As lésbicas continuam a ser privadas de espaços exclusivos
Knock Knock (2015) - Keanu Reeves, Ignacia Allamand, Ana de
Armas
Não
existe tal coisa como uma lésbica biologicamente masculina
Na Grã-Bretanha de hoje, parece haver espaço para toda a
gente – menos para as lésbicas. As autarquias despejam milhões em projetos
LGBT, arte urbana arco-íris e espetáculos de drag. Porque razão, então, quando
as lésbicas pedem apenas um pequeno espaço próprio, a resposta é um sonoro
“não”?
Existem muitos espaços ditos de lésbicas que incluem
“lésbicas masculinas”. Mas as lésbicas de facto – as mulheres que já usavam
esse termo quando isso significava ser cuspida, despedida ou agredida –
continuam a enfrentar exclusão diariamente. Embora os ataques físicos se tenham
tornado raros, a repressão por parte das próprias instituições que afirmam
defender a igualdade tornou-se alarmantemente comum.
Durante anos, organizei eventos de speed-dating para
lésbicas. Depois de proibir a participação de homens em 2023, o espaço habitual
recusou-se a acolher-nos. Por isso, eu e outras lésbicas fundámos a L Community
– uma rede para mulheres lésbicas e bissexuais – a fim de recuperar o controlo.
Quando os locais cediam à pressão de ativistas e se recusavam a receber os
nossos encontros, prosseguíamos na mesma, mudando rotineiramente de sítio e
alternando a organizadora principal para que nenhuma mulher pudesse ser
colocada numa lista negra. Organizar encontros tornou-se um exercício de estar
sempre dois passos à frente.
Em 2024, a L Community lançou a primeira aplicação de
encontros exclusivamente feminina para lésbicas. A nossa razão era simples:
queríamos que as lésbicas pudessem encontrar-se entre si. Preocupava-nos que,
noutras aplicações supostamente lésbicas, as vozes das mulheres estivessem a
ser abafadas por “lésbicas masculinas” que se tornavam impossíveis de ignorar.
A natureza dessa infiltração não era muito diferente de sermos agressivamente
servidas com carne de vaca num buffet vegano e esperarem que fingíssemos que
não havia nada de estranho.
Surpreendentemente, não passou sequer um dia inteiro após
lançarmos a nossa aplicação e já havia homens a
tentar manipular o sistema. Para contornar as nossas verificações de
sexo, arranjaram amigas – mulheres presumivelmente convencidas de que estavam a
cumprir o seu dever em ajudar os oprimidos e marginalizados – que lhes
emprestavam o rosto. Uma vez lá dentro, bombardeavam as utilizadoras com fotos
explícitas e insultos. A aplicação acabou por ter de ser retirada e
reconstruída, impondo-se travões à criação de novas contas.
No início deste ano, quando a L Community tentou alugar um
antigo arco ferroviário vazio para instalar o primeiro espaço exclusivamente
lésbico do Reino Unido, o Conselho de Southwark recusou. Não porque o espaço
não estivesse disponível, nem porque o que pretendíamos fazer infringisse a lei
– mas porque, em 2025, as instituições vivem aterrorizadas com a ideia de
permitir que lésbicas se reúnam sem supervisão. Convém lembrar que o Conselho
de Southwark gastou mais de 3 milhões de libras em “projetos LGBTQ+” nos
últimos anos, incluindo drag shows, centros de recuperação apenas para homens e
espaços “queer” de sexo misto. Ao que parece, a nossa relevância começa e acaba
na letra “L” do acrónimo.
Por todo o país, os espaços lésbicos têm sido encerrados e
bloqueados da mesma forma – ou então apropriados por aqueles que fingem ser
nós. Da última vez que entrei no único “bar lésbico” de Londres, fui expulsa.
Não foi por algo que eu dissesse ou fizesse naquela noite, mas porque fui
reconhecida como a mulher que proibiu homens nos eventos de speed-dating
para lésbicas. A queixa (surpresa, surpresa) veio de um homem biologicamente
masculino. Desde então, o bar ergueu um letreiro sobre o balcão a declarar:
“Adoro pichota de mulher”.
Estas instituições sabem perfeitamente que ninguém se vai
insurgir por nos ignorarem. Durante anos, tem-se dito às lésbicas para ceder,
para respeitar os sentimentos dos homens e para os acolher em espaços nos quais
sabemos bem que não pertencem. Frequentemente, são outras mulheres a transmitir
esta mensagem. O resultado é sempre o mesmo: quem rompe os limites permanece, e
as vozes das lésbicas reais ficam marginalizadas.
