Como o dinheiro pró-Israel capturou o Partido Trabalhista de Starmer
Perry Mason
(1957-1966) – Jeanne Bal, George N. Neise
O Partido Trabalhista do Reino Unido tem sido abalado por
mais um escândalo e enfrenta escrutínio devido a revelações de que a sua
liderança terá sido capturada por uma rede de financiadores e lobistas não
eleitos, com ligações profundas a Israel e a organizações sionistas.
No centro da polémica está Morgan
McSweeney, poderoso chefe de gabinete de Keir Starmer, e a sua longa
associação com o empresário multimilionário Trevor
Chinn. Documentos e fugas de informação mostram que, entre 2017 e
2020, McSweeney supervisionou o Labour Together, um projeto interno do partido
que terá aceitado secretamente mais de 730 000 libras (cerca de 930 000
dólares) em doações não declaradas, alegadamente em violação da lei eleitoral.
Grande parte deste dinheiro terá vindo de Chinn, uma figura
cujo envolvimento na política trabalhista está, há
décadas, ligado à defesa de Israel e ao avanço de redes sionistas dentro do
partido.
Chinn não é um doador comum. Diretor do Labour Together até 2024, financiou ao longo da carreira tanto o Conservative quanto o Labour Friends of Israel (LFI). No início de 2025, foi condecorado com a Medalha de Honra Presidencial de Israel pelo presidente Isaac Herzog, em reconhecimento pelos seus serviços ao Estado de Israel. O compromisso de Chinn com Israel foi descrito como uma das suas “preocupações centrais” ao longo de três décadas de doações políticas.
Uma investigação conduzida por Jody McIntyre, candidata pelo
partido Trabalhista nas últimas eleições gerais, demonstra a profundidade da
ligação de Chinn ao projeto de McSweeney. Segundo a investigação, McSweeney
terá ocultado doações “para proteger Trevor” de escrutínio. O Labour Together,
no entanto, mais tarde classificou a falha na declaração dos fundos como um
“erro administrativo”, segundo orientação do advogado Gerald Shamash, outra figura do partido
conhecida por bloquear debates sobre sanções contra Israel.
A influência de Chinn não se limitou às doações. Segundo
atas de uma reunião de 2020 reveladas pela Electronic Intifada, Chinn e
outros cinco lobistas estabeleceram um “canal regular de comunicação” com o deputado trabalhista Steve Reed,
aliado próximo de McSweeney e defensor ativo do LFI. O registo divulgado
ilustra até que ponto os lobistas pró-Israel estavam integrados no projeto de
liderança fracionada do partido.
As próprias ligações de McSweeney ao sionismo remontam a
antes da sua associação com Chinn. Na juventude, viveu em Sarid, um assentamento sionista construído sobre
as ruínas da aldeia palestiniana de Ikhneifis, onde terá desenvolvido laços com
o movimento Hashomer Hatza’ir, que desempenhou um papel central no projeto
colonial de Israel.
A investigação de McIntyre e documentos internos sugerem que
McSweeney apoiou a candidatura de Steve Reed — conhecido por ter recebido
financiamento do LFI para viagens à Palestina ocupada — e posteriormente
trabalhou de perto com Margaret Hodge, declaradamente sionista. Algumas fontes
indicam ainda que McSweeney terá supervisionado a campanha de liderança de Liz
Kendall em 2015, durante a qual ela fez declarações públicas contra boicotes e
sanções a Israel, embora a natureza exata e o financiamento dessas campanhas
ainda estejam a ser investigados.
Em 2017, McSweeney era diretor do Labour Together, com Chinn
no conselho. Documentos internos revelaram que o
trabalho do grupo incluía projetos secretos para minar Jeremy Corbyn,
inflamando a crise de alegado antissemitismo, plantando histórias hostis nos média
e fragmentando a ala esquerda do partido.
Segundo a Double Down News, McSweeney terá mesmo
concebido uma estratégia secreta, denominada Operation Red Shield, com o
objetivo de “destruir” o Labour de Corbyn para capturar o partido para uma fação
pró-negócios e pró-Israel.
O financiamento secreto permitiu a McSweeney encomendar
estudos de opinião sobre os membros do Labour no valor de centenas de milhares
de libras. Esta investigação moldou a campanha de liderança de Starmer,
apresentando-o como um candidato de “união”, prometendo políticas como a gestão
pública e um Green New Deal.
Contudo, uma vez eleito, Starmer rapidamente abandonou esses
compromissos, descartando todas as dez promessas de liderança. A sequência de
eventos sugere que as posições de campanha de Starmer foram adotadas para
assegurar a vitória, e não para serem implementadas no governo.
O registo subsequente de Starmer confirmou este padrão de
engano. Meses após assumir a liderança, abandonou todas as promessas e deslocou
o Labour para a direita. Sobre a Palestina, Starmer tem repetidamente ecoado narrativas do governo
israelita, recusando condenar o genocídio e expulsando membros do partido que
criticaram Israel. [Por exemplo, Graham Jones afirmou que britânicos que
lutaram pelo exército israelita "deveriam ser presos", e Kate Osamor
mencionou genocídios recentes em Gaza. Essas declarações levaram a ações
disciplinares dentro do partido].
Embora Trevor Chinn esteja no centro deste último escândalo,
não é o único doador pró-Israel a financiar o Labour. Desde a eleição de
Starmer, o partido tem dependido cada vez mais de empresários ricos com fortes
ligações a organizações sionistas, entre eles Gary
Lubner, ex-CEO sul-africano da Autoglass, que doou mais de 5 milhões
de libras (6,3 milhões de dólares) ao Labour.
Fonte: Middle East Monitor, 26 de setembro de 2025


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