Trump avança com a compra de 10% da Intel
Perry Mason
(1957-1966) – James Coburn, Barbara Lawrence
Os Estados Unidos vão avançar para a compra de 10% do
gigante americano dos processadores, a Intel. Esta operação vai resultar da
conversão de apoios públicos em capital e irá permitir injetar na empresa em dificuldades cerca de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil
milhões de euros).
O negócio tem a intervenção de Donald Trump que se reuniu
esta sexta-feira com o presidente executivo da Intel, Lip-Bu Tan. Dias antes, o
presidente americano tinha pedido a demissão do CEO da Intel por alegado
conflito de interesses, levantando a suspeita de ligações a empresas chinesas.
Numa declaração emitida após esta reunião, o presidente americano disse que Tan “entrou com vontade
de salvar o seu cargo e acabou por dar 10 mil milhões (em ações) aos Estados
Unidos. E nós aceitamos”.
O acordo entre a empresa e Casa Branca prevê a aquisição de
9,9% do capital da Intel a 20,47 dólares por ação, o
que representa um desconto de 4% face ao fecho da negociação esta
sexta-feira. A aquisição das 433 milhões de ações será financiada com o
subsídio por pagar de 5,7 mil milhões de dólares atribuído à empresa durante a
presidência de Joe Biden, ao abrigo do programa Chips Act. Os restantes 3,2 mil
milhões de dólares foram destinados à Intel pelo programa Secure Enclave também
promovido pela anterior administração democrata.
Apesar deste balão financeiro, analistas citados pela
agência Reuters consideram que o montante não
chega para tirar a Intel dos problemas financeiros e operacionais. A empresa, dizem, precisa de
arranjar clientes externos para o seu o inovador microprocessador de 14.ª
geração, o 14A. O atual presidente executivo que está em funções desde março já
tinha avisado que este investimento só vai prosseguir se conseguir garantir
clientes.
A operação da Intel é mais uma intervenção de Trump e da sua
administração no mundo empresarial. Um caso recente foi o acordo feito com a Nvidia, concorrente da Intel, que abre
as portas do mercado chinês ao chip H20. Em troca, o Estado americano vai
receber 15% das receitas.
Na área da defesa, o
Pentágono tornou-se o maior acionista numa empresa mineira de pequena dimensão,
a MP Materials,
para aumentar a produção de terras raras no país. Outro exemplo é a “golden
share”, ação com direitos preferenciais incluindo o direto de veto, que fez
parte do acordo que permitiu à Nippon Steel comprar
a U.S.
Steel.
Fonte: Observador, 23 de agosto de 2025

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