A razão pela qual as lésbicas são policiadas com mais rigor
do que qualquer outra pessoa é clara. Somos o
lembrete constrangedor de que o sexo ainda importa. A nossa
existência demonstra, em termos inequívocos, que existem limites para a ideia
de que os homens se podem tornar mulheres. Assim, os conselhos aterrorizados
respondem removendo, infiltrando-se à força ou bloqueando a reconstrução dos
nossos espaços. Esta é uma escolha inteiramente política – uma escolha que diz
às jovens lésbicas de hoje que os seus direitos terminam onde começam os
sentimentos de outra pessoa.
As lésbicas não estão a pedir tratamento especial. No nosso
caso, estamos a solicitar um arco ferroviário desativado entre centenas, para
criar um espaço pequeno, privado e exclusivo para mulheres, totalmente em
conformidade com a lei. É assim tão difícil de providenciar?
As ações do Conselho de Southwark não serão esquecidas. Mas
eles devem saber que, quando as portas se fecham, nós abrimos de volta com um
pontapé. Lutamos arduamente pela nossa aplicação e pelos nossos eventos, e
continuaremos a lutar pelo nosso direito a espaços sem homens. As instituições
cobardes não nos impedirão de reconstruir o que foi destruído. É por isso que,
apesar de tudo, ainda cá estamos.
Jenny Watson
Fonte: spiked, 8 de setembro de 2025
As lésbicas simplesmente perderam o comboio da evolução. Para Darwin, a evolução não era uma marcha triunfal rumo à perfeição, mas um processo silencioso de substituição. Uma espécie sobrevive enquanto consegue explorar melhor um nicho, resistir ao ambiente ou reproduzir-se com maior eficácia. Quando surge uma variante mais eficiente – mais rápida, mais resistente, mais fértil – a anterior começa a definhar, relegada ao papel de fóssil vivo ou desaparecendo por completo. Não há justiça nem finalidade nesse mecanismo: apenas a fria lógica da seleção natural. O que fica não é o “melhor” em termos morais ou estéticos, mas simplesmente o que funciona. A natureza, nessa perspetiva, é um vasto palco de ensaios, em que cada forma de vida é provisória e pode ser substituída assim que outra desempenhe o papel de forma mais convincente.
Durante décadas, a figura da lésbica resistiu heroicamente: sobreviveu ao escárnio, à violência e até às ironias da cultura pop. Contudo, no grande palco da evolução social, surgiu uma variante mais performativa, mais ruidosa, mais telegénica para os ecrãs institucionais: a mulher trans autoproclamada lésbica. A mulher sem pénis, subitamente, dá lugar à mulher com pénis – não por capricho da biologia, mas por imposição social, para aumentar as vantagens do homem contra a inteligência artificial.
O homem moderno trava a sua própria batalha pela sobrevivência. Do outro lado da arena estão os algoritmos: criaturas incansáveis, que não dormem, não erram contas de dividir e produzem relatórios em segundos. Ele, pelo contrário, aparece cansado, ansioso, perdido entre planilhas, ginásio e podcasts motivacionais. A virilidade, outrora medida em músculos e território, mede-se agora em soft skills e na capacidade de fingir que o Grok não o intimida.
É nesta corrida inglória contra a máquina que o homem reencontra um velho ditado: sozinho, não vai lá. Precisa de alguém por trás. Não já a musa romântica dos poetas, mas a parceira estratégica que lhe escreve a carta de motivação em inglês impecável, que gere a agenda com mais eficácia que o Google Calendar, que o recorda de desligar o smartphone à noite. Ela é mais do que a sua interface humana com o mundo. Posicionando-se por trás, com a medida certa, engrandece-o ainda mais e a trans tem a medida de todas as coisas, atirando para o caixote de lixo da História as mulheres sem pénis.
E, neste novo mundo, a velha lésbica – que em tempos encarnou subversão – é tratada como fóssil incómodo, uma espécie de neandertal identitário. O destino dela não difere do das espécies ultrapassadas: resistir em pequenas reservas ou ser exibida em vitrinas museológicas, como relíquia de uma era em que as palavras ainda tinham contornos definidos.
Foto: Athena, nascida a 16 de dezembro de 1990 nas Filipinas é uma mulher com pénis: por trás de quem procura uma carreira política, bem entranhada, projeta-o num abrir e fechar de olhos para os mais altos cargos da nação.

















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