Sérvia pede "reação resoluta" de UE e EUA face a violência de manifestantes
Maria Kallio (2021)
A presidente do parlamento sérvio, Ana Brnabic, apelou hoje
a uma "reação resoluta" da União Europeia, Reino Unido e Estados
Unidos face ao que descreveu como "violência brutal" de manifestantes
que acusam o governo de autoritarismo e corrupção.
Brnabic fez o apelo durante uma reunião com diplomatas dos
Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Reino Unido, a quem transmitiu que
os manifestantes atacam diariamente edifícios da polícia e tribunais, do
Ministério Público e do Partido Progressista Sérvio (SNS), do presidente
nacionalista, Aleksandar Vučić.
A presidente do parlamento, membro do SNS, declarou na
reunião que tal comportamento constitui um ataque à ordem constitucional, à
liberdade de imprensa e à segurança dos cidadãos e, por isso, apelou a uma
"reação resoluta e inequívoca" da comunidade internacional, de acordo
com um comunicado oficial.
A onda de protestos em massa
começou após o desabamento de um teto na recém-reformada estação ferroviária de
Novi Sad, no dia 1 de novembro do ano passado, matando 16 pessoas.
A exigência inicial pela responsabilização e transparência
quanto à adjudicação e execução do projeto, realizada por empresas chinesas,
transformou-se numa denúncia do autoritarismo governamental e na reclamação por
melhorias no Estado de Direito e pela realização de eleições antecipadas.
Nos últimos quatro dias, as manifestações tornaram-se
violentas, depois de mais de 80 manifestantes terem ficado feridos na
quarta-feira, no que descreveram como ataques brutais de "bandidos"
do Sindicato Nacional Socialista dos Trabalhadores (SNSS) e da polícia contra
cidadãos pacíficos.
O ministério do Interior anunciou no domingo que 56
manifestantes violentos foram detidos e seis agentes policiais ficaram feridos
durante os distúrbios da noite de sábado em Belgrado, Novi Sad e Valjevo, onde
o edifício do Ministério Público foi incendiado.
Numa mensagem publicada na sexta-feira, o comissário para os Direitos Humanos do Conselho da
Europa, Michael O'Flaherty, lamentou "o uso desproporcional da força pela
polícia" e reiterou o apelo às autoridades para que
"evitem o uso excessivo da força, acabem com as detenções arbitrárias e
reduzam as tensões".
Segundo o governo, a violência foi provocada exclusivamente
pelos manifestantes, supostamente
apoiados por países ocidentais.
Brnabic disse hoje à rádio Pink que o desastre na
estação ferroviária de Novi Sad não foi um acidente, mas um ato intencional de
"subversão" planeado do exterior para iniciar uma revolução contra o governo.
Esta acusação tem sido amplamente divulgada por órgãos de
comunicação social próximos do governo, sendo esta a primeira vez que um membro
do Executivo a assume.
Várias organizações estudantis e representantes da oposição
pediram hoje a Brnabic que apresente provas desta acusação ao Ministério
Público ou, caso contrário, será acusada de espalhar notícias falsas e espalhar
o pânico.
Vučić prometeu no domingo medidas "surpreendentes"
e decisivas contra os manifestantes que há nove meses acusam o governo de ser
autoritário e corrupto, e que comparou a nazis e terroristas.
"Enfrentaremos todas as pressões externas, todos
aqueles que nos ameaçam e nos dizem o que podemos e não podemos fazer",
declarou Vučić, que descreveu o comportamento dos manifestantes como
"autêntico terrorismo".
Vučić, que está no poder há 13 anos, afirmou que
"bandidos" ocuparam as ruas e previu que os manifestantes em breve
começarão a cometer assassínios.
O presidente rejeitou declarar o estado de emergência,
argumentando que tal medida é muito complexa e requer a aprovação do
parlamento, onde detém maioria absoluta.
Sem explicar o que quis dizer, afirmou que há outras medidas
que pode tomar e que precisa de alguns dias para "preparar a reação do
Estado do ponto de vista legal e formal".
Vučić comparou mesmo a
situação na Sérvia à época em que os nazis consolidaram o poder na Alemanha
através do terror, na década de 1930.
Fonte: Lusa, 18 de agosto de 2025




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