistas a protestar à porta dos hotéis que alojam requerentes de asilo — e estão a tornar-se difíceis de ignorar.

Vivemos tempos extremamente perigosos e divisivos. Ao desprezarem as preocupações de largas camadas do país, as simpáticas senhoras de esquerda da classe média londrina estão apenas a semear mais divisão. Um lenço perfumado já não vai conseguir esconder por muito mais tempo o cheiro da revolta popular.

Lisa McKenzie

Fonte: spiked, 22 de agosto de 2025

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