Alterações climáticas tornam ondas de calor em Portugal 40 vezes mais prováveis
Perry Mason
(1957-1966) – Merry Anders
A
Península Ibérica, no extremo sudoeste da Europa, registou temperaturas
excecionalmente elevadas ao longo do mês passado, ultrapassando os 40 graus
Celsius em muitas regiões
As alterações climáticas provocadas pela atividade humana
aumentaram em 40 vezes o risco de ondas de calor como a que alimentou incêndios
florestais mortais em Portugal e Espanha em agosto, segundo um estudo divulgado
esta quinta-feira
A Península Ibérica, no extremo sudoeste da Europa, registou
temperaturas excecionalmente elevadas ao longo do mês passado, ultrapassando os
40 graus Celsius em muitas regiões.
O calor persistente alimentou incêndios florestais,
principalmente no norte de Portugal e no oeste e noroeste de Espanha, tendo
provocado a morte de quatro pessoas em cada um dos países, obrigando milhares
de pessoas a evacuar e devastando vastas áreas de terra.
Alterações climáticas tornam ondas de calor 40 vezes mais
prováveis no país
As alterações climáticas, causadas principalmente pela
queima de combustíveis fósseis, tornaram as condições climáticas propícias a
incêndios cerca de 40 vezes mais frequentes e 30% mais intensas, de acordo com
os cientistas europeus que trabalharam no estudo do grupo internacional World
Weather Attribution.
"Sem o aquecimento
provocado pelo homem, tais condições meteorológicas propícias a incêndios
teriam ocorrido apenas uma vez a cada 500 anos, em vez de uma vez a cada 15
anos, como acontece atualmente", disse Theo Keeping,
investigador da universidade britânica Imperial College London, aos
jornalistas.
Períodos de calor intenso secam rapidamente a vegetação e
podem originar incêndios intensos, que "podem gerar o seu próprio vento,
levando ao aumento da extensão das chamas, explosões e à ignição de dezenas de
incêndios próximos a partir de brasas", acrescentou.
Outro fator é o êxodo rural
Outro fator que agravou o impacto do aquecimento global é o
êxodo rural, que deixou vastas áreas de terra menos utilizadas do que antes, de
acordo com Maja Vahlberg, consultora do Centro Climático da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho.
"O declínio da agricultura e do pastoreio tradicionais
reduz o controlo natural da vegetação. As terras que antes eram habitadas e
cultivadas tornaram-se, por isso, mais inflamáveis", acrescentou.
"Do ponto de vista humano, a maioria destas zonas
rurais sofreu um abandono massivo desde a década de 1970, o que permitiu que os
combustíveis finos se acumulassem a níveis perigosos, um problema agravado pela
gestão florestal inadequada", disse Ricardo Trigo, professor do
departamento de geofísica, engenharia geográfica e energia da Universidade de
Lisboa.
Em Portugal, mais de 280 mil hectares foram queimados desde
o início do ano, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios
Florestais, que recolhe estes dados desde 2006. Espanha, por sua vez, perdeu
mais de 380 mil hectares, um novo recorde.
A onda de calor que atingiu
Espanha durante 16 dias em agosto de 2025 foi "a mais intensa de que há
registo", com temperaturas médias 4,6 graus mais elevadas do
que as observadas nas ondas anteriores, de acordo com a agência meteorológica
nacional espanhola AEMET.
A agência registou 77 ondas de calor em Espanha desde que
começou a manter registos, em 1975, seis das quais com quatro graus ou mais
acima da média. Cinco delas ocorreram desde 2019.
De acordo com uma estimativa divulgada na terça-feira pelo
Instituto de Saúde Carlos III, mais de 1100 mortes em Espanha podem ser
atribuídas à onda de calor de agosto.
Fonte. SIC Notícias, 4 de setembro de 2025
A sábia natureza está a proceder à substituição da população peninsular e europeia, trocando-a por uma mais resistente às fornalhas do futuro. Vai ficar tudo bem.

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