"Desafio direto à ordem internacional". UE condena encontro entre Putin, Xi Jinping e Kim Jong-un
Black Mama
White Mama (1973) - Pam Grier, Margaret Markov
A chefe da diplomacia
europeia, Kaja Kallas, considerou esta quarta-feira o encontro entre
os presidentes russo, chinês e norte-coreano um "desafio direto à ordem
internacional". Os três líderes estiveram juntos em Pequim, onde
assistiram à parada militar para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda
Guerra Mundial no Pacífico. Na opinião da alta representante da União Europeia
para os Negócios Estrangeiros, o encontro entre Vladimir Putin, Xi Jinping e
Kim Jong-un não só envia "sinais antiocidentais"
como representa um "desafio direto à ordem internacional".
"E
isto não é apenas simbólico", alertou Kallas. "A guerra da
Rússia na Ucrânia é apoiada pela China. São realidades que a Europa tem de
enfrentar".
As declarações de Kaja Kallas surgiram antes de uma
conferência de imprensa da Comissão Europeia em Bruxelas sobre o acordo comercial com os países do Mercosul.
"Enquanto
os líderes ocidentais se juntam em diplomacia, uma aliança autocrática procura uma via rápida para uma nova ordem
mundial", acusou.
Kallas sublinhou ainda que "a China e a Rússia também
estão a falar em fazer mudanças conjuntas que não são vistas há um século"
na arquitetura de segurança global.
A chefe da diplomacia da UE frisou que "Putin, Kim e Xi
apareceram juntos em público pela primeira vez, projetando
uma visão de paz através do cano de uma arma. Não é isso que
significa paz para a Europa".
Kallas pede "coragem política" aos 27
O presidente chinês e os seus homólogos russo e
norte-coreano assistiram esta quarta-feira, em Pequim, à parada militar que
assinalou o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Os três líderes subiram juntos à tribuna de honra, depois de
terem saudado individualmente cinco veteranos da Segunda Guerra Mundial, alguns
com mais de 100 anos.
Xi Jinping aproveitou a ocasião para apresentar o seu país
como "imparável". "O renascimento da nação chinesa é imparável e
a nobre causa da paz e do desenvolvimento da humanidade irá certamente
triunfar", afirmou no seu discurso.
"A humanidade enfrenta mais uma vez uma escolha entre a
paz ou a guerra, o diálogo ou o confronto", continuou, apelando a que se
evite a repetição de "tragédias históricas", como a que levou à morte
de milhões de chineses pelas tropas japonesas há mais de 80 anos.
Após estas declarações, Kaja Kallas sublinhou que, neste
período de grande tensão geopolítica, a Europa deve "reforçar o seu poder
(...) para participar como um ator de pleno direito".
A responsável referiu também
Gaza como "um exemplo de uma situação na qual não estamos a usar o nosso
poder geopolítico" devido à
falta de "união",
pelo que pediu aos Estados-membros que demonstrem "coragem
política" em conjunto.
Os países da UE não têm conseguido chegar a acordo sobre
sanções contra Israel, apesar da situação humanitária catastrófica em Gaza.
Fonte: RTP, 3 de setembro de 2025

Comentários
Enviar um comentário