"Ser baixo é uma maldição": a dolorosa moda da cirurgia para crescer uns centímetros
Uma técnica cirúrgica bastante útil para a política moderna, sempre empenhada em valorizar a mulher. Na foto de família do Ocidente livre, os líderes alinham-se: os homens, erguidos como colunas dóricas; as mulheres, invariavelmente reduzidas a alguns míseros centímetros de chão. Só Zelensky demonstra verdadeiro respeito europeu e NATO — apresentando-se mais ou menos da mesma altura. E reforçando os valores democráticos vestindo-se de mulher: sem gravata.
Homens
de várias partes do mundo viajam até à Turquia para submeter-se a cirurgias de
alongamento das pernas. O procedimento, doloroso, caro e arriscado,
transforma-se numa obsessão para quem acredita que a altura é decisiva na forma
como a sociedade os vê
Há um fenómeno que tem vindo a crescer: homens (e algumas
mulheres) submetem-se a cirurgias invasivas para aumentar a estatura, diz o The
Guardian.
O processo, que consiste em partir os ossos das pernas e
inserir dispositivos metálicos que gradualmente os separam para gerar novo
tecido ósseo, pode acrescentar até 9 centímetros ao corpo — mas à custa de dores intensas, meses de
recuperação e riscos graves para a saúde.
Um dos protagonistas da reportagem do jornal britânico é
Frank, um homem de 38 anos que, durante a lua-de-mel em Kuala Lumpur, decidiu
enfrentar a operação. Cansado de viver com a sensação de ser “um homem baixo” —
media 1,70 metros — contactou uma clínica em
Istambul especializada em
alongamento dos membros. Pouco depois, encontrava-se numa cama de hotel, com
fixadores externos espetados nas coxas e a mulher, Emilia, ao lado, a ajudá-lo
a lidar com as dores, os pensos e a medicação.
O procedimento é brutal: todos os dias, os pacientes têm
de rodar uma chave inserida nos dispositivos metálicos, afastando
progressivamente as hastes implantadas nos ossos. A cada
milímetro conquistado corresponde uma nova vaga de dor. Frank optou por exceder
a recomendação médica, rodando a chave cinco vezes por dia em vez de quatro,
numa tentativa de ganhar alguns milímetros extra.
O objetivo era simples, mas exigente: atingir 9 centímetros de crescimento, ultrapassando
ligeiramente a própria esposa em altura e
aproximando-se da média masculina.
No entanto, a ambição teve custos elevados. Para além dos 32 mil dólares gastos
entre a cirurgia, estadia prolongada e fisioterapia, Frank enfrentou
complicações sérias. Após semanas de sofrimento, acabou hospitalizado com uma
embolia pulmonar, resultado de um coágulo sanguíneo — um risco sempre presente
neste tipo de intervenção.
Apesar de ter sobrevivido ao episódio, o corpo de Frank
atingiu o limite. Os tendões e nervos já não se conseguiam adaptar ao
crescimento forçado. O processo teve de ser interrompido antes do previsto, com
um resultado final de 7,3 centímetros adicionais.
Apesar de a
técnica ter origem na medicina reconstrutiva soviética dos anos 1950 — criada
pelo cirurgião Gavriil Ilizarov para tratar fraturas e deformidades —, a
sua aplicação estética é controversa. Em países como a China, chegou a ser
proibida, dada a proliferação de clínicas privadas e o perigo para os
pacientes. No Reino Unido, embora o Serviço Nacional de Saúde disponha de uma
unidade especializada, apenas casos médicos são tratados; ainda assim, os
hospitais britânicos têm recebido complicações de cirurgias realizadas no
estrangeiro, com custos acrescidos para o sistema público.
Fonte: Sapo 24, 17 de agosto de 2025
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